Contribuições das mulheres para a cartografia foram negligenciadas por muito tempo

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A cartografia tem sido tradicionalmente uma área dominada por homens, desde a projeção de Mercator do mundo no século XVI, passando por agrimensores como George Washington e Thomas Jefferson, que mapearam propriedades no século XVIII, até o desenvolvimento de sistemas de informação geográfica por Roger Tomlinson na década de 1960. A cartografia e os campos relacionados às tecnologias geoespaciais continuam sendo dominados por homens. Mas, como geógrafa e especialista em sistemas de informação geográfica, tenho observado como as oportunidades para mulheres como cartógrafas mudaram ao longo das últimas cinco décadas. O advento de tecnologias como os sistemas de informação geográfica aumentou as oportunidades de educação, emprego e pesquisa para mulheres, tornando a cartografia mais acessível. O cenário feminino As mulheres sempre foram essenciais para como as pessoas veem e compreendem o mundo. O conceito da Mãe Terra ou Mãe Natureza como centro do universo e fonte de toda a vida permeia...

Bastaria desperdiçar menos para alimentar toda a população mundial

Diariamente, o planeta recebe 200.000 bocas para alimentar. Até 2050, a população mundial deverá atingir 9,2 bilhões de habitantes ante os atuais 6,7 bilhões. A resposta mais comum para enfrentar este desafio é dizer que será preciso aumentar a produção mundial de alimentos em 50% até lá.

A reportagem é de Laurence Caramel, Le Monde, 19-02-2009. A tradução é do Cepat.

Mas não é isso que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) defende em seu relatório dedicado à crise alimentar, publicado nesta terça-feira, 17 de fevereiro, por ocasião de sua reunião anual em Nairóbi. Para sair da cilada das necessidades alimentares crescentes, a organização privilegia a reciclagem das milhões de toneladas de alimentos hoje perdidos ou desperdiçados, e afirma que uma melhor eficácia só da cadeia produtiva alimentar permitiria alimentar o aumento da população esperada para 2050. “Este caminho foi até agora muito pouco explorado quando teria, além disso, a vantagem de reduzir a pressão sobre as terras férteis e limitar o desmatamento”, lamenta o PNUMA.

Fome O relatório cita em lufadas de exemplos que, mesmo que não sejam todos novos, têm a vantagem de ilustrar bem a fragilidade de muitos agricultores de países do Sul, expostos às pragas, aos precários meios de armazenamento, à falta de transporte... mas também ao desperdício de nossas sociedades da abundância. No Reino Unido, um terço da alimentação comprada não é consumida, e nos Estados Unidos as perdas observadas em nível dos diferentes sistemas de distribuição são calculadas em aproximadamente 100 bilhões de dólares por ano.

A título de comparação, as necessidades do Programa Alimentar Mundial, para socorrer as populações que sofrem com a fome, se elevaram para 3,5 bilhões de dólares em 2008.

No total, perto da metade da produção alimentar mundial é hoje perdida, rejeitada porque não corresponde às normas de mercado ou desperdiçada na hora de consumir. OPNUMA destaca ainda que 30 milhões de toneladas de peixe são jogados no mar anualmente. Volumes que bastariam, segundo a organização, para garantir a metade das necessidades suplementares de peixe até 2050 para manter o atual nível de consumo de peixe por habitante.

O PNUMA propõe, por outro lado, que esses “dejetos” sirvam para alimentar o gado, para evitar que uma parte crescente da produção mundial de cereais seja destinada à alimentação animal. Um terço dos cereais é hoje destinado ao consumo animal e em 2050 serão 50%, se persistirem as atuais tendências. Isso poderá ter consequências graves sobre o abastecimento das populações, lembra a organização, cujo aporte calórico diário é altamente dependente dos cereais.

Mas o relatório não pára por aí. Ele sugere também que a reciclagem dos dejetos seja direcionada para a produção de agrocombustíveis para limitar, também aqui, a concorrência pela exploração de terras que está na origem da explosão dos preços e da crise alimentar.

> Produção de alimentos x produção de energia: o desafio do século XXI. (maio de 2008)

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