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Uma visão histórica do impacto da criação do SUS no acesso, custo e qualidade da saúde no país

Ana Beatriz Romeiro da Silva graduanda em Ciências e Biotecnologia, Universidade Federal Fluminense (UFF) Poucas políticas públicas brasileiras impactaram de forma tão profunda o cotidiano da população quanto o Sistema Único de Saúde (SUS). Instituído pela Constituição de 1988 e regulamentado em 1990, o SUS representa um dos maiores avanços da história da saúde pública no país ao estabelecer a saúde como um direito universal. Antes, o acesso à assistência médica era limitado e profundamente desigual , condicionado ao vínculo formal de trabalho ou à caridade de instituições filantrópicas. A maioria dos serviços de saúde estava restrita aos trabalhadores formais vinculados à previdência social. Pessoas sem emprego com carteira assinada ficavam à margem do sistema público e precisavam pagar por consultas, exames e medicamentos ou depender de ações assistenciais pontuais. Na prática, isso significava adiar diagnósticos, abandonar tratamentos e procurar atendimento apenas em situações emer...

Estudo liga câncer na boca a sexo oral com várias pessoas

por Ricardo Mioto, da Folha Um vírus sexualmente transmissível e tradicionalmente ligado a câncer no pênis, ânus e colo do útero está sendo relacionado cada vez mais, também, a tumores na boca. A explicação para a maior presença do HPV (papilomavírus humano) nos casos desses cânceres é o aumento da prática de sexo oral nas últimas décadas, em especial entre jovens. Em 2005, 55% dos garotos e 54% das garotas entre 15 e 19 anos já tinham experimentado essa modalidade, segundo o Centro Nacional de Estatísticas da Saúde dos EUA. Nas décadas de 1940 e 1950, é claro, os estudos de Alfred Kinsey, pioneiro no mapeamento dos hábitos sexuais dos americanos, indicavam números bastante diferentes. Apenas 10% dos homens e 19% das mulheres daquela época disseram ter praticado sexo oral antes do casamento -apesar de menos de 50% das mulheres e de 33% dos homens terem casado virgens. Com isso, se tornaram mais frequentes, a partir do pós-guerra até hoje, os casos de câncer na base da língua, na ...

Vítimas de pedofilia contam rotina de medo sob o rigor da Igreja na Irlanda

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por Ernani Lemos e Juliana Yonezawa (texto e foto), para o Opera Mundi “A Irlanda deveria se envergonhar para sempre por permitir que tal barbaridade acontecesse a qualquer ser humano. Eu amo meu país e nunca vou deixar de amar. Eu sou católico e continuarei sendo. Independentemente de ir ou não à igreja. Mas eu jamais vou perdoar as pessoas que fizeram aquelas atrocidades comigo e com meus irmãos”, diz Michael O’Brien. “A única forma que eu tenho de descrever aquelas instituições é dizer que são piores do que prisões e similares aos campos de concentração da Alemanha. A rotina era rigorosa e muito dura. Nós passamos fome e sofremos de malnutrição. Eles deveriam nos preparar para a vida, nos educar e ensinar uma profissão. Em vez disso, só nos infligiram punições e o dogma religioso”, conta Christopher Heaphy. As palavras de rancor são de dois auto-intitulados “sobreviventes” dos abusos sexuais e da violência praticados contra crianças por membros da Igreja Católica na Irlanda. ...

Psicanalista lamenta que o pai tenha ficado em segundo plano

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“Há um grande desconhecimento em relação à importância da função paterna dentro da família. Nas relações entre mãe e pai, existe uma dinâmica que é alterada com a vinda de um filho. Por outro lado, o pai tem uma função muito importante na formação da personalidade e no aspecto emocional da criança”, afirma o psicanalista Rubens de Aguiar Maciel. Durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line, por telefone, ele falou sobre as transformações que o papel do pai vem sofrendo nas últimas décadas. Maciel analisou as pesquisas que são feitas no Brasil sobre a paternidade , sobre como as mulheres tratam o tema e também sobre a ausência do pai e a influência que o filho traz para o homem enquanto pai. “Hoje há alguns movimentos que procuram auxiliar os homens nesta tarefa de pai, ainda são poucos, mas existem grupos que se organizam no sentido de fazerem turmas de pais, de casais, onde vão discutir a questão da paternidade e do cuidado com os filhos. É algo que precisa ser incentivado e d...

