A revolução Twitter

twitter Dias depois, o prefeito de São Francisco, Gavin Newsom, anunciou sua candidatura ao governo da Califórnia em 2010 via Twitter: ele tem 290 mil amigos ligados no serviço enquanto sua rival, a republicana Meg Whitman, ex-presidente da E-bay (site de leilões), tem apenas 940 (pontopara Newsom!).

E olha que N e w s o m nem chega perto do ator Ashton Kutcher, que bateu a poderosa CNN ao tornar-se o primeiro a ter 1 milhão de amigos no Twitter. O ator pediu doações pelo serviço para a campanha contra a malária e conseguiu levantar US$ 100 mil em um dia para o combate da doença na África. Sua mulher, a atriz Demi Moore, salvou uma garota que pretendia suicidar-se convocando sua rede de amigos pelo Twitter para ajudá-la. Todas essas histórias mostram o poder dessa pequena palavra inglesa de sete letras que está mudando o jeito de mobilizar pessoas.

— A maioria dos americanos acreditava que a malária estava erradicada e o sucesso da campanha de Kutcher se deve ao fato de que a mensagem é curta e requer engajamento rápido. Não acho que os americanos tenham concentração para ler mais do que uma frase ou duas de mensagem, que é o que o Twitter pede — avalia Derek Willis, da Universidade de Princeton.

O que é twitter? O verbo, em inglês, quer dizer gorjear (a fala dos passarinhos), ou falar rápido, rir em surdina. Como substantivo, significa excitação, tremor.

Na internet, é o nome de um site que permite a comunicação veloz entre amigos: quando você se inscreve no site, ele se apropria dos e-mails do seu grupo de amigos e habilita você a enviar a eles mensagens curtas de, no máximo, 140 caracteres, pelo computador ou pelo celular. O resultado é uma rede de mensagens instantâneas que se multiplica de forma exponencial.

Por isso, Natalia conseguiu mobilizar 20 mil pessoas em menos de 24 horas para protestar: seus amigos repassaram mensagens para outros e formaram a rede que mobilizou a multidão. Nos EUA, até Oprah Winfrey está inscrita no Twitter, e sua entrada aumentou em 43% o tráfego na rede, perdendo em audiência apenas para Barack Obama.

É claro que uma ferramenta eletrônica com tal poder e velocidade de mobilização não passou desapercebida de governos e políticos, que imaginam usá-la a seu favor.

Um exemplo? A viagem a Bagdá feita pelo diretor do Twitter, Jack Dorsey, a convite do Departamento de Estado dos EUA. Cada passo de Dorsey foi acompanhado, minuto a minuto, por milhares de pessoas, enquanto ele escrevia aos amigos (ou “seguidores”, na gíria do site): “Um monte de helicópteros.” “Encontro com o presidente do Iraque.” “Palácio maravilhoso...” A passagem de Dorsey teve como ponto alto uma conversa, na embaixada americana, com executivos do YouTube e do Google, também convidados a ir ao Iraque, sobre como “bombar” a comunicação entre soldados americanos e suas famílias, mesmo estando num país que ainda não consegue garantir 24 horas ininterruptas de eletricidade para seus habitantes.

Protegidos na Zona Verde da capital, eles tinham mais acesso a americanos do que aos iraquianos de Bagdá, que eles viram nas incursões pelo resto da cidade, garantidos por um forte esquema de segurança, além de capacetes e coletes à prova de balas. Dorsey saiu do Iraque com a decisão de aprimorar a tecnologia para fazer com que fosse ainda mais fácil para os iraquianos acessar o Twitter pelo celular, mas o objetivo do Departamento de Estado era muito claro: dar aos soldados americanos a sensação de estar mais perto de casa, usando toda a tecnologia disponível para criar uma rede semelhante à usada por Obama na campanha.

— Nosso projeto é facilitar cada vez mais o acesso ao Twitter, do computador ao celular, para que qualquer um possa acessar suas mensagens onde quer que esteja no mundo — disse Dorsey.

É claro também que os problemas começam a aparecer. É tão fácil inscrever-se no site que Maureen Dowd, a colunista do “New York Times” que já declarou detestar o Twitter, descobriu, indignada, que algum engraçadinho havia aberto uma inscrição usando seu nome. Maureen estava passando tweets a torto e a direito, sem saber… E aproveitou a entrevista que fez com os fundadores do serviço, Biz Stone a Evan Williams, para protestar contra o uso inapropriado de seu nome.

Segundo o Techcrunch, um serviço de medição de audiência pela internet, o Twitter chegou a 9,3 milhões de usuários nos EUA e a 19 milhões no mundo em março, tornando-se o site que mais cresce em audiência.

— Não resta dúvida de que novas tecnologias como o Twitter são um fenômeno de audiência entre os jovens e estão mudando a forma de fazer política. O Twitter deve seu sucesso à facilidade no uso e à rapidez fulminante das mensagens. Ainda tem muito a crescer em termos de audiência e não pode mais ser ignorado por políticos e empresários — analisa Andrew Kohut, presidente do Pew Research Institute, um dos maiores institutos de pesquisa de audiência nos EUA.

> Facebook, Twitter, MySpace: a construção do ‘eu’ (19 de abril de 2009)

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