Há 40 anos, o homem pisava no solo lunar

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por John Noble Wilford, do NYT

Em 20 de julho de 1969, quando eram 21h56min20s na sede da Nasa (agência espacial dos EUA) em Houston, no Texas, Neil Armstrong saltou da escada do módulo lunar da Apollo 11 para a superfície da Lua. Suas primeiras palavras: “Este é um pequeno passo para homem, um gigantesco salto para a humanidade”. Ele supostamente quis dizer “um pequeno passo para um homem”, mas o segundo “um” se perdeu por causa da estática, ou talvez ele o tenha esquecido em meio à sua compreensível excitação.

Armstrong testou o terreno e concluiu que poderia se deslocar facilmente com o seu volumoso traje espacial branco e com sua pesada mochila, sob a influência da gravidade lunar, que deixa tudo com cerca de um sexto do peso que tem na Terra. Após 19 minutos, ele recebeu a companhia de outro astronauta, Edwin Aldrin Jr.. Ambos imediatamente instalaram uma câmera de TV longe da nave, para que as pessoas na Terra pudessem ter uma visão mais ampla da paisagem lunar e das operações deles.

Anos depois, o terceiro tripulante, Michael Collins, que permaneceu na órbita lunar no módulo de comando da Apollo 11 enquanto Armstrong e Aldrin passeavam na Lua, se lembraria da turnê mundial que os astronautas fizeram depois da missão. Ele se sentiu tocado não tanto pela adulação, mas pelo fato de que as pessoas sentiam ter participado do pouso também. No documentário “Na Sombra da Lua” (2007), Collins afirmou: “Em vez de as pessoas dizerem ‘Bem, vocês, americanos, conseguiram’, em todo lugar elas diziam: ‘Nós conseguimos!’. Nós, a humanidade; nós, a raça humana; nós, as pessoas, conseguimos!”.

Ocorreu-me, quando eu cobria o pouso para o “New York Times” em Houston, que se Cristóvão Colombo ou o capitão James Cook estivessem vivos eles ficariam menos maravilhados com o fato de dois homens pisarem na Lua do que com o fato de que milhões de pessoas no mundo todo assistissem a cada passo simultaneamente. A exploração é antiga, mas a telecomunicação instantânea é nova e maravilhosa.

Em apenas 1,3 segundo, tempo que as ondas de rádio levam para viajar os 383 mil quilômetros da Lua à Terra, cada passo de Armstrong e Aldrin era visto, e suas vozes eram ouvidas no mundo que eles haviam deixado para trás. Ao contrário de descobertas de explorações anteriores, o mundo inteiro compartilhava esse momento.

Durante sua caminhada lunar de 2 horas e 21 minutos, os astronautas fincaram uma bandeira norte-americana, instalaram três instrumentos científicos para coletar dados nos meses seguintes à sua partida e apanharam amostras de rochas e do solo.

Aldrin, a certa altura, descreveu os saltos de canguru resultantes da sua movimentação em meio à fraca gravidade lunar. “Às vezes é preciso dois ou três passos para garantir que seus pés estejam sob você. E uns dois ou três, talvez quatro, passos tranquilos podem fazê-lo parar de forma bastante suave.”

Os astronautas fizeram uma pausa para receber um telefonema da Casa Branca. “Por causa do que vocês fizeram, os céus se tornaram uma parte do mundo do homem”, disse-lhes o então presidente dos EUA, Richard Nixon.

No ano anterior ao primeiro pouso, uma outra missão partira para circunavegar a Lua pela primeira vez. O voo da Apollo 8 ocorreu ao final de um dos anos mais turbulentos da história norte-americana. Em 1968, o país estava dividido e desmoralizado.

A oposição à guerra do Vietnã havia obrigado o presidente Lyndon Johnson a desistir de disputar um novo mandato. O pastor Martin Luther King fora assassinado em Memphis, no Tennessee, uma tragédia que desencadeou uma onda de saques e incêndios em várias cidades. O luto e a fúria mal tinham sido aplacados quando Robert Kennedy foi abatido por outro assassino, em Los Angeles.

