sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Estudo mostra que ex-casados passam por piora na saúde física

Estudo sugere que o estresse físico da perda do cônjuge continua muito tempo depois que as feridas emocionais se curam

por Tara Parker-Pope, do New York Times

Pessoas casadas tendem a ser mais saudáveis que solteiros. O que acontece, porém, quando um casamento acaba?

Uma nova pesquisa mostra que, quando casados ficam solteiros, por divórcio ou morte do cônjuge, eles passam por uma piora na saúde física, da qual nunca se recuperam, mesmo se casarem novamente.

divorcio Em termos de saúde, não é melhor ter casado e se separado do que nunca ter se casado. Pessoas de meia-idade que nunca se casaram têm menos problemas de saúde crônicos do que divorciados ou viúvos.

Essas descobertas, feitas a partir de um estudo americano com 8.652 homens e mulheres na casa dos 50 e início dos 60 anos, sugerem que o estresse físico da perda do cônjuge continua muito tempo depois que as feridas emocionais se curam.

Isso não significa que as pessoas devam permanecer casadas a todo custo, mas mostra que o histórico conjugal é um importante indicador de saúde e que os recém-solteiros devem tomar cuidados especiais com o estresse e os exercícios físicos.

"Quando seu cônjuge está ficando doente ou perto de morrer ou seu casamento está piorando e perto de acabar, seu nível de estresse sobe bastante", diz Linda Waite, professora de sociologia da Universidade de Chicago e autora do estudo publicado na edição de setembro do "Journal of Health and Social Behavior". "Você não dorme bem, não consegue se exercitar, sua alimentação piora."

Os benefícios à saúde promovidos pelo casamento, documentados por várias pesquisas, parecem surgir de vários fatores. Pessoas casadas tendem a estar numa situação financeira melhor e podem desfrutar dos benefícios de saúde do empregador do cônjuge. As mulheres, em particular, atuam como guardiãs da saúde do marido, agendando consultas e notando mudanças que podem sinalizar um problema de saúde.

No estudo, entre as pessoas estudadas, mais da metade ainda estava casada com o primeiro cônjuge. Cerca de 40% tinham se divorciado ou enviuvado -sendo que metade desse grupo tinha se casado novamente. E 4% jamais se casaram.

No geral, homens e mulheres que passaram por um divórcio ou pela morte de um cônjuge apresentaram 20% mais problemas crônicos de saúde, como doenças cardíacas, diabetes e câncer, em comparação aos que sempre estiveram casados.

Apesar de novos casamentos terem melhorado a saúde, a maioria dos casados que viraram solteiros nunca se recuperou completamente das pioras ligadas à perda do cônjuge.

O estudo não prova que a perda de um casamento causa problemas de saúde, mas confirma que ambos estão associados. Pode ser que as pessoas que não se exercitam, se alimentam mal e não conseguem administrar o estresse também são aquelas com maior tendência ao divórcio. Ainda assim, pesquisadores notam, pelo fato de esses efeitos serem observados tanto em divorciados quanto em viúvos, que os dados sugerem uma relação causal.

Conflitos

Cientistas da Universidade de Ohio estudaram a relação entre conflitos conjugais e respostas imunológicas. Os pesquisadores recrutaram homens e mulheres casados, que foram submetidos a um aparelho de sucção que deixava oito pequenas bolhas no braço. Os casais então participaram de vários tipos de discussão (algumas positivas e outras focadas num assunto conflituoso).

Após um conflito conjugal, as feridas levaram um dia a mais para se curar. Entre os casais com altos níveis de hostilidade, a cura da ferida levou dois dias a mais. "Se você não pode consertar um casamento, é melhor sair dele", diz a autora do estudo, Janice Kiecolt-Glaser.

> Não precisa casar. Sozinho é melhor. (junho de 2008)

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