Contribuições das mulheres para a cartografia foram negligenciadas por muito tempo

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A cartografia tem sido tradicionalmente uma área dominada por homens, desde a projeção de Mercator do mundo no século XVI, passando por agrimensores como George Washington e Thomas Jefferson, que mapearam propriedades no século XVIII, até o desenvolvimento de sistemas de informação geográfica por Roger Tomlinson na década de 1960. A cartografia e os campos relacionados às tecnologias geoespaciais continuam sendo dominados por homens. Mas, como geógrafa e especialista em sistemas de informação geográfica, tenho observado como as oportunidades para mulheres como cartógrafas mudaram ao longo das últimas cinco décadas. O advento de tecnologias como os sistemas de informação geográfica aumentou as oportunidades de educação, emprego e pesquisa para mulheres, tornando a cartografia mais acessível. O cenário feminino As mulheres sempre foram essenciais para como as pessoas veem e compreendem o mundo. O conceito da Mãe Terra ou Mãe Natureza como centro do universo e fonte de toda a vida permeia...

Fundamentalismo do Vaticano destrói as bases da tolerância

por Marcos Nobre, para a Folha de S.Paulo

O papa está reunindo seu exército. Primeiro, invocou os mortos: padres e freiras aliados do ditador Francisco Franco na Guerra Civil Espanhola. Depois, reabilitou os excomungados integristas, cujo líder nega o Holocausto nazista. Agora, aliou-se às forças obscurantistas que rejeitam o uso da camisinha como meio eficaz de proteção contra a Aids. Na mesma África que viu a Igreja Católica, durante séculos, exercer o papel de principal aliada da rapina escravagista.

É um chamamento a uma nova cruzada. E o raciocínio do papa tem se mostrado de uma cristalina simplicidade: mais vale um exército menor, mas mais aguerrido, do que uma multidão de crentes com pouca disposição para o combate. Seu antecessor, João Paulo 2º, respondeu ao desafio dos fundamentalismos religiosos com uma volta ao mistério do sagrado, mas também com o diálogo ecumênico. O então cardeal Ratzinger impôs o silêncio obsequioso aos que divergiam da sua orientação e substituiu um a um os bispos mais críticos.

Escolhido papa, Bento 16 responde aos fundamentalismos religiosos com a criação de um fundamentalismo católico. Não há dúvida de que, como fenômeno social, a fé declinou no último século. Mas prossegue sendo uma referência essencial para a vida da grande maioria das pessoas. A mudança realmente decisiva se deu na maneira de demonstrar essa fé.

Hoje é muito comum as pessoas transitarem de uma religião para outra. Ou se declararem membros de uma determinada religião e, ao mesmo tempo, frequentarem rituais e cultos de outras religiões. É muito comum também que crentes não aceitem integralmente os preceitos de conduta de vida de suas religiões sem por isso deixarem de se identificar com sua adesão religiosa.

A fidelidade -o atributo essencial da fé- não é mais simplesmente a uma religião, mas, antes, à transcendência, ao sagrado e ao místico. Não se trata apenas de tolerar externamente a existência de outras religiões, mas de aceitar a ideia de que é possível e legítimo expressar a fé de diferentes maneiras, em diferentes religiões. Essa nova forma da tolerância religiosa mostra que é possível uma certa separação entre fé e religião sem que elas desapareçam por isso.

O fundamentalismo religioso prega uma completa identificação de fé e religião. É uma recusa da forma atual do pluralismo religioso e político. O fundamentalismo praticado hoje pelo Vaticano destrói não apenas milhões de vidas. Destrói também as bases de uma convivência tolerante que levou séculos para ser construída.

> Ratzinger poderia ter sido o Obama do catolicismo, mas demonstra ser o Bush’. (fevereiro de 2009)

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