Para promotor, assassinato de Isabella não foi premeditado (Estadão)


Cembranelli deve receber inquérito hoje; parecer sobre prisão preventiva sai na semana que vem

Laura Diniz e Bruno Tavares

“Não foi premeditado”, disse ontem o promotor Francisco Cembranelli (foto) sobre o que teria levado ao assassinato da menina Isabella de Oliveira Nardoni, de 5 anos. Ele destacou a discussão de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá minutos antes do crime, que teria sido relatada por vizinhos. “Houve uma situação que desencadeou aquele triste episódio (a morte da garota).”

O promotor deve receber hoje as 1.200 páginas, divididas em seis volumes, com todas as informações do inquérito policial: o relatório sobre o caso, o pedido de prisão preventiva do casal e uma representação para que ele denuncie ambos à Justiça por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, uso de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima).

A expectativa era de enviar os autos ontem ao 2º Tribunal do Júri, no Fórum de Santana, mas os delegados Calixto Calil Filho e Renata Helena Pontes, do 9º DP (Carandiru), passaram o dia revisando o texto.

Cembranelli confirmou ontem que a polícia deve requerer a custódia cautelar do casal, mas não quis adiantar se endossará ou não o pedido. Sobre a suposta consulta do CPF de Alexandre, apesar da negativa de uma rede hoteleira, o promotor disse que esse é um “detalhe importante” no caso, dando a entender que poderia pesar no pedido de prisão preventiva, assim como a alteração do local do crime.

Quando o inquérito chegar ao Fórum, Cembranelli terá 15 dias para decidir se apresenta denúncia contra o casal ou se opina pelo arquivamento do inquérito. Ele pretende estudar o caso durante o feriado e dar seu parecer na segunda ou na terça-feira. O promotor deve manifestar-se, ao mesmo tempo, sobre o pedido de prisão e o oferecimento da denúncia.


HOMENAGENS

Duas missas, realizadas ontem à noite, lembraram o primeiro mês da morte de Isabella. Na Igreja Nossa Senhora da Candelária, na Vila Maria, zona norte, havia cerca de 100 pessoas, numa celebração que teria sido pedida pela avó materna, Rosa. Já na Paróquia São Francisco Xavier, no Jardim Japão, estavam ela, a mãe, amigos e outros parentes.

A segunda igreja estava lotada. Muitas pessoas usavam camisetas com a foto de Isabella. Os parentes não permitiram a entrada da imprensa. Ana Carolina Cunha de Oliveira, de 24 anos, mãe de Isabella, passou toda a celebração abatida e amparada pela família. Na saída da cerimônia, os parentes se dispersaram em silêncio e evitaram comentar o caso.

Já na Vila Maria, a maioria das pessoas que compareceram à missa não conhecia a família. Comovidas com o caso, elas vieram de várias partes da cidade. Foi o caso de Isabella de Araújo, de 5 anos, que foi à igreja com a avó, Magali Morangon. Elas são da Vila Maria. “Nós viemos porque minha neta insistiu muito. Agora ela pôs na cabeça que estudou com a outra Isabella e fica dizendo que eram amigas.”

Vivian Milena, de 26 anos, foi à cerimônia com o marido e os filhos, um menino de 5 anos e uma menina de 3. “Por ter filhos pequenos, parece que o caso foi comigo. Mesmo não conhecendo a família é como se eles fossem próximos.”

Várias pessoas também escolheram a data para visitar o túmulo de Isabella, no Cemitério Parque dos Pinheiros, no Jaçanã. A empresária Flávia Araújo de Almeida, de 33 anos, amiga da mãe, estava entre os visitantes. “Temos uma opinião sobre o caso, mas a Justiça é muito falha.” Flávia, que afirmou que a família da mãe da menina ainda está em choque, chorou após colocar um vaso de flores sobre o túmulo de Isabella. “Ela era linda.” (COLABOROU LAÍS CATASSINI)


30 DIAS DE INVESTIGAÇÃO

29/3
A noite do crime
Isabella Nardoni, de 5 anos, morre após cair do 6.º andar do prédio onde morava o pai, Alexandre Nardoni, a madrasta, Anna Carolina Jatobá, e dois filhos do casal. A tela da janela estava cortada

30/3
A versão do pai
Alexandre diz acreditar que, enquanto deixou a filha dormindo, alguém entrou no apartamento. Não há sinal de arrombamento

31/3
Sinais de asfixia
O IML constata que Isabella foi asfixiada antes de cair

1/4
Vizinhos depõem
Vizinhos dizem ter ouvido gritos de “Pára, pai!” momentos antes de Isabella ser encontrada morta. Advogados contestam

3/4
Pai e madrasta presos
O casal é preso temporariamente,diz que é inocente e divulga cartas declarando amor à menina.

4/4
Contradição
O promotor Francisco Cembranelli vê contradições nos depoimentos do casal. Peritos e legistas concluem que Isabella apanhou

8/4
Pai usava mesma roupa
Imagens feitas em um supermercado de Guarulhos, onde a família fez compras no dia do crime, revelam que Alexandre não trocou de roupa após a morte da filha

10/4
Ligações rastreadas
Registros telefônicos mostram que foi um vizinho quem chamou o resgate. A primeira ligação do casal foi para o pai de Anna

11/4
Livres
O casal é libertado da prisão

15/4
Náilon na roupa
Peritos do IC encontram partículas de náilon compatível com o da tela de proteção na roupa que Alexandre usava na noite do crime

16/4
Suspeita da mãe
A divulgação do depoimento da mãe de Isabella revela que ela acredita que o casal possa ter envolvimento no crime. A perícia afirma que sangue no apartamento e no lençol era de Isabella

18/4
Indiciados
Após prestar depoimento, o casal é indiciado por homicídio triplamente qualificado. Peritos afirmam que menina já chegou ferida ao apartamento e que Alexandre a jogou pela janela - as marcas da tela ficaram em sua camiseta

20/4
Choro na TV
Em entrevista à TV Globo, o casal diz que é inocente, reafirma que uma terceira pessoa matou Isabella e chora diante das câmeras

22/04
Polícia desacelera
Após a defesa ameaçar acionar a Corregedoria da Polícia Civil - laudos usados no interrogatório não foram mostrados aos advogados -, a polícia adia fim do inquérito e marca a reconstituição

27/04
Reconstituição
Sem a presença do casal, a perícia se convence de que não havia um terceiro elemento - o assassino teria apenas 5 minutos para agir sem ser flagrado

29/04
Expectativa
A polícia esperava concluir o inquérito, apontando Alexandre e Anna como autores do crime

> Surgem "furos" no inquérito do assassinato de Isabella.

> Caso Isabella.

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