Via Láctea é maior do que se pensava, sugere novo mapa

 

Da AP

Andrômeda que se cuide. Durante décadas, os astrônomos pensaram que a Via Láctea, galáxia que abriga o Sistema Solar, fosse uma irmã menor de Andrômeda, a galáxia vizinha. Isso acaba de mudar.

A Via Láctea é consideravelmente maior, mais pesada e gira mais depressa do que os pesquisadores imaginavam. Um mapa tridimensional mais detalhado da galáxia mostrou que ela é 15% mais larga. E, o mais importante, também é 50% mais densa. As novas medidas foram apresentadas ontem na convenção da Associação Astronômica Americana.

É uma diferença significativa, disse Mark Reid, astrônomo do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, em Cambridge (EUA), autor da medição. O cientista dá as próprias medidas como exemplo: é como se ele saísse dos seus atuais 1,65 m e 65 kg para 1,90 m e 95 kg. "Antes nós achávamos que Andrômeda fosse dominante e que nós [a Via Láctea] fôssemos sua irmãzinha menor", disse Reid. "Mas agora parece que somos gêmeas fraternas."

Isso não é necessariamente uma boa notícia. Uma Via Láctea maior e mais densa exerceria uma atração gravitacional maior, e poderia se chocar com Andrômeda mais cedo e de forma mais violenta do que o previsto. Mas não se preocupe: ainda assim, isso seria daqui a 2 bilhões ou 3 bilhões de anos.

Reid e seus colegas usaram um grande conjunto de dez radiotelescópios para medir as estrelas recém-nascidas mais brilhantes da galáxia em momentos diferentes do ano (ou seja, em posições diferentes da órbita da Terra ao redor do Sol). Eles fizeram um mapa dessas estrelas, levando em conta não só sua posição inicial mas também o tempo -algo que, segundo Reid, nunca havia sido feito.

Com isso, o grupo conseguiu determinar a velocidade com a qual a espiral da Via Láctea gira em torno de seu núcleo. Essa velocidade -cerca de 915 mil quilômetros por hora- é maior que os 792 mil quilômetros por hora que os cientistas vinham usando havia décadas. É um salto de 15% na velocidade radial, disse Reid.

Uma vez que a velocidade foi determinada, fórmulas complexas foram usadas para calcular a massa de toda a matéria escura da Via Láctea, o que deu a massa final da galáxia -a matéria escura, que não pode ser vista, é responsável pela maior parte da massa do Universo.

Segundo o astrofísico Mark Morris, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, o trabalho "faz sentido", mas ainda não é a palavra final sobre o tamanho da Via Láctea.

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