Pelo que me lembro, ninguém no poder defendeu seriamente o cancelamento ou adiamento da missão Apollo. Mas, em meio a uma guerra no exterior e a uma profunda inquietação doméstica, ir à Lua perdeu espaço na lista de prioridades da opinião pública. Chocou-me pensar que, neste clima, as primeiras viagens humanas à Lua poderiam virar irrelevâncias.

Egoísta, eu queria que a história fosse tão grande e admirável quanto eu imaginava que seria quando assumi a tarefa. Queria que o mesmo país que havia decidido ir à Lua ficasse aliviado e encantando quando finalmente conseguíssemos.

A Apollo 8 provou-se uma inspiração neste momento crucial. Os astronautas Frank Borman, James Lovell Jr. e William Anders voaram até a Lua e a circularam dez vezes a menos de 100 km da superfície.

Na quarta órbita, quando a Apollo emergia por detrás da Lua, Borman, o comandante, exclamou: “Oh, meu Deus! Veja aquela imagem ali! Eis a Terra aparecendo. Uau, isso é bonito!”.

Essa imagem motivou o poeta Archibald MacLeish a escrever no “New York Times”: “Ver a Terra como ela realmente é, pequena e azul e bela naquele eterno silêncio em que flutua, é ver-nos como viajantes juntos sobre a Terra, irmãos nesse brilhante afeto em meio ao frio eterno —irmãos que agora se sabem realmente irmãos”.

A Nasa depois divulgou fotos que os astronautas tiraram do “nascer da Terra”. Elas eram ainda mais inspiradoras e intimidadoras. A revista “Time” encerrou o turbulento ano com a foto do “nascer da Terra” em sua capa, acompanhada por uma legenda de uma só palavra: “Alvorada”.

No livro “Earthrise: How Man First Saw the Earth” (“Nascer da Terra: como o homem viu a Terra pela primeira vez”, 2008), Robert Poole argumenta que a foto foi o nascimento espiritual do movimento ambientalista, “o momento em que o sentimento da era espacial deixou de ser o que ela significava para o espaço para ser o que significa para a Terra”.
Outra surpresa da Apollo 8 estava preparada pelos astronautas. Na noite de Natal de 1968, em uma de suas últimas órbitas, Anders anunciou: “A tripulação da Apollo 8 tem uma mensagem que gostaríamos de enviar a vocês”. Enquanto uma câmera focava a Lua pela janela da nave, Anders leu trechos do Livro do Gênesis.

“No princípio, criou Deus os céus e a terra. A terra era sem forma, e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo”, começou ele.

Lovell então recitou: “E Deus chamou à luz dia, e às trevas noite”. E Borman concluiu a leitura: “Chamou Deus ao elemento seco terra, e ao ajuntamento das águas mares. E viu Deus que isso era bom”. O astronauta então se despediu: “Boa noite, boa sorte, um feliz Natal, e que Deus abençoe a todos vocês —todos vocês na boa Terra”. Ainda hoje, a Apollo 8 é conhecida como o voo do Gênesis.

O caráter de inclusão dessas experiências foi notável, dadas as origens da corrida espacial numa atmosfera de medo e beligerância.

Tudo começou com o alarme do Sputnik em 1957, quando a União Soviética lançou sua primeira nave, dando ensejo a vigorosos esforços dos EUA no campo da ciência e tecnologia. Seguiu-se o desafio do presidente John Kennedy à nação, em 1961, de levar astronautas à Lua até o final daquela década.

Olhando para trás, 3 das 9 missões lunares Apollo se destacam das demais por terem sido experiências especialmente emotivas.

A Apollo 11 fez história. O ousado compromisso de Kennedy fora cumprido, e quem estava vivo jamais esqueceu onde estava e o que sentiu quando os humanos andaram sobre a Lua pela primeira vez. A Apollo 13 foi um suspense épico desencadeando-se em tempo real para uma audiência global. Três astronautas se depararam com o desastre, enfrentaram a morte e voltaram a duras penas para a segurança de seus lares. E a Apollo 8, primeiro voo de humanos além da órbita terrestre baixa, recuperou a magnitude da aventura de alcançar a Lua.

