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Uma visão histórica do impacto da criação do SUS no acesso, custo e qualidade da saúde no país

Ana Beatriz Romeiro da Silva graduanda em Ciências e Biotecnologia, Universidade Federal Fluminense (UFF) Poucas políticas públicas brasileiras impactaram de forma tão profunda o cotidiano da população quanto o Sistema Único de Saúde (SUS). Instituído pela Constituição de 1988 e regulamentado em 1990, o SUS representa um dos maiores avanços da história da saúde pública no país ao estabelecer a saúde como um direito universal. Antes, o acesso à assistência médica era limitado e profundamente desigual , condicionado ao vínculo formal de trabalho ou à caridade de instituições filantrópicas. A maioria dos serviços de saúde estava restrita aos trabalhadores formais vinculados à previdência social. Pessoas sem emprego com carteira assinada ficavam à margem do sistema público e precisavam pagar por consultas, exames e medicamentos ou depender de ações assistenciais pontuais. Na prática, isso significava adiar diagnósticos, abandonar tratamentos e procurar atendimento apenas em situações emer...

Suicídio entre indígenas do Amazonas pode ser oito vezes maior que média nacional

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por Amanda Mota, da Agência Brasil Informações do Distrito de Saúde Indígena (Dsei) do Alto Solimões revelam que nos municípios amazonenses de Tabatinga, Benjamin Constant, Santo Antônio do Içá, Amaturá, São Paulo de Olivença e Tonantins a média de suicídios registrada em 2008 é de 38,32 para cada 100 mil habitantes.  A taxa de suicídios nessa região pode chegar a ser quase oito vezes maior que a média nacional que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), varia de 3,9 a 4,5 para cada 100 mil habitantes. O Dsei Alto Solimões é o primeiro do interior do Amazonas a organizar dados sobre o problema.  A equipe atende 42.093 indígenas pertencentes a sete etnias, predominantemente ticuna. A prática de suicídio entre indígenas que vivem na região do Alto Rio Solimões, no sudoeste do Amazonas, deve-se a fatores diversos mas, principalmente, a aspectos culturais e à falta de perspectivas para o desenvolvimento pessoal e profissional desses indivíduos.  Essa é a opinião...

Pele tem centenas de tipos de bactérias

por Ricardo Mioto , para a Folha A diversidade que existe de bactérias na pele humana é muito maior do que se imaginava. Cientistas americanos contaram centenas de espécies por todo corpo. Fazer um censo bacteriano pode não ser o trabalho mais agradável do mundo, mas ajuda a entender doenças dermatológicas. Espécies diferentes gostam de ambientes diferentes. Felizmente para as bactérias, existem vários "climas" pelo corpo. "As axilas, por exemplo. São uma área úmida, com pelos. Elas estão bem perto dos nossos braços - mas eles são lisos e secos. São ambientes tão parecidos quanto florestas e desertos", escreveram os cientistas. No país das bactérias não há muitos vazios demográficos: todas as áreas são povoadas. A região com menos espécies é atrás das orelhas. São aproximadamente 15. O antebraço é a parte mais cosmopolita: 44 diferentes tipos no mesmo lugar. Os pesquisadores estudaram a pele de 20 partes do corpo de 10 voluntários, todos eles saudáveis. O ...

Mulheres foram ordenadas até o século 12, afirma teólogo historiador

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do IHU On-Line   Gary Macy (foto), jesuíta, professor de teologia na universidade Santa Clara, confiada à Companhia de Jesus, nos Estados Unidos, disse aos participantes de uma conferência na Vanderbilt University Divinity School, em Nashville, Tennessee, que existe um espaço de dúvidas históricas sobre o fato de mulheres terem sido ordenadas na Igreja católica até o fim do século XII. A conferência de Macy, intitulada "Um chamado superior para as mulheres? Perspectivas históricas na Igreja católica" , foi apresentada na Benton Chapel , no campus da universidade. A nota publicada pela universidade descreveu a conferência desta forma: "A própria ideia da ordenação de mulheres na Igreja Católica Romana é descartada por muitos como contrária à doutrina básica da Igreja. Gary Macy, detentor da cátedra John Nobili SJ de teologia na Universidade Santa Clara, afirma que as evidências históricas são impressionantes, no sentido de que, durante grande parte da histór...

