CGU só revela despesas de 68 dos 150 cartões da Presidência (Estadão)

82 servidores que trabalham no Palácio do Planalto tiveram gastos omitidos pelo Portal da Transparência

Sônia Filgueiras

A Presidência da República tem pelo menos 150 cartões corporativos, conforme levantamento obtido pelo Estado. Juntos, os titulares desses cartões gastaram no ano passado R$ 6,2 milhões. Do grupo, apenas 68 servidores tiveram suas despesas divulgadas no Portal da Transparência, mantido pela Controladoria-Geral da União (CGU) na internet. Ou seja, cerca de 80 funcionários ligados à Presidência realizaram despesas que foram omitidas no site.

Os servidores cujos nomes e despesas não são divulgados no portal gastaram, conforme o levantamento, R$ 5,3 milhões ao longo de 2007, sendo que R$ 1,4 milhão foi sacado em espécie.

A farra dos cartões corporativos já derrubou uma ministra. Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial, pediu demissão na sexta-feira, 19 dias depois de o Estado ter revelado que ela foi a campeã de gastos com o cartão. No sábado, o ministro do Esporte, Orlando Silva, anunciou a devolução de cerca de R$ 31 mil também gastos com o cartão.

Na lista dos funcionários da Presidência da República divulgada no portal estão dois servidores que fizeram compras quase integralmente em São Bernardo do Campo (SP), onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem residência. Nessa relação está também o tenente-coronel de Infantaria Rawlinson Souza, ajudante-de-ordens do gabinete da Presidência. Ele gastou R$ 5,1 mil com papelaria e compras em supermercados em 2007.

O portal traz ainda os gastos realizados por dois militares destacados para fazer a segurança da filha do presidente Lula, Lurian Cordeiro Lula da Silva, em Florianópolis (SC). Um deles, João Roberto Fernandes Júnior, usou o cartão corporativo para pagar despesas em lojas de materiais de construção, autopeças, ferragens, supermercados e postos de gasolina. Entre abril e dezembro do ano passado, foram gastos R$ 55 mil, como divulgou ontem o jornal Folha de S. Paulo.

ASSESSORA

Laisy Moriere Assunção, outro nome que aparece no portal, é assessora da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. De acordo com a secretaria, ela é responsável pela administração dos gastos de viagem da ministra Nilcéa Freire. A ministra gastou R$ 2,4 mil em 2007 no cartão registrado em nome de Laisy com hotéis e alimentação. Segundo a secretaria, ela utiliza uma assessora para registrar suas despesas por orientação da própria Presidência.

Ao contrário de alguns ministros, Nilcéa não utiliza contas do “tipo B” (em nome de um funcionário que emite cheques e recebe os depósitos). Para a CGU, essas são as mais difíceis de rastrear e serão extintas, conforme anunciado na quinta-feira pelo ministro Jorge Hage. Assim como saques em espécie realizados por intermédio de cartões e despesas classificadas como sigilosas, gastos feitos por meio das contas “tipo B” não estão detalhados pela CGU.

Incluídas as despesas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), de acordo com os dados do portal, a Presidência da República gastou R$ 16 milhões entre janeiro e os primeiros dias de dezembro de 2007. O número abrange ainda gastos do Fundo Nacional Antidrogas, da CGU, da Radiobrás e das secretarias especiais. Desses, R$ 15,26 milhões são classificados como sigilosos “para garantia da segurança da sociedade e do Estado”.

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