Uma visão histórica do impacto da criação do SUS no acesso, custo e qualidade da saúde no país

Ana Beatriz Romeiro da Silva graduanda em Ciências e Biotecnologia, Universidade Federal Fluminense (UFF) Poucas políticas públicas brasileiras impactaram de forma tão profunda o cotidiano da população quanto o Sistema Único de Saúde (SUS). Instituído pela Constituição de 1988 e regulamentado em 1990, o SUS representa um dos maiores avanços da história da saúde pública no país ao estabelecer a saúde como um direito universal. Antes, o acesso à assistência médica era limitado e profundamente desigual , condicionado ao vínculo formal de trabalho ou à caridade de instituições filantrópicas. A maioria dos serviços de saúde estava restrita aos trabalhadores formais vinculados à previdência social. Pessoas sem emprego com carteira assinada ficavam à margem do sistema público e precisavam pagar por consultas, exames e medicamentos ou depender de ações assistenciais pontuais. Na prática, isso significava adiar diagnósticos, abandonar tratamentos e procurar atendimento apenas em situações emer...

Pulsão reprimida explica ação contra militar homossexual (Folha)

Leonidas_David

Tela "Leônidas nas Termópilas", de David, de  1814

por Jorge Coli, colunista da Folha

A mirabolante notícia de que o Exército cercou uma emissora de TV para prender um sargento que se declarou homossexual traz ensinamentos. O Exército é uma sociedade masculina bastante fechada que exalta a força física e os valores viris. Mundo macho de machos, favorece o homoerotismo, senão o homossexualismo.

Platão escreveu que um exército composto por casais de amantes seria indestrutível porque um teria vergonha de mostrar-se covarde diante do outro, preceito que Alexandre, o Grande, ao que parece, estimulou em seus batalhões.
Não estamos mais na Antigüidade, porém, e a sociedade contemporânea desenvolveu um gigantesco preconceito contra o homoerotismo.

Não é difícil perceber o que se esconde por trás da represália contra o sargento. Quando o homofóbico se exprime, não fala do outro, fala de si mesmo. Isso é verdade para qualquer preconceito. O racista, o anti-semita projetam no ser que odeiam o fantasma envergonhado de si próprios, das pulsões que têm dentro de si. Quando as exprimem, é para melhor escondê-las.

Não é certamente um movimento consciente, mas o esquema é mais ou menos assim: "Se estou acusando, denegrindo, humilhando alguém que manifesta características que eu condeno, é porque, vejam bem, sou o oposto dele, sou isento de seus vícios e defeitos". Está claro, essas características, vícios e defeitos existem apenas na cabeça de quem incrimina.
Só assim pode-se compreender uma ação tão pouco inteligente como aquele cerco da emissora.

Holofote

É impossível imaginar uma intervenção mais espalhafatosa: invasão de um programa ao vivo, quando ia ao ar uma questão efervescente, ótima para programas sensacionalistas.
A situação criada é muito mais espetacular do que o problema. Qualquer um de sensato procuraria uma solução discreta, para evitar o escândalo, para não transformar aquele sargento em vítima.


É que o bom senso e a razão fogem quando as pulsões reprimidas falam mais forte. Era preciso proclamar para a galáxia que os comandantes não são gays, que os soldados não são gays, que não há nada de gay no Exército: "Estão vendo? Nós não admitimos, nós cercamos, nós prendemos".
Quem quiser intuir o que se passou, veja "O Pecado de Todos Nós" (1967), filme de John Huston, que foi um diretor machão entre os machões. Ou medite sobre a tela "Leônidas nas Termópilas", de David, datada de 1814, apogeu de delírio erótico-militar.

> Exército se excede em prisão de sargentes gays.

> Citações sobre preconceitos.

Comentários

  1. Maravilhoso seu artigo, já escrevi antes deseescandalo, sobre homossexualidade no meu blog, mas vc fez um maravilhoso artigo.
    Um Abraço

    ResponderExcluir

Postar um comentário