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Como se concentrar em meio a tantas distrações

Abra mão do mito do "multitasking" para levar uma "vida focada"

por John Tierney, para o New York Times

foco Imagine que você deixou seu laptop de lado e desligou seu celular. Você está fora do alcance do YouTube, do Facebook, do e-mail e das mensagens de texto. Está sentado num táxi com um exemplar de "Rapt" (Extasiado), um guia de Winifred Gallagher à ciência do prestar atenção.

O tema do livro, que Gallagher escolheu depois de descobrir que sofria de um tumor maligno, é inspirado no psicólogo William James: "Minha experiência é aquilo ao qual concordo em prestar atenção". Você pode levar uma vida infeliz, focando sua atenção nos problemas. Pode se levar à loucura, tentando realizar tarefas múltiplas ao mesmo tempo e responder a todos os e-mails imediatamente.

Ou, então, pode reconhecer a capacidade finita de processar informações que tem seu cérebro e conquistar as satisfações do que Gallagher descreve como a vida focada. Soa atraente, só que, enquanto você está sentado no táxi, lendo sobre a ciência do prestar atenção, você percebe que não está prestando atenção a uma única palavra do que está na página.

A TV do táxi, que não pode ser desligada, está mostrando um comercial sobre um sujeito num táxi trabalhando num laptop -e, enquanto ele conta como seu novo cartão wireless tornou mais produtivo o percurso no táxi, você não consegue fazer nada de produtivo durante o seu próprio trajeto.

Será que ainda há, em algum lugar, um refúgio realista da idade da distração? Fiz essas perguntas a Gallagher e a um dos especialistas citados em seu livro, o neurocientista Robert Desimone, do Massachusetts Institute of Technology. Desimone vem rastreando as ondas cerebrais de símios do gênero macacus e de humanos, enquanto olham para telas de vídeo, à procura de determinados padrões que vão e vêm em flash.

Quando uma coisa iluminada ou nova pisca, ela tende a automaticamente vencer a disputa pela atenção do cérebro, mas esse impulso involuntário pode ser superado voluntariamente por meio de um processo que Desimone chama de "competição enviesada".

Ele e alguns de seus colegas descobriram que neurônios no córtex pré-frontal -o centro de planejamento do cérebro- começam a oscilar em uníssono, criando ondas gama, e enviam sinais direcionando o córtex visual a prestar atenção a outra coisa.

Para Desimone, uma terapia desse tipo pode ajudar pessoas que sofrem de esquizofrenia ou déficit de atenção, com menos efeitos colaterais que medicamentos. Se pudesse ser feita com uma luz de baixo comprimento de onda, que penetrasse o crânio, seria possível simplesmente colocar (ou tirar) um minúsculo aparelho sem fios.

Depois que descobriu como é difícil para o cérebro deixar de prestar atenção a sons, Gallagher começou a levar tampões de ouvidos em sua bolsa. Quando você está preso num metrô barulhento, disse, precisa construir seu próprio "abrigo" contra os estímulos. Gallagher recomenda às pessoas iniciar o dia de trabalho concentrando-se sobre a tarefa mais importante do dia durante 90 minutos. Depois disso, seu córtex pré-frontal provavelmente precisará de um descanso. É o momento em que você pode responder e-mails, retornar telefonemas e tomar uma bebida com cafeína (que de fato auxilia a atenção), antes de voltar a focar no trabalho. Mas, até esse primeiro "recreio", não se deixe distrair, porque depois de uma interrupção o cérebro pode levar 20 minutos para ser "reiniciado".

"O multitasking é um mito", disse Gallagher. "Não é possível fazer duas coisas ao mesmo tempo. O mecanismo da atenção é a seleção: ou uma coisa ou outra." E prossegue: "A atenção é um recurso finito, como o dinheiro. Você quer investir seu dinheiro cognitivo mandando mensagens pelo Twitter, navegando na internet ou assistindo à TV? Fazemos escolhas constantes, e nossas escolhas determinam nossa experiência".

Gallagher contou que quando se tratou do câncer, há alguns anos, conseguiu se manter relativamente bem humorada, guardando em mente o mantra de William James e também um verso de John Milton: "A mente é seu próprio lugar, e, sozinha / é capaz de converter o céu em inferno ou o inferno em céu".

"Dizia a mim mesma: 'Você quer ficar deitada aqui, prestando atenção às grandes chances de que você vá morrer e deixar seus filhos sem mãe, ou quer se levantar, lavar o rosto e prestar atenção a seu trabalho, sua família e seus amigos?'. Céu ou inferno -a escolha é sua", disse.

Comentários

  1. Ótimo artigo. Me estimula a me concentrar mais depois depois de ler matérias como esta. Obrigado!

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