Como o fundador dos Legionários de Cristo construiu o seu império

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por Jason Berry , do National Catholic Report Em 1946, Roma, após a II Guerra Mundial, se encontrava em má situação econômica, quando um obscuro jovem padre, com bolsos bem fundos, chegou buscando encontros com oficiais do Vaticano. O descendente de uma aristocracia provincial mexicana, Marcial Maciel Degollado fora padre por apenas dois anos, mas, quando um fotógrafo filmou sua ordenação, ele já estava dirigindo sua própria ordem religiosa, a Legião de Cristo . Maciel fora a Roma via Madri, Espanha, onde ele buscou bolsas de estudo que o governo de Franco oferecera para seminaristas latino-americanos estudarem na Espanha. O ministro do exterior da Espanha, Alberto Martín Artajo, lhe disse que ele necessitava da aprovação do Vaticano para os “estudantes apostólicos” poderem ser qualificados. Com fundos de várias das mais ricas famílias do México e de seu presidente, Miguel Alemán Valdés, ele disputou um encontro com Clemente Micara, um cardeal recém nomeado e veterano diplomata ...

Sacerdotes católicos são pais de família na Ucrânia

por Clifford J.Levy , do NYT RUDNO, Ucrânia - O resto da Europa está conturbado com as discussões sobre se o celibato dos padres católicos romanos é ou não a causa dos escândalos de abusos sexuais que têm se desenrolado no continente. No oeste da Ucrânia, porém, muitos padres católicos são casados e estão se multiplicando -com a bênção do Vaticano. As crianças que correm de um lado a outro na casa dos Volovetskiy são testemunhas disso. Os seis filhos da família vão de Pavlina, 21, a Taras, 9. Roman, 16, quer ser padre católico quando crescer. Como seu pai. O pai da família é o sacerdote Yuriy Volovetskiy, que comanda uma pequena paróquia em Rudno e cuja mulher, Vera, dá aulas de religião na escola. O casal Volovetskiy atua na Igreja Católica Grega Ucraniana, para a qual os padres celibatários não são necessariamente melhores padres por serem celibatários. Os católicos gregos ucranianos representam um ramo do catolicismo distinto do ramo católico apostólico romano, que é muito...

Padres pedófilos são minoria, mas a igreja trata fiéis como crianças

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por Contardo Calligaris, para a Folha Em 2002, graças a uma série de artigos do "Boston Globe", estourou, nos EUA, o escândalo dos abusos sexuais de crianças por padres católicos. Desde então, uma onda de denúncias varre a Igreja Católica no mundo inteiro. Última revelação, no "New York Times" da quinta passada: nos anos 1990, quando ele comandava a Congregação da Doutrina e da Fé, o atual papa, Bento 16, suspendeu o julgamento de um padre americano, acusado de molestar 200 meninos surdos, de cujos espíritos e almas, em princípio, ele devia cuidar. Aos meus olhos, nesta história que não acaba, o escândalo maior talvez não seja o abuso das crianças, mas o comportamento oficial da igreja: de maneira consistente e repetida, ela parece colocar seu interesse institucional acima de qualquer consideração moral. Escândalo, mas sem surpresa alguma: em geral, o projeto dominante de qualquer instituição é o de durar para sempre. Mas trégua: não escrevo esta coluna pa...

Bolsa-ditadura já pagou R$ 2,8 bilhões desde 2003

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por Amanda Costa , do Contas Abertas Já se passaram exatos 46 anos desde que o ex-presidente João Goulart foi deposto pelas Forças Armadas e o regime militar foi instaurado no Brasil – em 31 de março de 1964. Hoje, embora a ditadura permaneça apenas na memória dos perseguidos políticos, o custo do golpe insiste em acompanhar o governo brasileiro. Para se retratar pelos prejuízos causados ao perseguidos, a União já desembolsou, desde 2003, pelo menos R$ 2,8 bilhões com o pagamento de pensões e indenizações aos anistiados políticos. Só neste ano, já foram gastos R$ 77,7 milhões, um sexto do que foi gasto no ano passado – R$ 465 milhões. Em média, a União pagou R$ 383,6 milhões por ano, pouco mais de R$ 1 milhão ao dia, em pensões aos anistiados políticos desde o primeiro ano de vigência da atual lei de anistia (10.559/2002). Em 2008 o valor pago foi o maior da série, quando R$ 857,1 milhões foram desembolsados para o pagamento das pensões, indenizações únicas e do chamado retroati...