Briga entre a Globo e bispo Edir Macedo atingiu o auge em 1995, com chute em santa

Do Estado de S.Paulo de 28 de setembro de 2007:

Globo alimentou repercussão do ataque de ‘bispo’ a imagem de N. Senhora

Lilian Carmona

Desde que a Record foi adquirida pelo “bispo” Edir Macedo, da Igreja Universal, observa-se uma cerrada disputa entre ela e a Rede Globo. Nesse embate, que vai além da disputa por audiência, um dos episódios mais conhecidos foi o do chamado “ chute na santa”, em 1995.

No dia 12 de outubro, data em que os católicos celebram Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil, um dos principais pregadores da Record, o “bispo” Sérgio Von Helde chutou e deu socos em uma imagem de gesso da santa, durante os programas Despertar da Fé e Palavra da Vida, da TV Record.

A intenção era criticar a ligação dos católicos com as imagens de santos - fato inaceitável para as igrejas evangélicas. Mas ele provocou uma comoção no País de maioria católica, alimentada em grande parte por reportagens da Globo.

Von Helde foi indiciado na Justiça por ofensa à fé alheia e templos da Universal foram atacados em diversas cidade. Macedo pediu desculpas públicas aos católicos, ao mesmo tempo em que iniciou uma guinada nos rumos da TV, reduzindo o número de programas religiosos.

Naquele mesmo ano, a Record tornou-se a terceira rede de TV do País. Em setembro, a Globo exibiu a minissérie Decadência, na qual o ator Edson Celulari interpretava um “bispo” corrupto e devasso. Sentindo-se atingido, Edir Macedo usou seus programas na emissora para protestar.

Em dezembro, novo embate e nova onda de indignação: a TV Globo divulgou uma fita em que Edir Macedo ensinava a pastores truques para arrancar dinheiro de fiéis.

Em 1998, a Globo acusou a Record de usar imagens da câmera de seu helicóptero durante a cobertura do enterro do cantor Leandro. No mesmo ano, a Record reclamou que estava sendo injustiçada, pois a concorrente conseguira uma entrevista com Francisco de Assis Pereira, conhecido como o maníaco do parque, e ela tivera seu pedido negado pelo juiz.

Em 1997, a Record já tinha deixado a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), alegando que era controlada pela Globo. Em 2002, numa reação a notícias de que o governo preparava operação de salvamento da Globo Cabo, com recursos do BNDESPar, a emissora de Edir Macedo e outras concorrentes voltaram a apontar favorecimento.

Essa questão virou foco de conflito de novo em 2004, com o anúncio do programa de financiamento do BNDES para empresas de mídia eletrônica e impressa. Globo e Bandeirantes defenderam a proposta, mas Record, SBT e Rede TV criticaram, alegando que os recursos para pagamento de dívidas ajudariam principalmente a Globo.

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