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Aposentadoria desacelera o cérebro, revelam pesquisas


por Gina Kolata, do NYT

Os dois economistas deram a seu artigo o título de "Aposentadoria Mental", e as constatações que fizeram, baseadas em pesquisas nos Estados Unidos e em 12 países europeus, sugerem que, quando mais cedo as pessoas se aposentam, mais acelerado é o declínio de sua memória.

"É altamente interessante e instigante", disse Laura Cartensen, diretora do Centro de Longevidade da Universidade Stanford, na Califórnia. "Isso sugere que trabalhar proporciona um componente importante do ambiente que conserva as pessoas funcionando em nível ótimo."

O Japão e a Coreia do Sul começaram a fazer uma pesquisa sobre memória. China, Índia e países da América Latina planejam pesquisas semelhantes.

Embora nem todos estejam convencidos, vários pesquisadores respeitados dizem que o estudo "Aposentadoria Mental" representa, no mínimo, uma evidência interessante em favor de uma hipótese em que muitos acreditam, mas que é surpreendentemente difícil de demonstrar. Pesquisadores constatam repetidas vezes que aposentados tendem a não se sair tão bem em testes cognitivos quanto pessoas que ainda estão trabalhando. Mas, eles observam, isso pode acontecer, porque pessoas cuja memória e habilidades pensantes estão declinando podem ter probabilidade maior de aposentar-se que pessoas cujas habilidades cognitivas permanecem afiadas.

"Se você faz palavras-cruzadas, você ganha habilidade em fazer palavras-cruzadas", disse Lisa Berkman, diretora do Centro de Estudos de População e Desenvolvimento da Universidade Harvard. "Mas não fica mais apto em matéria de comportamentos cognitivos na vida."

Robert Willis, um dos autores do estudo e professor de economia da Universidade de Michigan, explica que o estudo foi possível, porque o Instituto Nacional do Envelhecimento iniciou um estudo nos EUA quase 20 anos atrás. Intitulada Estudo de Saúde e Aposentadoria, a pesquisa acompanha mais de 22 mil americanos com mais de 50 anos, submetendo-os a testes de memória de dois em dois anos.

Isso levou países europeus a iniciar suas pesquisas próprias, usando perguntas semelhantes para que os dados pudessem ser comparáveis. O teste analisa quão bem as pessoas conseguem recordar uma lista de dez substantivos imediatamente e dez minutos depois de tê-la ouvido. Os entrevistados nos EUA foram os que se saíram melhor, com escore médio de 11, de um máximo possível de 20.

Os da Dinamarca e Inglaterra vieram a seguir, com escores pouco superiores a 10, seguidos pela França (8), Itália (7) e Espanha (6). Os pesquisadores observaram que há diferenças grandes nas idades em que as pessoas se aposentam.

Nos EUA, na Inglaterra e na Dinamarca, onde as pessoas se aposentam em idade mais avançada, 65% a 70% dos entrevistados ainda trabalhavam quando estavam no início da casa dos 60 anos. Na França e Itália, essa cifra é de 10% a 20%, e na Espanha, 38%.

As diferenças nas idades de aposentadoria são decorrentes de incentivos econômicos. Os países onde as pessoas se aposentam mais cedo possuem políticas fiscais, pensões, pensões por invalidez e outras medidas que encorajam as pessoas a deixar a força de trabalho em idade mais jovem.

Os pesquisadores constataram que, quanto mais tempo as pessoas continuam a trabalhar, melhores são seus resultados nos testes quando chegam ao início da casa dos 60.

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