Collins, encarregado da comunicação com a cápsula no Controle de Missão da Apollo 8, disse que a essência daquele voo era partir, enquanto a da Apollo 11 era chegar. “Olhando para trás daqui a cem anos, o que é mais importante: a ideia de que as pessoas deixaram seu planeta ou a ideia de que as pessoas chegaram a um satélite vizinho?”, perguntou-se ele. “Não tenho certeza, mas acho que provavelmente você diria que a Apollo 8 foi mais significativa do que a Apollo 11, embora hoje em dia consideremos a Apollo 11 como sendo o troféu e o auge do programa Apollo, e com razão.”

Na lembrança, após todo este tempo, a Apollo 11 resiste a ser relegada para o tempo pretérito. Nas primeiras horas de 16 de julho de 1969, o ar de verão na Flórida está quente quando nos dirigimos a uma luz à distância. Seu brilho sobrenatural toma conta do céu acima de nós, mas, estranhamente, deixa a terra onde estamos em uma escuridão.
Após o primeiro posto de controle, onde guardas do Centro Espacial Kennedy inspecionam nossas credenciais, a fonte da luz se torna visível. Fortes feixes de xenônio convergem sobre a plataforma 39A, salientando o poderoso foguete Saturn 5 sendo abastecido.

Alguns quilômetros depois, outro posto de controle, e Doug Dederer, colaborador do “New York Times”, e eu nos aproximamos do Edifício de Montagem de Veículos, uma presença gigantesca que se eleva acima do terreno plano de areia, palmeiras e lagoas que se estende até o Atlântico.

Ao longo de um acostamento, se estende uma fila de trailers dos grandes veículos de comunicação e os imponentes estúdios das três grandes redes de TV. No trailer do “New York Times”, Doug e eu descarregamos o carro. Ligamos o ar-condicionado e enchemos a geladeira com sanduíches e latas de refrigerante. Colocamos nas tomadas pequenos televisores e um telefone e abrimos os manuais da nave espacial e os kits de imprensa sobre uma mesa. Eu tento dormir um pouco.

Com as primeiras luzes da alvorada, os três astronautas da Apollo 11 se dirigem do seu alojamento para a plataforma de lançamento. Tudo está no prazo para a partida às 9h32. Jack King, “a voz da Apollo”, entoa a contagem regressiva final —“5, 4, 3”. Ignição. Uma chama laranja e uma fumaça escura surgem dos enormes escapamentos na base do Saturn 5. O foguete hesita, contido por pesados braços de aço. “2, 1”, prossegue King. “Decolamos.”

Com aceleração máxima, e sem amarras, a nave de 3.463 toneladas se contorce para superar a gravidade, e por um ou dois aflitivos segundos parece estar perdendo a briga. Então, e mesmo assim lentamente, ela sobe e supera a torre.
Só agora o ruído dos motores alcança o centro de imprensa. As explosões reverberam no peito e sacodem o chão. A experiência é visceral, o Saturn mexendo o solo e nos dando adeus. Os viajantes espaciais já estão sobre o oceano, deixando um rastro de fogo e vapor, no seu caminho para a Lua.

A Apollo 11, na prática, encerrou a corrida espacial. Os russos, abatidos por fracassos nos testes dos seus foguetes para grandes cargas, jamais tentaram um voo tripulado para a Lua, voltando-se em vez disso para voos de longa duração em órbita baixa.

Os astronautas americanos fizeram mais seis viagens à Lua, todas bem-sucedidas, excetuando-se a malfadada Apollo 13. Mas o interesse da opinião pública estava diminuindo. As pessoas pareciam sentir que uma batalha da Guerra Fria fora vencida, então tragam os meninos de volta para casa.

Ao final de 1972, os últimos dos 12 homens a terem caminhado na Lua arrumaram suas bagagens e regressaram à Terra. O futuro incerto dos voos espaciais tripulados ofuscou as celebrações em Houston.

Na conclusão daquele voo, o Apollo 17, solicitei a historiadores uma avaliação sobre a importância desses primeiros anos no espaço. Arthur Schlesinger Jr. previu que dentro de 500 anos o século 20 provavelmente será lembrado principalmente pelas aventuras da humanidade além do seu planeta natal. Ao final do século, ele não havia mudado de ideia.
Foi breve a corrida espacial —12 anos entre o Sputnik e a primeira caminhada lunar—, ainda que emocionante, perturbadora e às vezes até magnífica. Ninguém jamais regressou à Lua desde 1972.

