quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Remédio ajuda a parar de fumar e beber ao mesmo tempo

da Agência USP

Alcoolistas que fumam têm mais dificuldade para parar de beber. Pensando nesse grupo, pesquisadores da USP estudaram o topiramato, droga usada para tratar enxaqueca e epilepsia, e verificaram que ele ajuda alcoolistas a fumar e beber menos — mesmo que não desejem interromper o fumo durante o tratamento contra álcool.

cigarro-acool “Muitos dos dependentes não querem parar as duas drogas ao mesmo tempo”, diz o psiquiatra Danilo Baltieri, responsável pela pesquisa. “Muitos aumentam o consumo de cigarro como forma de lidar com a abstinência de álcool, uma droga que consideram mais grave. É muito difícil parar as duas ao mesmo tempo”.

Baltieri comparou 155 homens alcoólatras, entre eles, 103 fumantes. Os dois grupos receberam ajuda para parar de beber e foram divididos em três subgrupos. Alguns receberam topiramato, outros uma droga chamada naltrexona e outros, placebo — uma pílula igual às outras, mas feita com amido, sem nenhum princípio ativo.

Menos cigarros

Os homens que tomaram topiramato passaram a consumir 40% menos cigarros, em média. Já os que tomaram naltrexona e a pílula de amido reduziram em 10% o número de cigarros. Todos os grupos fumaram menos mesmo sem nenhuma orientação sobre como parar de fumar, porque, com o tratamento, beberam menos.

Depois, os pesquisadores compararam os resultados do tratamento entre fumantes e não fumantes. Os fumantes bebiam mais e tinham um risco 65% maior de recaída. O resultado confirma pesquisas anteriores. O consumo de álcool estimula o tabagismo e vice-versa.

“O álcool e a nicotina atuam juntos”, diz Baltieri. “O álcool é geralmente inibidor e a nicotina excitatória”. No entanto, a redução de cigarros no grupo que ingeriu topiramato foi significante, e não simplesmente relacionada com a diminuição do consumo de bebida.

O topiramato é uma medicação que controla a impulsividade e a ansiedade. Ele age no cérebro, bloqueando a ação de uma substância chamada glutamato, relacionada com os sintomas de abstinência do álcool. Assim, ela também controla a vontade de voltar a beber e fumar.

“Devido a isso, é tentador teorizar que o topiramato tenha efeitos anti-fumo entre alcoolistas fumantes ajude a reduzir o consumo de cigarros entre alcoolistas”, dizem os autores em seu estudo. Segundo Baltieri, os pesquisadores ainda precisam de mais certeza sobre os efeitos anti-fumo do topiramato.

Tratamento

Já se sabia que o topiramato pode ajudar a tratar o tabagismo e o alcoolismo, mas o estudo de Baltieri é o terceiro no mundo a verificar que a medicação pode ajudar nas duas dependências ao mesmo tempo. Não há um procedimento padrão para combater os dois vícios simultaneamente. “A possibilidade de que um tratamento farmacológico possa ser desenhado para tratar ambas as condições abre novos horizontes para pacientes e médicos”, afirma o especialista.

Quem precisa parar com as duas drogas deve procurar um psiquiatra especializado em dependência química para decidir com ele a melhor forma de tratamento. Para algumas pessoas, o topiramato possui alguns efeitos colaterais — por isso não é seguro consumi-lo sem receita médica.

> Cigarros.

> Alcoolismo.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Brasileiro come poucas frutas e hortaliças

Menos de 40% das crianças e somente 18% dos adultos brasileiros comem cinco porções de frutas e verduras diariamente, medida recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados, levantados pelo Ministério da Saúde, indicam que o consumo destes alimentos no país é apenas um terço do recomendado pela OMS. A informação é preocupante, já que a maioria das vitaminas e dos minerais que ajudam a prevenir uma série de doença, em especial o câncer, estão nas frutas, nas verduras e nos legumes frescos. A notícia foi publicado pelo jornal O Globo.

Outro dado alarmante é que apenas 25% das 14 mil crianças brasileiras que participaram da pesquisa comem frutas pelo menos cinco dias na semana. Por outro lado, quase metade consome diariamente bebidas com açúcar como os refrigerantes e os sucos prontos.

A situação é ainda pior no caso de crianças entre cinco e dez anos, quando elas começam a decidir o que gostariam de comer. Nesta faixa etária, apenas 38,3% informaram consumir frutas diariamente, e 26,6% afirmaram que balas, biscoitos recheados, chocolates e outros doces fazem parte das suas dietas pelo menos cinco vezes na semana.

‘Diferentes estudos nacionais e internacionais demonstram que um consumo adequado de frutas e hortaliças reduz o número de doenças crônicas’, avalia Ana Beatriz Vasconcellos, coordenadora da Política de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde.

