Um jornal de referência nos Estados Unidos passa para a internet

Tradicional jornal norte-americano deixa de ser impresso para sobreviver. Outros jornais enfrentam crise com demissões. A reportagem é de David Alandete e publicada no El País, 30-10-2008. A tradução é do Cepat.

“Depois de 100 anos sendo vendido nas bancas, o jornal The Christian Science Monitor decidiu dar o passo que nenhum grande jornal norte-americano se atreveu a dar até agora. O papel cada vez está mais caro. As vendas estão baixando nas últimas décadas, situando-se em discretos 52.000 exemplares. A crise econômica reduziu drasticamente a publicidade. As perdas são milionárias. A solução, segundo os seus diretores, está em deixar as rotativas de lado e sobreviver na internet.

A partir de abril de 2009, o Monitor será apenas uma página na internet que apoiará uma revista impressa de fim de semana. Este é um passo a mais na insólita história de um jornal que se converteu numa referência contra qualquer prognóstico. Nasceu em 1908, criado pelo líder da Ciência Cristã, denominação protestante que nega os poderes curativos da medicina e confia em Deus como a única fonte de saúde.

Até agora, o jornal, que funciona como uma organização sem fins lucrativos, se financiou com as assinaturas. As assinaturas custam cerca de 210 dólares cada, por ano, e cobrem em torno de 50% dos gastos. A outra parte é financiada pela Ciência Cristã. “É uma situação insustentável”, disse John Yemma, diretor do jornal, numa entrevista para oThe New York Times. “Assim não se atinge a independência editorial. Queremos chegar a um modelo sustentável”.

A nova aventura digital do Monitor inclui uma edição do jornal para assinaturas, enviadas por correio eletrônico, de segunda a sexta-feira, em formato PDF. A idéia é que os leitores o leiam em seus computadores ou imprimam as suas seções favoritas, arcando eles mesmos com o custo da impressão, segundo anunciava o jornal em seu sítio. A transição também será traumática para alguns trabalhadores. A empresa anunciou que demitirá parte de seu plantel, formado por 95 jornalistas e fotógrafos. O corte será “modesto”, disse o diretor em um comunicado.

A empresa Gannet, editora do jornal USA Today, que com uma circulação de 2,2 milhões de exemplares é o mais vendido dos Estados unidos, também anunciou a demissão de 10% de seu plantel, cerca de 3.000 pessoas. Este corte não afetará diretamente os empregados do USA Today, mas os dos outros 84 jornais que a empresa possui, informa Bloomberg.”

> Editor do The New York Times já pensa em acabar com a edição impressa. (fevereiro de 2007)

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