Mesmo assim, as viagens espaciais atualmente estão incrustadas na nossa cultura, a ponto de muitas vezes serem consideradas algo banal —situação muito diferente dos velhos tempos em que o mundo segurava a respiração por causa das primeiras missões Mercury de Alan Shepard e John Glenn e assistia, extasiado, às imagens vindas da Lua em julho de 1969. Isso é passado: hoje em dia, nenhum astronauta é famoso, embora o tráfego espacial seja intenso e tenha se tornado parte da vida moderna.

Raramente nos passa pela cabeça que nossas vozes e mensagens de texto sejam transportadas sobre continentes e oceanos via satélites. Nosso clima e os efeitos do aquecimento global são monitorados a partir do espaço. Nossas notícias, inclusive as reportagens sobre as missões dos astronautas, agora relegadas às páginas menos nobres, são disseminadas pelo espaço. Vemos as imagens espetaculares do planeta Saturno e das profundezas cósmicas pensando menos em como foram obtidas e mais na sua beleza e no seu eterno mistério.

Os EUA agora embarcaram em um programa de levar novamente astronautas à Lua até 2020, para estabelecer uma presença de pesquisas mais permanente por lá e preparar um futuro voo humano para Marte. Mas, sem a motivação da Guerra Fria, esse esforço carece da verba e do mandato político que favoreceram a Apollo. Outra empreitada da magnitude da Apollo é, num futuro previsível, inimaginável.

Algum dia, porém, um grupo de viajantes espaciais poderá realizar uma peregrinação ao local do pouso da Apollo 11 no mar da Tranquilidade, uma ampla bacia que é uma mancha na face direita da Lua, conforme se vê da Terra em noites claras. O acampamento, conhecido como Base da Tranquilidade, deve estar como Armstrong e Aldrin o deixaram. As mudanças são lentas num lugar árido e sem ar como a Lua, e, exceto por alguma chuva de meteoritos, a bandeira norte-americana e a base do módulo lunar devem ter aspecto de novos. E as pegadas das botas dos astronautas ainda devem parecer frescas na camada de poeira cinzenta.

Por um breve período, quando os voos espaciais eram uma novidade excitante, adotamos os astronautas como heróis que assumem riscos para alcançar metas grandiosas. Na época, acreditávamos mais em heróis, pessoas que refletem aquilo que consideramos admirável na humanidade, que nos inspiram a pelo menos nos empenhar para fazer jus a alguma imagem ideal.

Apenas quatro anos antes do Sputnik, Edmund Hillary e Tenzing Norgay eram celebrados como heróis por darem o último “salto gigantesco para a humanidade” das gerações pré-era espacial. Sua escalada até o topo do monte Everest culminou uma era de cruzar oceanos, penetrar nos interiores continentais e alcançar os confins da Terra. Eles demarcaram uma divisão nas explorações entre as iniciativas mais individuais de antanho e os esforços coletivos maiores que foram mobilizados para desafiar novas fronteiras das conquistas.

No lado de cá desta divisão, heróis em potencial se perdem em meio a uma multidão de colaboradores e são ofuscados pela tecnologia que lhes ajuda. Mesmo a incrível tecnologia, tão prontamente domesticada para o trabalho e a casa, rapidamente parece banal demais para ser notável. Nossos laptops têm uma capacidade maior do que qualquer um dos computadores no Projeto Apollo.

Neil Armstrong ficou com a última palavra. “Acho que sempre estaremos no espaço”, disse ele numa entrevista em 2001 para o programa de história oral da agência espacial norte-americana. “Mas vamos demorar mais para fazer coisas novas do que os defensores disso gostariam, e em alguns casos serão necessários fatores ou forças externos que não conseguimos controlar e que não podemos prever, que irão fazer as coisas acontecerem ou não.”

Armstrong então bateu numa tecla que ressoa junto a seus contemporâneos, o que me inclui. Ele e sua tripulação da Apollo 11 nasceram no mesmo ano, 1930, três anos antes de mim; tínhamos a idade certa na época e no lugar certos para participar de uma aventura singular na história, qualquer que seja o seu legado aos olhos das gerações posteriores.
“Fomos realmente muito privilegiados”, disse ele, “por viver naquela fina fatia de história na qual mudamos a forma como o homem vê a si mesmo, o que ele pode se tornar e para onde ele pode ir”.

