Para perícia, madrasta iniciou com chave agressões a Isabella (Agora)

Polícia Científica concluiu que Anna Jatobá foi a primeira a atingir menina na noite do crime, ainda dentro do carro

A defesa do casal afirmou que pode questionar provas técnicas apresentadas pela polícia depois que o inquérito virar processo


DO "AGORA"

A Polícia Científica concluiu que a madrasta de Isabella Nardoni, 5, foi a primeira a agredir a menina na noite do crime, em 29 de março. Segundo a perícia, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24, bateu na garota com uma chave tetra ainda no Ford Ka da família. A versão foi simulada anteontem.

Na recriação da cena, uma perita representando Anna Jatobá sentada no banco do passageiro agrediu com uma chave, usando o braço esquerdo, a boneca que representava Isabella. A boneca estava no lado esquerdo do banco traseiro. O irmão de um ano, segundo a simulação, estava em uma cadeirinha de bebê no meio do banco e o outro irmão, de três anos, do lado direito.

As marcas de sangue no carro reforçam a versão de que Isabella foi agredida com a chave, segundo a perícia. Há uma gota entre o banco do motorista e do passageiro, outra na parte de trás do banco do motorista e a última do lado direito de onde Isabella estava sentada.

Por estratégia da defesa, o casal Alexandre Nardoni e Anna Jatobá se recusou a comparecer anteontem à simulação. Com isso, os peritos trabalharam para reconstruir apenas a tese da polícia para o assassinato -de que Nardoni e Anna mataram a menina.

A defesa do casal afirmou ontem que pode questionar as provas técnicas apresentadas pela polícia após o inquérito se tornar processo. Desde o início das investigações, a defesa afirma que o casal é inocente.

A polícia diz que a agressão com a chave foi a primeira porque havia sangue no carro e, com exceção do ferimento na testa e das marcas de esganadura, não há outros sinais de violência. Os demais ferimentos foram causados pela queda.

A chave usada na suposta agressão seria a cópia, do apartamento, de Anna Jatobá. O objeto não foi encontrado pela polícia. No dia 1º deste mês, o advogado do casal Ricardo Martins disse à imprensa que a madrasta de Isabella perdeu um molho de chaves. Outro molho de chaves, que está no 9º DP (Carandiru) à disposição do casal, é de Alexandre Alves Nardoni, 29, pai de Isabella.

De acordo com a perícia, a família desceu do carro às 23h36min11s. Todos subiram juntos até o apartamento, de acordo com a simulação da polícia anteontem.

No apartamento, de acordo com a perícia, Nardoni teria levado Isabella no colo até o quarto dos irmãos. Anna Jatobá, então, teria esganado Isabella. Nardoni, por sua vez, teria cortado a rede protetora e atirado a menina. (ARTUR RODRIGUES)

Simulação indica que pai levou 3 min, após queda de Isabella, para achá-la no solo


KLEBER TOMAZ
DA REPORTAGEM LOCAL

Cerca de três minutos foi o tempo que Alexandre Nardoni levou entre a queda de Isabella e o momento em que a encontrou, já no solo, segundo concluíram peritos do IC (Instituto de Criminalística). A informação é baseada na simulação da cena do assassinato da menina, realizada no domingo.

Laudos do IC, obtidos pela Folha e que deverão ser apresentados amanhã pela polícia, vão reforçar a versão dos policiais responsáveis pela investigação do caso de que foi Nardoni quem a atirou pela janela do sexto andar do prédio.

Do barulho da queda, ouvido pelo porteiro, até a chegada do pai, vista por moradores, passaram três minutos, de acordo com a cronometragem feita por peritos durante a reconstrução simulada -como a perícia chamou a reconstituição.

Anna Carolina Jatobá, mulher de Nardoni e madrasta de Isabella, desceu um minuto depois do marido. A informação diverge do que o casal disse à polícia -de que desceu junto. O laudo sobre a cena do crime ficará pronto em dez dias.

Para a Polícia Civil, a informação reforça a tese de que Nardoni permaneceu no apartamento com Jatobá, ligando para parentes para questionar sobre como agir naquele caso.

De acordo com a perícia, um minuto é o tempo que o elevador leva para percorrer os 15 pavimentos do edifício London. Em sua defesa, o casal alega que alguém entrou no apartamento e atirou a menina.

Nos laudos, fotos mostram um perito com altura e peso semelhantes aos de Nardoni, com camiseta parecida com a que ele usava no dia do crime, simulando a queda de uma boneca de 25 kg -peso de Isabella. Essa simulação teve como base marcas da rede de proteção da janela na camiseta do pai.


Simulação foi ridícula, diz Antônio Nardoni, avô da menina

DA REPORTAGEM LOCAL

"Meio ridículo." Foi assim que o advogado Antonio Nardoni (foto), avô paterno de Isabella, classificou as cenas a que assistiu pela TV da simulação do assassinato da menina feita anteontem pela polícia.

Ele se referia em especial à parte da simulação em que os peritos cortaram a tela de proteção do quarto de onde Isabella foi jogada há um mês e colocaram uma boneca pendurada, para representar o corpo da menina assassinada.

"Para dizer que não assisti, eu vi o pedaço em que cortaram a rede. Que, na minha opinião, não teve nada a ver com o que a gente tinha da fotografia anterior. Foi meio ridículo. Também não deixaram cair a boneca porque, com certeza, cairia em outro lugar", afirmou ele. "Mas é uma posição da polícia que a gente entende. Eles têm que fazer o trabalho deles."

Alexandre Nardoni e Anna Jatobá e seus advogados não foram à simulação.
Antonio Nardoni rebateu ainda as conclusões de peritos do Instituto de Criminalística, segundo as quais as marcas na camiseta de Alexandre apontam que ele jogou a filha pela janela. "O cara [policial que representou o assassino na simulação] rasgou a rede quase toda. Mesmo assim, o sinal [marca da tela na camiseta] não ficaria do jeito que eles estão falando que ficou. Mas não analisei ainda."

O advogado Rogério Neres, um dos defensores do casal, não quis comentar a simulação. Afirmou que, com a conclusão das investigações, começa um novo trabalho. "Tudo o que foi produzido no inquérito policial, nas perícias e nos depoimentos pode ser submetido ao crivo do contraditório, em que a defesa pode questionar."

Os delegados do 9º DP (Carandiru) informaram ontem à Justiça terem obtido informações de um plano de saída de Alexandre e Anna Jatobá, possivelmente para Portugal.

Antonio Nardoni nega. "Ninguém vai sair do país, ninguém vai sair para lugar nenhum. Eles têm absoluta certeza de que são inocentes, e nós vamos levar isso até o final", diz. "Eles [polícia] têm que criar o fato para tentar justificar a decretação da prisão."

A polícia liberou ontem o apartamento do edifício London para a família Nardoni, assim como o Ford Ka do casal.

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