Contribuições das mulheres para a cartografia foram negligenciadas por muito tempo

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A cartografia tem sido tradicionalmente uma área dominada por homens, desde a projeção de Mercator do mundo no século XVI, passando por agrimensores como George Washington e Thomas Jefferson, que mapearam propriedades no século XVIII, até o desenvolvimento de sistemas de informação geográfica por Roger Tomlinson na década de 1960. A cartografia e os campos relacionados às tecnologias geoespaciais continuam sendo dominados por homens. Mas, como geógrafa e especialista em sistemas de informação geográfica, tenho observado como as oportunidades para mulheres como cartógrafas mudaram ao longo das últimas cinco décadas. O advento de tecnologias como os sistemas de informação geográfica aumentou as oportunidades de educação, emprego e pesquisa para mulheres, tornando a cartografia mais acessível. O cenário feminino As mulheres sempre foram essenciais para como as pessoas veem e compreendem o mundo. O conceito da Mãe Terra ou Mãe Natureza como centro do universo e fonte de toda a vida permeia...

Amazônia tem 11 áreas críticas de "sumiço" de aves (Folha)

Por Edurado Geraque

A diversidade das aves amazônicas sofrerá um irreversível impacto caso as projeções de destruição da floresta -que pode perder 35% de sua área até 2020-forem confirmadas. O mapa da destruição mostra que 59% do território das 11 áreas mais vulneráveis para os pássaros deixarão de ter mata nativa.
"Essas regiões são importantes para diferentes espécies. Muitos bichos têm uma distribuição restrita", disse à Folha o ornitólogo Mario Cohn-Haft, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).

passaro_cercocrama O levantamento -feito pelo cientista com o ecólogo Stuart Pimm da Universidade Columbia, de Nova York, e mais dois biólogos- também avalia quais aves especificamente devem receber atenção. Caso a previsão de 35% de desmatamento -feita por William Laurance em 2001- se torne realidade, oito espécies passarão a ser consideradas sob ameaça.

A lista mostra, por exemplo, que a choca-de-garganta-preta e o dançador-de-coroa-dourada, que vivem em terra firme, passariam à categoria de "criticamente ameaçados".

Duas espécies estudadas recentemente em Roraima pela pesquisadora Mariana Vale (Universidade de Duke) -primeira autora do trabalho feito agora, publicado na revista "Conservation Biology"- também entraram na lista de grupos impactados. Tanto o xororó-do-rio-branco quanto o joão-de-barba-grisalha, só estão relativamente protegidos agora porque habitam um "oásis" dentro da terra indígena Raposa/Serra do Sol.

Outras oito espécies terão uma perda de pelo menos 50% de seus habitats, indica o mapa feito a partir dos dados de distribuição das aves e do aumento do desmatamento. "São espécies, também, para ficarmos de olho", diz Cohn-Haft.
De acordo com o pesquisador, no caso da Amazônia, houve até uma visão conservadora na montagem dos mapas. "Nós usamos uma previsão amena de ritmo de desmatamento e também dados que mostram uma distribuição ampla das aves", disse o cientista.

Para o pesquisador do Inpa, muitas mudanças na ecologia das aves ainda vão ocorrer em território amazônico, o que vai piorar o quadro da destruição.
"Os estudos taxonômicos ainda vão mostrar que uma espécie, como é conhecida hoje, na verdade são várias. Nós, que trabalhamos no campo, sabemos muito bem disso", conta Cohn-Haft. Ou seja, o impacto quantitativo sobre as aves, quando essas várias espécies forem realmente separadas pelos cientistas, só vai aumentar.

Várzea mitológica

Um resultado inesperado no mapa de destruição das aves amazônicas é que as várzeas, áreas inundáveis, também estão incluídas entre as áreas mais vulneráveis ao desmate.

"As várzeas, ao contrário do que os pesquisadores imaginavam, não são tão imunes assim ao impacto ambiental". Por serem locais que já passam por alterações naturais grandes -alagam e secam todos os anos, por exemplo-, o senso comum, até hoje, dizia que elas não seriam tão frágeis.
O mapa feito agora mostra também que a vegetação das "savanas das Guianas", que ocupa boa parte do norte de Roraima, encolherá 73%.

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