Cafetina diz ter 'prestado serviço' a ex-governador (Estadão)

Segundo brasileira, ela intermediou encontros entre modelos e Spitzer, levado à renúncia por escândalo

Marcelo Auler, VITÓRIA

O ex-governador de Nova York, Eliot Spitzer, que deixou o cargo depois que seu relacionamento com uma prostituta foi descoberto também recorreu aos “serviços profissionais” da cafetina brasileira Andréia Schwartz, de 33 anos, que chegou sábado ao País. Numa entrevista, ontem, por telefone, Andréia admitiu ter intermediado o encontro do ex-governador com modelos. Cópias dos e-mails trocados entre os dois, segundo ela, foram recolhidas pela polícia dos EUA em seu apartamento. “Levaram-me tudo, até fotos do início da minha carreira de modelo. Vim para o Brasil sem nem mesmo calcinha para trocar”, afirma.

A capixaba nega que explorasse a prostituição em Nova York, acusação pela qual foi condenada. Segundo explicou, apenas agenciava modelos “apresentando”as garotas para “gente de poder” - entre eles, bilionários e assessores de políticos importantes como os do ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani. “Isso é diferente de dizer ‘eu tenho aqui a Adriana e a Carla - e quero vender’”, diz Andréia. “Eu nunca ganhei dinheiro nenhum, porque não era cafetina.” Em outro trecho da entrevista, porém, Andréia faz um comentário sobre Spitzer que dá a entender que ela teve algum envolvimento com a atividade de exploração sexual: “Disseram-me que ele é um pouco estranho e gosta de ver outros casais juntos”, conta.

Andréia diz que foi denunciada por prostituição e porte de drogas porque estava fazendo muito “sucesso” no mercado. “Eles estavam preocupados porque uma estrangeira com green card provisório estava crescendo muito rápido”, diz, acrescentando que ganharia US$ 5 milhões por ter se associado a um grupo de italianos que pretendia comprar um andar de um hotel.

O porte de drogas, segundo ela, teria sido uma montagem.“A polícia plantou drogas na minha casa em 2006, quando eu fui presa”, diz. “A minha casa era muito bem freqüentada. Nesse dia havia 12 pessoas, incluindo a produtora do Fantástico Marta Nóbrega. Um policial à paisana plantou as drogas.”

A brasileira também negou ter denunciado conhecidos a policiais e promotores americanos para melhorar a sua situação. Ela diz que recebeu propostas que a permitiriam ganhar uma nova identidade e até dinheiro, mas recusou todas elas. “Eles queriam me oferecer mais dinheiro para que eu delatasse todo tipo de pessoa envolvida em crimes ou qualquer outra coisa - o governador, policiais corruptos”, disse Andréia.“Inventaram aquela história que eu tinha ficado lá (nos EUA) por causa da investigação do governador(...) Eu não toquei no governador. Não precisava disso.”



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