Parentesco e família

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por Cynthia Andersen Sarti , para a revista ComConsciência A marca do pensamento de Lévi-Strauss, no que se refere à família e ao parentesco, foi fazer a discussão entrar definitivamente no terreno da cultura. Sua concepção modifica toda a ideia corrente que identifica a família com a unidade biológica – pai, mãe e filhos. Para Lévi-Strauss, a família, em seu fundamento natural, ou seja, a família consanguínea, precisa se desfazer para que exista a sociedade, ao mesmo tempo em que a sociedade – grupos dispostos a reconhecer seus limites e a se abrir ao outro – é condição da existência da família. “O que diferencia verdadeiramente o mundo humano do mundo animal é que, na humanidade, uma família não poderia existir sem existir a sociedade, isto é, uma pluralidade de famílias dispostas a reconhecer que existem outros laços para além dos consanguíneos e que o processo natural de descendência só pode levar-se a cabo através do processo social da afinidade”, diz Lévi-Strauss (1980, p. 34)....

A lição de sabedoria das vacas loucas

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por  Claude Lévi-Strauss Traduzido do francês por Nádia Farage Para os ameríndios e para a maior parte dos povos que por longo tempo permaneceram sem escrita, o tempo dos mitos foi aquele em que homens e animais não eram realmente distintos uns dos outros e podiam se comunicar entre si. Tomar como início dos tempos históricos a Torre de Babel, quando os homens perderam o uso de uma língua comum e deixaram de se compreender, pareceria àqueles povos uma visão singularmente estreita. Do seu ponto de vista, o fim da harmonia primitiva se produziu num âmbito muito mais vasto: atingiu não apenas os humanos, mas todos os viventes. Pode-se dizer que, ainda hoje, temos certa consciência daquela solidariedade primeira entre todas as formas de vida. Buscamos imprimir o sentimento dessa continuidade no espírito de nossas crianças desde cedo: nós as cercamos de simulacros de animais em borracha ou em pelúcia, e os primeiros livros de figuras que colocamos sob seus olhos lhes mostram o ...

Pedofilia: o lado obscuro da Igreja

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por Maria Novella De Luca , do La Repubblica, em 22 de maio de 2009 Contam a respeito de salas vazias, de violências nos dormitórios, de abusos no confessionário. Relembram em detalhes socos, maus tratos, extorsões, abusos sexuais, medo e vergonha. Mesmo que já tenham se passado 20, 30, 40 anos. Eles, as ex-crianças, não esquecem. Eram pequenos, adolescentes, deficientes, órfãos. A Igreja abre o seu arquivo mais perturbador. Pela primeira vez em todo o mundo, as vítimas falam e são escutadas, e descobre-se que os casos de pedofilia são milhares e milhares. A Igreja norte-americana, australiana e, depois de nove anos de investigações, a Igreja irlandesa: nas entidades para menores administradas por religiosos, gerações de crianças sofreram estupros e abusos. Por culpa de "padres traidores", assim o papa Ratzinger os chamava há um ano em Sydney , afirmando que quem se mancha com essas culpas "é uma vergonha para a Igreja" e deve ser processado. O resultado é ...

Adolescência: suicídio, breakdown e superação

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do IHU On-Line A adolescência vivida hoje é muito mais complexa do que a que vivemos há alguns anos. Poucos anos, aliás, pois há dez anos esta etapa da vida, ainda que já fosse intensa e repleta de problemas, não sofria do  bombardeio de informações sobre diversas coisas nocivas para quem ainda está formando sua personalidade. A médica psicanalista Maria Lucrécia Zavaschi, nesta entrevista, analisou os problemas que os adolescentes de hoje vivem e diagnosticou o perfil daqueles que têm maiores dificuldades em enfrentar tal fase e, muitas vezes, além de tentar suicídio, chegam ao ato final e tiram suas próprias vidas. “Então, muitas vezes, quando o adolescente está determinado a se matar, ele dá sinais de desespero, de angústia e cabe aos adultos, aos profissionais da saúde, assim como também aos profissionais do ensino, detectarem alguma alteração no seu comportamento, buscando uma aproximação. O que parece é que o adolescente, em muitas circunstâncias, está muito sozinho”,...