Deputadas e senadoras criticam colega que chamou Dilma de 'galinha cacarejadora' (O Globo)

por Maria Lima - O Globo

BRASILIA - Um grupo de deputadas e senadoras organizou nesta terça-feira um protesto contra o senador Mão Santa (PMDB-PI), que na semana passada chamou a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, de "galinha cacarejadora". Carregando uma galinha empalhada e uma boneca artesanal, o grupo deixou surpresa a diretora da biblioteca do Senado, Simone Bastos, ao adentrar o local.

- O que vocês gostariam que a biblioteca fizesse? Por que a biblioteca? - quis saber Simone Bastos.

A deputada Jô Moraes (PcdoB-MG) leu um manifesto que teria sido enviado por mulheres do Vale do Jequitinhonha (MG), pedindo que as peças fossem expostas na Biblioteca como fonte de consulta para que Mão Santa pudesse, conceitualmente, saber a diferença entre uma galinha e uma mulher.

- Vamos ver se agora o senador Mão Santa aprende o que é uma mulher - bradava a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA).

Da biblioteca foram ao plenário do Senado, onde coube a senadora Fátima Cleide (PT-RO) interromper a discussão sobre a instalação da CPI do Cartão Corporativo para ler o manifesto. Mão Santa reagiu, lendo trechos de uma entrevista de Lula dada à revista Playboy, em 1976, onde ele citava Hitler como um dos homens que admirava. O senador Tião Viana (PT-AC) não gostou e disse que aquilo era uma "molecagem".

- Então é molecagem, Tião Viana, está aqui, na Playboy. Eu fiz foi uma análise política e não retiro uma palavra. E já repassei à corregedoria as centenas de e-mails que recebi de mulheres me apoiando. Não quis ofendê-las. Amo as mulheres e eu as beijarei todas - respondeu Mão Santa, dizendo que foi professor de biologia e fisiologia, e que sabe bem a diferença de uma mulher e uma galinha.

Heráclito Fortes (DEM-PI) não perdeu a oportunidade de alfinetar as mulheres:

- Quer dizer que, para se solidarizar e tomar as dores da ministra Dilma, a Secretaria da Mulher e as deputadas rapidamente organizaram um manifesto contra o senador Mão Santa! Mas por que não tiveram a mesma agilidade para condenar e acudir aquela pobre menina que ficou quase um mês sendo violentada numa cadeia no Pará?

Nesta quarta o comitê de deputadas e senadoras vai ao Planalto se reunir com Dilma para se solidarizar com ela.

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