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Uma visão histórica do impacto da criação do SUS no acesso, custo e qualidade da saúde no país

Ana Beatriz Romeiro da Silva graduanda em Ciências e Biotecnologia, Universidade Federal Fluminense (UFF) Poucas políticas públicas brasileiras impactaram de forma tão profunda o cotidiano da população quanto o Sistema Único de Saúde (SUS). Instituído pela Constituição de 1988 e regulamentado em 1990, o SUS representa um dos maiores avanços da história da saúde pública no país ao estabelecer a saúde como um direito universal. Antes, o acesso à assistência médica era limitado e profundamente desigual , condicionado ao vínculo formal de trabalho ou à caridade de instituições filantrópicas. A maioria dos serviços de saúde estava restrita aos trabalhadores formais vinculados à previdência social. Pessoas sem emprego com carteira assinada ficavam à margem do sistema público e precisavam pagar por consultas, exames e medicamentos ou depender de ações assistenciais pontuais. Na prática, isso significava adiar diagnósticos, abandonar tratamentos e procurar atendimento apenas em situações emer...

O que não fazer antes de morrer

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Curtir a vida nunca exigiu tanto esforço. Desde que Dave Freeman e Neil Teplica publicaram o livro Cem Coisas para Fazer Antes de Morrer, em 1999, listas do tipo vêm criando um sem-fim de obrigações a ser cumpridas antes que soe a hora final. Tem até uma lista dos cinqüenta peixes a ser pescados. Freeman morreu em agosto, de acidente (aos 47 anos e tendo completado metade da lista), mas legou a permanente sensação de que sempre falta fazer alguma coisa importante. Para amenizarem a frustração, três livros recentes listam o que não fazer antes de morrer. Os títulos, claro, não variam muito: 101 Coisas para Não Fazer Antes de Morrer, do americano Robert Harris, Não Ligo a Mínima – 101 Coisas para Não Fazer Antes de Morrer, do inglês Richard Wilson, e Cai Fora! 103 Coisas para Não Fazer Antes de Morrer, do inglês Sam Jordison . "Eu, que ainda não cheguei aos 40 an...

Excesso de pesca ameaça 80% das espécies mais exploradas do Brasil

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O mar no Brasil não está para peixe. Cerca de 80% das espécies economicamente exploradas no país estão ameaçadas pela sobrepesca, ou seja, estão sendo pescadas além da sua capacidade de regeneração. O alerta faz parte do relatório “ À deriva — um panorama dos mares brasileiros ”. A reportagem é de Carlos Albuquerque e publicada pelo jornal O Globo , 08-10-2008. Elaborado pelo Greenpeace , com a ajuda de 40 especialistas, o documento lista outros problemas relacionados ao bioma marinho, como a escassez de áreas de conservação (apenas 0,4% de toda a costa brasileira encontra-se protegida), e cobra das autoridades uma política nacional para os oceanos. — É extremamente importante termos uma política nacional para os oceanos para, entre outras coisas, gerar recursos para a conservação — afirma Ilana Wainer , professora do Instituto Oceanográfic...

O massacre de Tlateloco. 40 anos depois

No dia 2 de outubro foi lembrado o massacre que o governo mexicano levou a cabo há quatro décadas, na Praça das Três Culturas, de Tlatelolco , para terminar abruptamente o Movimento Estudantil-Popular, de 1968. Esse foi um dos crimes de Estado mais aterradores que se registram na história do México contemporâneo. O artigo é de Gilberto López y Rivas, publicado no jornal mexicano La Jornada, 03-10-2008. A tradução é de Moisés Sbardelotto. O ataque contra uma multidão pacífica e indefesa foi realizado com todos os agravantes da lei: premeditação, aleivosia e vantagem, e nele o Exército uniformizado e sem uniforme, isto é, o grupo paramilitar denominado Batalhão Olímpia e os franco-atiradores posicionados nos terraços dos edifícios próximos, os diversos corpos policiais e de inteligência da época participaram como autores materiais. Os autores intelectuais m...

