Internet é ponto de encontro para "jovens fugitivos" (Folha Online)

"Eu quero fugir de casa", "Me ajude a fugir de casa", "Hoje eu vou fugir de casa". Esses são os nomes de algumas comunidades do Orkut utilizadas por centenas de jovens para trocar experiências sobre a vontade de escapar da família, da escola e da rotina adolescente. Seja por insegurança ou apenas para compartilhar experiências com pessoas da mesma idade, eles empregam a web para avaliar se "sumir" por um tempo vale mesmo a pena.

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Nos últimos dias, chamou atenção da imprensa a fuga das estudantes Giovanna Sant'Anna Silva (à direita, na foto), 15, e Ana Lívia Destefani, 16. Para achá-las, a polícia chegou a cogitar a análise das conversas das garotas pelo MSN. Desaparecidas havia uma semana, após saírem para ir ao cinema em São Paulo, elas foram localizadas em Curitibanos (296 km de Florianópolis).

"Pessoal, tenho 14 anos e estou a fim de fugir por uns tempos, quem se interessar na fuga me adiciona no msn", solicita um garoto em um dos numerosos fóruns dedicados ao tema. Rapidamente, recebe mais de dez respostas, com endereços de e-mails e MSN. "Não agüento mais a minha casa. Eu vou pirar", replicou uma garota, no mesmo tópico.

Para a psicóloga Andréa Jotta, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Psicologia e Informática da PUC-SP, os especialistas têm um "problema sério em ver a internet como vilã dessa história".

"O mundo virtual não é inócuo. Tem coisas boas e ruins, assim como o presencial, em que você pode encontrar ou traficante ou o padre, dependendo dos seus interesses". Segundo ela, os pais têm de se preocupar com a internet tanto quanto uma visita ao shopping.

"É muito importante estar atento ao grupo em que ele [o filho] anda, quem são essas pessoas. Os amigos nesse momento [adolescência] influenciam profundamente", afirmou à Folha Online Leila Cury Tardivo, professora doutora do Departamento de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo).

Há dezenas de comunidades no Orkut utilizadas por quem já quis ou ainda quer desaparecer da família. Mas há também casos de internautas desencorajando os adolescentes a sair de casa. No serviço Yahoo! Respostas, a pergunta "Tenho 15 anos e quero fugir de casa (...) o que eu faço?" ganhou uma enxurrada de negativas: "Não faça isso, não vale a pena", disseram os usuários.

"Na internet você acha todos os modos de pensar. Se você acha que fugir de casa é bom, vai achar gente que achou isso uma ótima experiência e recomenda, mas também vai achar gente que pede para você não fazer isso nunca. Tudo vai depender do que o adolescente busca", diz a psicóloga Andréa Jotta.

> Meninas da classe média fugiram porque estavam com tédio.

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