A IA está prestes a alterar radicalmente as estruturas de comando militar que não mudaram muito desde o exército de Napoleão

Apesar de dois séculos de evolução, a estrutura de um estado-maior militar moderno seria reconhecível por Napoleão. Ao mesmo tempo, as organizações militares têm lutado para incorporar novas tecnologias à medida que se adaptam a novos domínios — ar, espaço e informação — na guerra moderna. Benjamin Jensen professor de Estudos Estratégicos na Escola de Combate Avançado da Universidade do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos The Conversation plataforma de informação produzida por acadêmicos e jornalistas O tamanho dos quartéis-generais militares aumentou para acomodar os fluxos de informação e os pontos de decisão expandidos dessas novas facetas da guerra. O resultado é a diminuição dos retornos marginais e um pesadelo de coordenação — muitos cozinheiros na cozinha — que corre o risco de comprometer o comando da missão. Agentes de IA — softwares autônomos e orientados a objetivos, alimentados por grandes modelos de linguagem — podem automatizar tarefas rotineiras da equipe, redu...

Dobra número de casais ricos sem filhos, os 'dinks

 

Em dez anos, as famílias brasileiras mudaram de cara. E a lista de arranjos vai crescendo. Nessa tendência, os casais sem filhos em que ambos trabalham começam a ganhar espaço na estrutura familiar brasileira.

A reportagem é de Cássia Almeida e publicada pelo jornal O Globo, 25-09-2008.

Em 1997, eles eram 997 mil. Em 2007, esse número pulou para 1,94 milhão, ou seja, praticamente dobrou, como mostrou a Síntese de Indicadores Sociais, divulgada ontem pelo IBGE.

Chamados de dinks, que significa em inglês double income and no kids, ou seja, dupla renda e nenhuma criança, esses casais despontaram nos Estados Unidos no começo dos anos 90. Por opção, privilegiam a carreira e o lazer. Por isso, são um fenômeno da classe média. Essas famílias no Brasil têm renda domiciliar per capita de 3,4 salários mínimos, R$ 1.292 em setembro do ano passado, quando os pesquisados foram atrás dos dados. O dobro dos R$ 642,70 da média das famílias.

— Está crescendo esse tipo de arranjo, típica de sociedade industrializada. Esse novo modelo está cada vez mais presente, principalmente na faixa de até 34 anos — disse Ana Saboia, coordenadora-geral da Síntese de Indicadores.

Decisão de não ter filhos ainda causa estranheza

O consultor Ricardo Aldana, de 37 anos, e a mulher Simone, de 30 anos, analista de qualidade, resolveram não ter filhos.

Depois de enfrentar a resistência dos pais, ainda sofrem com a estranheza da sociedade diante dessa escolha. Com renda entre R$ 6 mil e R$ 7 mil, ambos têm curso superior.

— As pessoas nos olham abismadas quando falamos isso. Adoramos crianças, mas não vemos uma criança na nossa realidade. Trabalhamos e viajamos muito. No nosso diaadia, criar um filho seria muito difícil. É uma decisão irreversível — diz Ricardo Aldana.

A reação é grande. A decisão de Aldana de fazer vasectomia esbarrou na resistência do médico. Essa reação é natural, na opinião da socióloga Elisabete Dória Bilac, do Núcleo de Estudos Populacionais da Unicamp. Qualquer arranjo familiar diferente acaba enfrentando oposição no primeiro momento:

— As pessoas têm dificuldade de lidar com a diferença.

Ricardo e Simone são o casal típico desse conceito sociológico. Mas há outros motivos para estar nessa condição, como o adiamento da maternidade.

Nesse grupo entram Hedlane de Araújo Barbosa Lima, de 33 anos, e Genildo Dias, de 30. Eles optaram por investir pesado no trabalho para, então, pensar em filhos.

Casal decide privilegiar carreira e formar patrimônio

Donos de três empresas, duas de vendas de instrumentos musicais e outra de locação de equipamentos audiovisuais, Hedlane e Genildo se dedicam até 14 horas por dia ao comando dos negócios. A renda mensal média da família é superior a R$ 10 mil, e um bom patrimônio já está assegurado por causa das empresas, que já existem há cerca de oito anos. Mas a intenção do casal é melhorar ainda mais a condição financeira para dar todo o conforto aos herdeiros.

— Nós queremos ter filhos, mas ainda não aconteceu por falta de tempo. Dá muito trabalho e é difícil conciliar com a profissão, principalmente para quem administra negócios. Mas nosso desejo é ter dois filhos — explica Hedlane, que tem formação superior incompleta em administração e marketing.

Além do adiamento da gravidez, há outros fatores por trás da formação desses casais, na opinião de Elisabete. Um dos principais é o financeiro.

— Para a classe média, que tem dificuldade de usar os serviços públicos de saúde e educação, fica muito caro criar um filho. A família tem de trabalhar muito, e isso acaba desestimulando a decisão de ter filhos.
Ana Saboia, do IBGE, ressalta a questão da carreira. O tempo para o aprimoramento profissional também entra nessa conta.

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