'Enquanto falamos, mulheres são violentadas'

“O pior para mulheres que foram estupradas e tiveram maridos assassinados na guerra é serem discriminadas pela própria população”, diz a médica Monika Hauser , que acaba de receber o Right Livelihood Award (RLA), conhecido como Nobel alternativo, e que em 1993 fundou a ONG “Medica Mondiale”. A reportagem e a entrevista é de Graça Magalhães-Ruether e publicada pelo jornal O Globo , 05-10-2008. Eis a entrevista. O que significa receber o Nobel alternativo? Significa um grande reconhecimento para poder continuar com o meu trabalho de ajuda às vitimas da violência sexual. Estou de viagem para o Kosovo, onde encontrarei mulheres que ajudamos desde o final da guerra. Seus maridos foram presos e assassinados e elas, estupradas por soldados sérvios. Ainda hoje muitas sofrem com o trauma psicológico e com a escassez material. Depois de acompanharmos as mulheres psicologicamente, iniciamos um programa p...

'Sadia e Aracruz especularam', acusa Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou ontem duas das maiores empresas exportadoras brasileiras de “especulação contra a moeda brasileira”. Em campanha em São Bernardo do Campo, apoiando o candidato do PT à prefeitura, Luiz Marinho, foi questionado sobre os prejuízos sofridos pela Aracruz e Sadia no mercado de câmbio , que somaram R$ 2,71 bilhões. O presidente afirmou que as perdas não foram conseqüência da crise financeira internacional. A reportagem é de Joaquim Alessi e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 05-10-2008. “Não foi por causa da crise, mas da especulação. Essas empresas vinham especulando contra a moeda brasileira. Vinham praticando, por ganância, uma especulação nada recomendável”, declarou Lula. Ele voltou a defender que a economia brasileira vai bem, apesar da crise. Aracruz e Sadia foram procuradas, mas não quiseram se pronunciar...

Brasil desenvolve soro antiveneno de abelha

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por IGOR ZOLNERKEVIC, colaborador da Folha Mais do que causar inchaço e muita dor, uma ferroada de abelha pode matar. Pesquisadores brasileiros esperam desde agosto para testar em humanos o primeiro soro no mundo capaz de neutralizar veneno de abelha. Só precisam agora que as vítimas se apresentem no Hospital Vital Brazil e no Hospital das Clínicas, ambos em São Paulo. O projeto de produção do soro envolve mais de dez pesquisadores da Unesp, da USP, do Incor e Instituto Butantan e já custou R$ 2 milhões. "Acreditamos que o soro sirva para a maioria das abelhas melíferas do mundo", disse o bioquímico Mário Palma, da Unesp, coordenador do projeto. Palma explicou que uma única espécie de abelha, a Apis mellifera, predomina em três quartos do planeta. Portanto, se o antídoto passar nos testes, terá exportação garantida. O projeto começou em 2005, depois que um estu...

A literatura que bebe da fonte bíblica

“Sua riqueza metafórica e imagística e sua capacidade narrativa foram alcançadas bem poucas vezes na tradição literária universal”, diz o escritor Marcelo Backes , vendo a Bíblia como uma das grandes obras literárias do mundo. Backes acaba de ministrar uma palestra sobre a relação da Bíblia com literatura na Casa do Saber , em São Paulo. A IHU On-Line conversou com ele sobre essa ligação e também sobre o uso e interpretação que outras obras e importantes escritores fazem da Bíblia. Assim, ele fala do pensamento, por exemplo, de José Saramago , que se considera ateu e comunista, mas, em um de seus principais livros, trata da vida de Jesus. “A problematização do maior ‘herói’ da cristandade é uma das grandes virtudes do romance de Saramago . Herói que, aliás, já na Bíblia se apresenta humano”, relata Backes . A entrevist...