Minoria ainda insiste que pousos foram forjados

por John Schwartez

Quarenta anos depois de homens terem pela primeira vez tocado o solo sem vida da Lua —e eles tocaram a Lua, sim. De verdade—, pesquisas de opinião continuam a indicar que cerca de 6% dos americanos acreditam que os pousos foram forjados e não podem ter acontecido. A série de pousos lunares teria sido uma fraude sofisticada perpetrada para promover o orgulho nacional, sugerem muitas dessas pessoas.

Elas examinam fotos das missões em busca de sinais de manipulação das imagens e afirmam poder ver que a bandeira americana estava tremulando, no que supostamente deveria ter sido o vazio do espaço. A tese é que foi tudo uma conspiração.

E, embora não existam evidências dignas de crédito que fundamentem essas opiniões, e a pura e simples improbabilidade de que uma conspiração tão imensa pudesse ser tramada e mantida em segredo por quatro décadas desafie a imaginação, os negadores continuam a lançar acusações até hoje. Eles são reforçados por filmes como “A Funny Thing Happened on the Way to the Moon” (Uma coisa engraçada aconteceu a caminho da Lua), de Bart Sibrel, cineasta de Nashville.

“Há pessoas inteligentes e normais que acreditam nessas teorias conspiratórias”, disse Philip Plait, astrônomo e escritor que rebate os teóricos da conspiração em seu site “Bad Astronomy”. No site www.clavius.org, um esforço grupal é feito para desmascarar a teoria da conspiração.

Embora as evidências apresentadas pelos teóricos da conspiração possam ser desmentidas, disse Plait, para compreender as provas pode ser preciso possuir conhecimentos básicos de história, fotografia, da ciência e sua metodologia. “É preciso aplicar-se um pouco para entender as provas”, disse ele. “E a maioria das pessoas não se dá a esse trabalho. E é assim que essas coisas ganham influência.” Sibrel, que vende seus filmes on-line, já perseguiu astronautas do Apollo, armado de uma Bíblia, exigindo que jurassem diante da câmera que já caminharam sobre a Lua. Em 2002, ele irritou Buzz Aldrin, o segundo homem a ter pisado na Lua, a tal ponto —emboscando-o e tachando-o de “covarde, mentiroso e ladrão”— que Aldrin lhe deu um soco no rosto.

Sibrel disse que seus esforços para provar que o homem nunca pôs os pés na Lua lhe vêm custando caro. “Sofri perseguição e prejuízo financeiro”, disse ele. “Perdi o direito de visitar meu filho. Fui expulso de igrejas. Tudo porque acredito que os pousos na Lua não aconteceram.”

O professor de sociologia Ted Goertzel, da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, estudou teóricos da conspiração e diz: “Acho que existe um tipo semelhante de lógica por trás de todos esses grupos”. Na maioria dos casos, disse, “eles não procuram comprovar que a visão deles está certa”, tanto quanto se esforçam para “encontrar falhas no que o outro lado está dizendo”.

O professor de direito Mark Fenster, da Universidade da Flórida, que já escreveu extensamente sobre teorias conspiratórias, diz que enxerga semelhanças entre pessoas que afirmam que os pousos na Lua nunca aconteceram e as que insistem que os atentados de 11 de Setembro foram planejados pelo governo. À base disso tudo, disse ele, há uma polarização tão profunda que as pessoas consideram “impossível acreditar” em quem está no poder.

A emergência da internet como meio de comunicação, ele observou, possibilita aos defensores dessas ideias, antes espalhados, encontrarem uns aos outros.

Adam Savage, astro do seriado de TV “Mythbusters” (Caçadores de Mitos), dedicou um episódio do programa em 2008 a desmontar as teorias sobre fraude nos pousos na Lua. Observou que os teóricos nunca desistem. “Eles rejeitam todas as evidências que não se encaixam em suas teses.”

Para aqueles que de fato foram à Lua, as teorias conspiratórias são simplesmente irritantes. “Se as pessoas decidem que vão negar os fatos da história e da ciência, não há muito que se pode fazer com elas”, disse Harrison Schmitt, piloto na última missão do Apollo.

> Inglês usou telescópio para ver a Lua antes de Galileu. (janeiro de 2009)

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