‘O feminismo às vezes é o pior inimigo das mulheres’

Do IHU Online

Carrie Lukas (foto) não é uma feminista típica. Por uma razão: ela acredita que os objetivos originais do feminismo – igualdade de direitos e de salários – já foram realizados. E agora, como evidenciado em seu mais recente livro, "The Politically Incorrect Guide to Women, Sex, and Feminism" [O guia politicamente incorreto sobre mulheres, sexo e feminismo], Lukas vai muito além da ortodoxia feminista, defendendo que o próprio feminismo é, muitas vezes, o pior inimigo das mulheres no que se refere à conquista de autonomia.

Bernard Chapin, da revista norte-americana Salvoconversou com a autora e vice-presidente de política e economia do Independent Women's Forum sobre o que o verdadeiro empoderamento feminino acarreta. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A entrevista:

Carrie_LukasSeu livro é um volume da coleção "Politically Incorrect Guide" da editora Regnery. Primeiro, o que você diria àqueles que disputam se a retidão política ainda existe?

Eu lhes diria que eles não estiveram em um campus universitário há muito tempo! Qualquer pessoa familiarizada com a academia sabe que dentro dela algumas coisas simplesmente não são consideradas como tópicos apropriados para discussão. Pense no que aconteceu com Larry Summers, o ex-presidente de Harvard: ele simplesmente mencionou a possibilidade de que diferenças inatas poderiam explicar parcialmente por que há tão poucas mulheres nas ciências exatas com relação aos homens. Ele foi censurado pela faculdade de Harvard e no fim perdeu o seu emprego. A retidão política definitivamente não é um mito.

No começo do seu livro, você defende que as mulheres foram as perdedoras da revolução sexual. Como?

Durante a revolução sexual, muitas feministas levantaram a ideia de que as mulheres e os homens são a mesma coisa no que se refere à sexualidade. Basicamente, elas defendiam que as convenções sociais que tornaram a castidade das mulheres mais valiosa do que a dos homens foram ferramentas do patriarcado para proibir que as mulheres se divertissem. Mas a verdade é que as mulheres são muito diferentes dos homens no que se refere ao sexo. Em primeiro lugar, as mulheres são mais vulneráveis sexualmente às consequências do sexo: nós não apenas ficamos grávidas, mas as mulheres também têm mais probabilidade de contrair doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), e muitas DSTs têm consequências mais sérias para as mulheres. As mulheres também são mais vulneráveis emocionalmente. As mulheres liberam hormônios diferentes dos homens durante o sexo, o que faz com que o sexo casual seja mais difícil para as mulheres.

Vemos no capítulo "Fertility Facts" [Fatos sobre fertilidade] que muitas mulheres estão bem confusas no que se refere à sua própria biologia. Isso se deve ao fato de serem iludidas pela mídia?

Eu não acho que a mídia tenha pretendido confundir propositalmente as mulheres sobre a sua biologia, mas eu penso que, definitivamente, as mulheres muitas vezes têm a impressão errada do que ouvem e leem. Por exemplo, às vezes lemos histórias sobre uma mulher de 50 anos que deu a luz a um filho ou sobre uma celebridade que têm filhos bem tarde. O que essas notícias não mencionam são as medidas extremas que ajudaram essas mulheres a ficar grávidas. Há tratamentos de fertilização que certamente podem tratar de alguns problemas, mas é importante que as mulheres saibam que eles muitas vezes têm um custo e que não são infalíveis.

No capítulo "The Myth of Having It All" [O mito de se ter tudo], você examina por que algumas mulheres foram enganadas – ou se enganaram – com relação a pensar que podem ter tanto uma carreira quanto uma família forte. Essas expectativas são o resultado da nossa cultura que promove ativamente a supremacia feminina?

Certamente, grande parte da nossa cultura cria expectativas irreais e um sentido de direito de posse. Mas o problema que as mulheres enfrentam é que nós, muitas vezes, temos desejos conflitantes. Eu conversei com diversas universitárias durante a produção do meu livro, e foi muito comum que essas jovens inteligentes e ambiciosas me contassem que esperavam ser mães de tempo integral e CEOs de grandes empresas. Agora, eu não estou dizendo que nenhuma mulher pode realizar esses dois objetivos, mas ela terá muitas dificuldades para fazer isso. Geralmente, as aulas de "estudos femininos" e os grupos como o NOW [National Organization for Women] fazem com que pareça que o problema da mulher de enfrentar o equilíbrio entre trabalho e família é causado por más políticas públicas ou por homens que não querem fazer a sua parte no trabalho de casa. Mas o problema real é simplesmente uma consequência do ser humano: não podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo, e há apenas 24 horas em um dia. Isso significa que vamos enfrentar decisões difíceis e sacrifícios reais quando dividirmos o nosso tempo.

Você é uma forte defensora do casamento. Entretanto, à luz do que o seu livro diz sobre o preconceito contra homens durante o divórcio e os procedimentos de custódia dos filhos, por que os homens médios ainda deveriam pensar em entrar no estado do matrimônio? Qual é a vantagem?

Os homens conseguem grandes benefícios no casamento. Assim como as mulheres, os homens são mais saudáveis, mais felizes, vão melhor financeiramente quando estão casados. E grande parte dos homens sabem disso. Muitas pessoas se surpreendem com o fato de que as mulheres são mais propensas a iniciar o divórcio do que os homens. Isso se deveria, em parte, à possibilidade de os homens perderem mais quando se divorciam – particularmente, o acesso considerável aos seus filhos. Tanto os homens quanto as mulheres precisam ouvir mais sobre os custos e as consequências do divórcio. Até antes de começar a pesquisar para o meu livro, eu não me dava conta de como as pessoas muitas vezes se arrependem de se divorciar. O divórcio pode parecer uma solução para um casamento infeliz, mas, quando as pessoas se divorciam, elas muitas vezes trocam um conjunto de problemas por outro.

Você sugere em seu livro que as mulheres que não se casam com homens às vezes acabam se casando com o governo. Como é isso?

Esse é uma das formas primárias pelas quais grupos como o NOW realmente abandonaram o conceito de independência verdadeira para as mulheres. Eles querem libertar as mulheres de ter que depender de relações voluntárias – famílias e maridos –, mas querem que o Tio Sam cuide delas. Pense sobre isso: o NOW quer um sistema de saúde dirigido pelo governo, quer fundos governamentais para o cuidado da infância, mais regulações trabalhistas do governo e a expansão de benefícios do estado de bem estar social. O NOW se opõe às reformas econômicas que devolvem o controle aos indivíduos. Eles se opõem às contas pessoais no Social Security [a previdência norte-americana] e a escolha escolar, querem impostos mais altos. Em poucas palavras, eles querem que o governo controle mais e que os indivíduos controlem menos. Isso realmente não é independência.

> Feministas criticam a Igreja Católica por ser intransigente. (março de 2009)

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