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Fumantes têm recuperação mais difícil quando adoecem


por Giovanni Guido Cerri, professor titular da Faculdade de Medicina da USP e diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. Artigo escrito para a Folha

Citar o cigarro sem lembrar os males que ele trás para a saúde das pessoas é praticamente impossível, principalmente quando olhamos para o desenvolvimento de certas doenças, como o câncer e os problemas cardiovasculares.

E as estatísticas confirmam a letalidade do vício do fumo: no Brasil, estima-se que cerca de 200 mil mortes por ano são em decorrência do cigarro. Os estudos mostram ainda que, além de estarem mais propensos ao desenvolvimento de doenças, os fumantes têm uma recuperação mais difícil, quando adoecem, dos que os não fumantes.

No caso do câncer, cerca de 30% das mortes causadas são atribuídas ao tabagismo. Um levantamento promovido pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (Icesp) apontou que, entre os pacientes ali internados, pelo menos um em cada quatro tem histórico de tabagismo.

O estudo foi realizado com 14,6 mil pessoas que passaram por tratamento no Icesp entre maio de 2008 e dezembro de 2009. Sem dúvida, é um dado alarmante e que deve estar sempre presente no pensamento da população, que recebe, constantemente, informações sobre os malefícios do cigarro.

E engana-se quem ainda pensa que o fumo está ligado apenas ao câncer de pulmão. O estudo citado apontou que os maiores índices de tabagismo foram encontrados entre os pacientes dos grupos de urologia e de cirurgia torácica, com 46% e 44% do total de pessoas atendidas, respectivamente.

Entre os homens, o índice é ainda mais assustador: dos atendidos pelo setor de cirurgia torácica, 61% eram fumantes. Trata-se de uma prova concreta de que o tabaco afeta todo o nosso organismo.

Não é apenas o fumante que tem consequências negativas pela exposição à fumaça do cigarro. Já foi demonstrado que quem convive com tabagistas têm entre 20% e 30% mais chances de desenvolver câncer de pulmão.

Por isso é tão importante celebrar o primeiro ano da Lei Antifumo, criada pelo governo do Estado de São Paulo e por sua Secretaria da Saúde. Nesse período, vistorias da Vigilância Sanitária Estadual e do Procon-SP mostram que mais de 99% dos estabelecimentos aderiram à lei, banindo o fumo e instalando avisos sobre a proibição.

Trata-se de uma vitória para a saúde pública do país, com consequente melhoria na qualidade de vida da população.

Pesquisas demonstram que mais de 80% da população aprova a iniciativa do governo do Estado em banir o cigarro dos ambientes fechados. E, apesar de sabermos como é difícil para os fumantes abandonarem o vício, a proibição, aliada às campanhas de conscientização e prevenção, representam um passo muito importante no combate ao tabagismo.

Tudo isso reforça a esperança de garantirmos uma vida mais saudável para a nossa população, pois, a cada dia sem o cigarro, o corpo recupera suas funções e, embora os efeitos causados por ele não desapareçam, os riscos de problemas decorrentes do vício do fumo diminuem significativamente.

Assim, poderemos, no futuro, ver o câncer em decorrência do tabaco começar a desaparecer.


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