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Uma visão histórica do impacto da criação do SUS no acesso, custo e qualidade da saúde no país

Ana Beatriz Romeiro da Silva graduanda em Ciências e Biotecnologia, Universidade Federal Fluminense (UFF) Poucas políticas públicas brasileiras impactaram de forma tão profunda o cotidiano da população quanto o Sistema Único de Saúde (SUS). Instituído pela Constituição de 1988 e regulamentado em 1990, o SUS representa um dos maiores avanços da história da saúde pública no país ao estabelecer a saúde como um direito universal. Antes, o acesso à assistência médica era limitado e profundamente desigual , condicionado ao vínculo formal de trabalho ou à caridade de instituições filantrópicas. A maioria dos serviços de saúde estava restrita aos trabalhadores formais vinculados à previdência social. Pessoas sem emprego com carteira assinada ficavam à margem do sistema público e precisavam pagar por consultas, exames e medicamentos ou depender de ações assistenciais pontuais. Na prática, isso significava adiar diagnósticos, abandonar tratamentos e procurar atendimento apenas em situações emer...

E se houvesse uma pílula que desse poder intelectual ilimitado?

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por Marcelo Gleiser para Folha Imagine uma pílula que ofereça poderes intelectuais ilimitados, que cause uma avalanche de atividade neuronal, elevando o cérebro a um nível de percepção incomparável. Você toma aquilo e, por algumas horas, vira uma espécie de deus. Essa é a premissa do novo filme "Sem Limites", dirigido por Neil Burger e baseado no romance de Alan Glynn. O enredo nos apresenta Bradley Cooper no papel de um escritor fracassado que é transformado num gênio pelos poderes de uma milagrosa droga psicotrópica. Imagine se o cérebro tivesse um poder tremendo, uma capacidade ilimitada de percepção e dedução anestesiada pela rotina? O que chamamos de criatividade, de "insights" geniais, são meras fagulhas do que poderia ocorrer, a percepção de uma realidade que tudo engloba, uma nova dimensão da existência. Será possível abrirmos as portas para essa realidade, libertando-nos da "trivialidade" a que somos acorrentados pelo uso de apenas uma fraçã...

A devota e o ateu no terreno da fé

por Antonio Gonçalvez Filho , do Estado de S.Paulo A ponte que separa a ex-freira e teóloga inglesa Karen Armstrong do jornalista e escritor também inglês, naturalizado norte-americano, Christopher Hitchens passa sobre o mesmo rio, o da religião. Por coincidência, estão sendo publicados ao mesmo tempo no País os mais recentes livros dos dois, Em Defesa de Deus, de Karen Armstrong, e Hitch-22, a autobiografia de Hitchens, escrita a toque de caixa depois que ele foi diagnosticado com câncer no esôfago. Em sua obra, a inglesa reserva sérias críticas ao patrício, que há quatro anos escreveu um best-seller, Deus Não É Grande, com mais de 300 mil exemplares vendidos.  Hitchens, no seu Hitch-22, não menciona Karen Armstrong, mas, na última entrevista concedida antes da metástase que chegou ao pulmão do inveterado fumante, em novembro passado, ele voltou à carga contra os que condenam seu ateísmo, soltando um epigrama filosófico digno do austríaco Wittgenstein (1889-1951): "O que pode ...

A absurda tentativa de banir um livro de Lobato das escolas

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por Celso Masson, Humberto Maia Júnior e Rodrigo Turrer , da Época Como qualquer fábula, as de Monteiro Lobato (1882-1948) apresentam seres encantados, bichos falantes e situações inverossímeis. Foram escritas para despertar na criança o gosto pela leitura e fecundar a imaginação. Desde a década de 1920, as histórias do criador do Sítio do Picapau Amarelo têm sido adotadas nas escolas públicas de todo o país. Agora, o Conselho Nacional de Educação acolheu uma acusação de racismo contra uma dessas fábulas e pode bani-la das salas de aula por, de acordo com essa acusação, não “se coadunar com as políticas públicas para uma educação antirracista”. Ficar sem Monteiro Lobato é evidentemente ruim para as crianças – mas proibi-lo é pior ainda para o Brasil. Quem levantou a questão foi Antonio Gomes da Costa Neto, servidor da Secretaria de Educação do Distrito Federal e mestrando na Universidade de Brasília (UnB) na área de relações internacionais. Ele fez uma denúncia à Secretaria de Pol...

