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Mostrando postagens de Março 14, 2010

Santo Daime: a alucinação assassina

por Kalleo Coura e Renata Betti, de Veja No universo das tragédias, há as do tipo previsível e as que fulminam suas vítimas com a imprevisibilidade de um raio. O assassinato do cartunista Glauco Vilas Boas, de 53 anos, e de seu filho Raoni Ornellas Vilas Boas, de 25 anos, cometido por Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, certamente não pertence à primeira categoria. Cadu, como é conhecido o criminoso confesso, nasceu em uma família de classe média alta de São Paulo e estudou nas melhores escolas da capital paulista. Morava em bairro nobre, frequentava os bares da moda, ia a baladas de black music e, segundo a família, nunca havia demonstrado comportamento violento. Os avós, com quem ele morava, sabiam que o neto usava maconha ("Como fazem hoje em dia 90% dos jovens", disse Carlos Nunes Filho, o avô) e, embora lamentassem o fato de ele ter começado três faculdades sem terminar nenhuma (direito, artes visuais e gastronomia), não viam nisso mais do que uma indecisão em relação ao seu…

O direito ao suícido assistido

por Luciana Coelho, de Genebra, para a Folha
Suco de maçã, pede Craig Ewert, para amenizar o gosto dos barbitúricos que começa a tomar por um canudinho. Suas mãos não se movem mais, tolhidas pela doença neurodegenerativa. Ele precisa que alguém lhe sirva.
Mas sua voz é clara, e ele consegue engolir a solução de pentobarbital sódico.O quarto de decoração simples, algo melancólica, e a paisagem tacanha nada lembram o chalé à beira do lago escolhido pelo personagem de Rémy Girard para morrer no delicado "As Invasões Bárbaras", filme de Denys Arcand (2003).Deitado na cama enquanto a mulher, Mary, acaricia seus pés, Ewert escolheu estar ali. Escolheu morrer e, ativista até o minuto final, expor sua decisão ao diretor John Zaritsky. Os últimos dias do professor americano de 59 anos viraram o documentário "The Suicide Tourist" (O Turista Suicida), sobre o suicídio assistido.O ano em que Ewert morreu, 2006, foi o ano em que a associação suíça Dignitas mais trabalhou. …