Google vai instalar servidor no País para combater pedofilia (Gazeta Mercantil)

São Paulo, 11 de Abril de 2008 - Para facilitar a investigação do Ministério Público sobre a pedofilia na internet, o Google vai instalar neste ano um servidor no Brasil para hospedar algumas páginas do Orkut brasileiro, mais popular site de relacionamento do País. A solução envolve softwares, hardwares e uma equipe no Brasil que será montada para atender às demandas da justiça brasileira com mais rapidez.

Atualmente, o servidor do Google que monitora a versão brasileira do Orkut fica nos Estados Unidos, o que dificulta as investigações no Brasil porque a lei americana manda apagar imediatamente fotos relacionadas à pedofilia, ou seja, quando a polícia brasileira solicitava as imagens para ajudar na identificação de criminosos , elas já tinham sido eliminadas nos EUA, de acordo com a lei local, bastante ferrenha em relação ao assunto. Com o servidor no Brasil, as fotos serão duplicadas: a do servidor americano continuará sendo apagada, mas a do Brasil será entregue à polícia quando for solicitada.

O presidente do Google Brasil, Alexandre Hohagen, foi intimado a depor anteontem, no Senado, em Brasília, na CPI da Pedofilia, criada para investigar crimes sexuais envolvendo crianças e adolescentes. Foi a primeira vez que a empresa detalhou as ações que vem realizando para combater o crime no Orkut.

O Google Brasil foi obrigado pelo Ministério Público a abrir o sigilo de 3.261 álbuns privados hospedados no Orkut sob suspeita de conterem material pornográfico (fotos, principalmente) retratando crianças e adolescentes. Assim que a ordem de justiça chegar, a empresa abrirá o sigilo desses álbuns. Segundo o Google, 0,4% das comunidades do Orkut são sobre pedofilia.

A empresa, que era acusada de se recusar a fornecer informações solicitadas pelo Ministério Público sobre usuários denunciados por pedofilia, vai disponibilizar também, em breve, um filtro para impedir que material impróprio seja carregado no Orkut. A tecnologia vai identificar material como fotos de viés pedófilos de crianças e adolescentes, que não irão para o ar.

A advogada Patrícia Peck, especialista em Direito Digital, defende o desbloqueio dos álbuns suspeitos. "Há situações em que se pode discutir se seria caso de liberdade de expressão, no entanto, a grande maioria das situações investigadas envolvem prática de crime indiscutível". Ela diz que a Constituição Federal de 1988, no mesmo artigo (5º., inc. IV) que garante a liberdade de expressão, proíbe o anonimato. "Desse modo, a apresentação de dados do perfil mediante ordem judicial não infringe privacidade, uma vez que é proibido o anonimato quando se precisa investigar a autoria", informa Patrícia.

Por conta da dor de cabeça criada pela questão da pedofilia, o Google chegou a estudar cancelar o site de relacionamento, que apesar de ser popular em alguns países, não traz lucros para a empresa. A filial brasileira, ciente da força do Orkut no País, teve importante papel na continuidade do site de relacionamento, que detém 60 milhões de usuários no mundo, dos quais 67,5% no Brasil (40,5 milhões), que lidera em associados, seguido pela Índia, com 15,4% (9,24 milhões). Nos Estados Unidos, sede do Google, são somente 500 mil usuários.

Segundo o diretor de relacionamento com agências de publicidade do Google Brasil, Marco Bebiano, um dos grandes desafios das empresas de tecnologia é como gerar receitas com as redes sociais. "Não existe uma resposta, todos estão à procura. A melhor forma será por banners? Textos? Vídeos?", questiona Bebiano.

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