Internet nos faz pensar de forma mais superficial, diz escritor

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por Marcelo Leite , para a Folha Nicholas Carr cutucou a onça da internet com um argumento longo e bem-desenvolvido no livro "The Shallows -What the Internet is Doing to Our Brains" (que poderia ser traduzido como "No Raso -O que a Internet Está Fazendo com os Nossos Cérebros" e será lançado no Brasil pela Agir). Em poucas palavras, a facilidade para achar coisas novas na rede e se distrair com elas estaria nos tornando burros. O livro já vendeu mais de 40 mil cópias nos Estados Unidos. Está sendo traduzido em 15 línguas. Carr recusa a pecha de alarmista, mas sua preocupação com as "tecnologias de tela" é tanta que ele recomenda a restrição do acesso de alunos à internet nas escolas. Não descarta que a rede possa evoluir para a veiculação de ideias menos superficiais, mas tampouco vê indícios de que irá nessa direção. Leia abaixo trechos da entrevista telefônica dada por Carr da casa de parentes em Evergreen, Colorado, onde se refugiou depois de eva...

Opiniões disparatadas não são monopólio dos ignaros

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por Sérgio Augusto , para o Estadão Gandhi causou mais danos à humanidade do que Hitler. A revolução islâmica salvou o Irã para a democracia.Os governos militares fizeram um bem inestimável ao Brasil. Lula transformou o Brasil no Sudão da Américado Sul. Não subscrevo nenhuma dessas afirmativas, e só as juntei aqui para mostrar como certos disparates e determinados vaticínios não brotam exclusivamente de mentes ignaras e rombudas – se é que essa constatação, de tão velha, já não virou um truísmo. A primeira afirmativa foi processada no cérebro do filósofo esloveno Slavoj Zizek. A segunda trazia a assinatura de Michel Foucault. A terceira era uma ideia fixa de Gilberto Freyre. E a quarta, com o verbo no futuro (do presente ou do pretérito, tanto faz), foi uma profecia do Paulo Francis. Uau! Segundo Zizek, Gandhi e seu militante pacifismo desencadearam uma onda de violência improdutiva, que não eliminou a influência britânica sobre os rajás da Índia nem o sistema de castas do país...

Uma viagem surpreendente ao universo do cinema interditado

Carlos Reichenbach Folha de S.Paulo Que conste dos autos: não sou especialista em filmes de sexo explícito! No entanto, passei anos assistindo às imagens mais impuras, abjetas e até torpes que uma lente de cinema pudesse flagrar. Antes de me envolver no abortado projeto de documentário "Cinema Interditado", nutri certo desprezo pelo cinema vulgarmente chamado de pornográfico. Talvez por ter sido, na década de 1970, diretor de fotografia de filmes considerados eróticos que de pornô não tinham nem o lampejo. Sempre achei a pecha de "pornochanchada" dada às ingênuas comédias ou crônicas picantes da época, feitas no Brasil, uma manifestação equivocada, moralista e reacionária. Só fui tomar consciência das limitações dos meus próprios preconceitos quando iniciei a prospecção de filmes banidos para o tal documentário. BESTIALISMO - Pude amealhar um razoável acervo de raridades anticonvencionais, carinhosamente apelidado de "Cinemateca Saturnal" (consulte...

Guia de redação para sites

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Versão 1.0, abril de 2010 Desenvolvimento: por BRUNO RODRIGUES Para: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação Departamento de Governo Eletrônico - www.governoeletronico.gov.br Objetivo desta cartilha elaborada pelo governo para orientar a produção de seus sítios Mais do que um compromisso, prover informação ao cidadão é prova da transparência de um governo. Na web, as possibilidades se expandem e o trabalho torna-se mais completo e, de certa maneira, mais complexo. Esta ‘Cartilha de Redação Web’ pretende ser um guia e um norte na tarefa de elaborar informação clara, estruturada e eficaz para o meio digital. Na missão de moldar orientações de simples compreensão e aplicação, buscou-se identificar pontos de interseção entre as boas práticas de elaboração de informação para o meio online e os diversos modelos de sítios da esfera governamental brasileira e mundial, e seus respectivos conteúdos. Ao pôr em prática a...