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Uma visão histórica do impacto da criação do SUS no acesso, custo e qualidade da saúde no país

Ana Beatriz Romeiro da Silva graduanda em Ciências e Biotecnologia, Universidade Federal Fluminense (UFF) Poucas políticas públicas brasileiras impactaram de forma tão profunda o cotidiano da população quanto o Sistema Único de Saúde (SUS). Instituído pela Constituição de 1988 e regulamentado em 1990, o SUS representa um dos maiores avanços da história da saúde pública no país ao estabelecer a saúde como um direito universal. Antes, o acesso à assistência médica era limitado e profundamente desigual , condicionado ao vínculo formal de trabalho ou à caridade de instituições filantrópicas. A maioria dos serviços de saúde estava restrita aos trabalhadores formais vinculados à previdência social. Pessoas sem emprego com carteira assinada ficavam à margem do sistema público e precisavam pagar por consultas, exames e medicamentos ou depender de ações assistenciais pontuais. Na prática, isso significava adiar diagnósticos, abandonar tratamentos e procurar atendimento apenas em situações emer...

Estudo mostra casos de vingança de escravos contra seu proprietário

por Ricardo Mioto da Folha Os senhores do Brasil escravocrata eram tão confiantes na submissão dos seus escravos que, com frequência, acabam assassinados por falta de tato ao lidar com eles. A conclusão é da historiadora Maíra Chinelatto Alves, cujo mestrado recém-completado na USP é sobre isso. Ela conta, por exemplo, o caso do velho Pedro Antônio Oliveira, mais de 80 anos, de Campinas. Em 1845, irritado, teve a genial ideia de ir sozinho atrás de um dos seus 15 escravos, João de Nação, negro forte com menos de 30 anos, para castigá-lo. Em uma cena digna de filme B de ação rodado no Terceiro Mundo, o velho e o negro se encontraram no meio de um bananal. Oliveira deu uma paulada na cabeça de João, que reagiu com uma foice, matando o seu dono. Em sua defesa, João disse que tinha tomado "algumas pingas" e que "ainda andava meio quente delas". Com frequência, diz Chinelatto, os donos achavam que seus escravos faziam corpo mole e desciam o sarrafo para acabar co...

A objetividade é obsoleta; existe uma realidade para cada pesssoa

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por Marcelo Gleiser para a Folha Semana passada, descrevi como a física moderna vê a realidade como sendo composta devárias camadas, cada qual com seus princípios e leis. Isso vai contra o reducionismo mais radical, que diz que tudo pode ser compreendido partindo do comportamento das entidades fundamentais da matéria. Segundo esse prima, existem apenas algumas leis fundamentais. Delas, todo o resto pode ser determinado. Gostaria de retornar ao tema hoje, mas focando num outro aspecto dessa questão que é bem complicado: o que é realidade e como sabemos. Começo contrastando os filósofos Hume e Kant. Para Hume, o conhecimento vem apenas do que captamos com nossos sentidos. Baseados nesta informação, construímos a noção de realidade. Portanto, uma pessoa que cresceu sem qualquer contato com o mundo externo e que é alimentada por soros não seria capaz de reflexão. Kant diria que existem intuições já existentes desde o nascimento, estruturas de pensamento que dão significado à percep...

28% dos brasileiros se queixam de dor crônica

por Juliana Vines , colaboradora da Folha A dor crônica atormenta pelo menos 28% da população brasileira, segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Estudos da Dor. Falta de tratamento correto e automedicação são os principais fatores que podem transformar uma dor passageira em crônica. De acordo com especialistas, o que caracteriza a doença é a formação de uma memória da dor. "É como se o cérebro se acostumasse com a sensação e a reproduzisse ao menor estímulo", explica o reumatologista Jamil Natour, professor da Unifesp. Quer dizer que a doença pode ter sido curada e, ainda assim, o paciente continuar com o sintoma. "A dor passa a ser a doença", diz Natour. Mesmo sintomas aparentemente fracos podem desencadear a consolidação da memória cerebral. "Quanto mais tempo a pessoa sente dor, mais difícil será de fazer com que ela pare", afirma a anestesiologista Fabíola Peixoto Minson, diretora da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor. Para Nato...

A absurda tentativa de banir um livro de Lobato das escolas

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por Celso Masson, Humberto Maia Júnior e Rodrigo Turrer , da Época Como qualquer fábula, as de Monteiro Lobato (1882-1948) apresentam seres encantados, bichos falantes e situações inverossímeis. Foram escritas para despertar na criança o gosto pela leitura e fecundar a imaginação. Desde a década de 1920, as histórias do criador do Sítio do Picapau Amarelo têm sido adotadas nas escolas públicas de todo o país. Agora, o Conselho Nacional de Educação acolheu uma acusação de racismo contra uma dessas fábulas e pode bani-la das salas de aula por, de acordo com essa acusação, não “se coadunar com as políticas públicas para uma educação antirracista”. Ficar sem Monteiro Lobato é evidentemente ruim para as crianças – mas proibi-lo é pior ainda para o Brasil. Quem levantou a questão foi Antonio Gomes da Costa Neto, servidor da Secretaria de Educação do Distrito Federal e mestrando na Universidade de Brasília (UnB) na área de relações internacionais. Ele fez uma denúncia à Secretaria de Pol...

Problema para lidar com dinheiro é sinal inicial de Alzheimer

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por Gina Kolata , do NYT A dona de casa Renee Packel tinha uma típica vida suburbana. Ela cuidava da família e da casa, localizada perto da Filadélfia (EUA). Seu marido, Arthur, era advogado e vendia seguros. Um dia, tudo desabou. Os proprietários da casa ligaram cobrando o pagamento das prestações. Para a surpresa de Renee, seu marido havia parado de pagá-las. Arthur Packel estava desenvolvendo doença de Alzheimer e se esquecera de como lidar com dinheiro. Quando tentou pagar as contas, Renee não achou as economias do casal. "Simplesmente desapareceram." O que aconteceu com essa família é comum, segundo especialistas em Alzheimer. De acordo com uma pesquisa feita por Daniel C. Marson, neuropsicólogo da Universidade do Alabama, a confusão sobre dinheiro pode ser o mais importante entre os primeiros sinais de mudança funcional que acontecem no início da demência. Isso não afeta só as famílias. Consultores financeiros e advogados ficam em uma situação difícil quand...

Baixos níveis de testosterona podem ser indícios de Alzheimer

Baixos níveis do hormônio masculino testosterona podem estar associados com uma predisposição ao Alzheimer, diz estudo da Universidade de Hong Kong em parceria com a Universidade de Saint Louis, nos EUA. Foram analisados na pesquisa os níveis do hormônio em 153 chineses com mais de 55 anos e sem sinais de demência. Do total de voluntários, 47 tinham queixas de perda de memória e dificuldade na clareza de pensamento. Em um ano, dez homens desse grupo apresentaram os primeiros sintomas de Alzheimer. Os mesmos voluntários tiveram baixos níveis de testosterona e altos níveis de uma proteína relacionada com o maior risco da doença. O estudo saiu no "Journal of Alzheimer's Disease". Para os pesquisadores, a conclusão mostra que a falta do hormônio pode ser considerada um fator de risco. > Informações sobre o mal de Alzheimer.

Fumantes têm recuperação mais difícil quando adoecem

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por Giovanni Guido Cerri, professor titular da Faculdade de Medicina da USP e diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. Artigo escrito para a Folha Citar o cigarro sem lembrar os males que ele trás para a saúde das pessoas é praticamente impossível, principalmente quando olhamos para o desenvolvimento de certas doenças, como o câncer e os problemas cardiovasculares. E as estatísticas confirmam a letalidade do vício do fumo: no Brasil, estima-se que cerca de 200 mil mortes por ano são em decorrência do cigarro. Os estudos mostram ainda que, além de estarem mais propensos ao desenvolvimento de doenças, os fumantes têm uma recuperação mais difícil, quando adoecem, dos que os não fumantes. No caso do câncer, cerca de 30% das mortes causadas são atribuídas ao tabagismo. Um levantamento promovido pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (Icesp) apontou que, entre os pacientes ali internados, pelo menos um em cada quatro tem histórico d...