Segundo a OMS, o consumo insuficiente de frutas e hortaliças contribui, anualmente, para 2,7 milhões de mortes e por 31% das doenças isquêmicas do coração, 11% das doenças cérebro-vasculares e 19% dos cânceres gastrointestinais ocorridos em todo o mundo. O ideal é consumir 400 gramas por dia, o equivalente a dois copos de requeijão, ou uma banana, duas maçãs e um prato grande de salada.

> Alimentos não saudáveis.

Estudo testa enxerto para pênis com mucosa retirada de porco

Estudo avaliou tecido usado em cirurgia para doença de Peyronie, que leva à curvatura do órgão. Tela, retirada do intestino do porco, exige que seja realizado apenas um corte, diferentemente do enxerto de aorta.
por Flávia Mantovani, da Folha
Peyronie Um estudo feito em oito centros brasileiros testou por três anos, com sucesso, um enxerto retirado da mucosa do intestino do porco para tratar doença de Peyronie -caracterizada pela formação de placas fibrosas no pênis, que levam a uma curvatura do órgão na ereção.

Calcula-se que o problema atinja cerca de 8% dos homens com mais de 50 anos, apesar de acometer também jovens. A curvatura varia, mas pode causar dificuldades na relação sexual e chegar a até 90 graus.

O problema pode desaparecer sozinho -o que ocorre em cerca de 15% dos casos, segundo o urologista Sidney Glina, coordenador do estudo. Também podem ser receitados remédios, mas eles nem sempre trazem um bom resultado. Quando há prejuízo à qualidade de vida do paciente, pode ser feita uma cirurgia, indicada para cerca de 30% dos casos.

Há dois tipos de operação: na mais comum e mais simples, reduz-se o lado sadio do pênis para corrigir a curvatura, o que encurta o órgão em cerca de 1 cm a 1,5 cm. Na outra técnica, são colocados enxertos na placa fibrosa -que podem ser de materiais como o pericárdio (revestimento do coração) do boi ou a veia safena do paciente.

O enxerto testado no novo estudo já é usado em outros procedimentos, como para hérnias ou bexiga caída. Após a cirurgia, a curvatura do pênis caiu de 65 graus para dez graus, e quase 90% dos 36 pacientes disseram que a penetração no sexo ficou mais fácil. Ninguém teve o pênis encurtado.

Segundo Glina, aparentemente houve menos rejeição do que com outros enxertos. O tecido do intestino suíno é biocompatível e forma uma espécie de rede na qual as células do próprio paciente crescem.

No caso da safena, que também tem pouca reação imunológica, a desvantagem é ter que se fazer uma segunda incisão, na perna. "O enxerto de safena tem bom resultado. O problema é que há dois cortes e tem que ser tirado um trecho da safena do paciente. Se ele tiver um problema cardíaco no futuro, não vai ter mais esse segmento para fazer a revascularização", diz Geraldo Faria, presidente da Sociedade Latino-Americana de Medicina Sexual.

Para Marcelo Baptistussi, urologista colaborador do Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto, o menor tempo cirúrgico é outra vantagem: o procedimento é feito em duas horas, uma a menos do que o da safena. "A internação pode ser mais curta também", completa.

Uma desvantagem é o custo: enquanto a safena é retirada do próprio paciente, o enxerto custa em torno de R$ 1.800.

O preço é uma dos motivos pelos quais o urologista Paulo Egydio, doutor pela USP em doença de Peyronie, acredita que o enxerto de intestino suíno não seja uma boa opção. Para ele, em muitos casos ocorre uma retração do tecido implantado, o que gera perda da correção. Ele diz que já reoperou pacientes que receberam esse enxerto e que a retração é mais frequente quando se corrigem curvaturas acentuadas. "Já utilizei esse material e não tive bom resultado", afirma.

Para Geraldo Faria, porém, a retração é até menor com esse enxerto. Ele diz que é implantado um tecido 30% maior do que a área a ser coberta para prevenir o problema. Além disso, Faria utiliza um alongador peniano para manter o enxerto esticado até ser substituído pelas células do paciente.

Peyronie: perguntas e respostas
do site ABC da Saúde

O que é ?


Essa doença se manifesta como uma zona endurecida no corpo cavernoso do pênis correspondendo a uma área fibrótica e por essa razão descrita pelos pacientes como se fosse um "calo" no pênis.0,4% à 3,5% dos homens adultos são afetados.Estudos de autópsia mostra um número maior de indivíduos afetados.

Como se desenvolve ou se adquire?


Sua causa é desconhecida. Várias etiologias são descritas. Pequenos traumatismos durante o ato sexual são uma possível explicação para o problema. Esses traumatismos seriam seguidos por uma cicatrização errônea. Isso tudo ocorreria em indivíduos geneticamente predispostos. Fatores imunológicos talvez estejam envolvidos, pois em alguns casos, há associação com fibrose retroperitoneal, fibrose palmar ou plantar (doença de Depuytren).Outras situações podem acompanhar a doença de Peyronie,como a diabete melito, gota, uso de betabloqueadores,esclerose do tímpano, doença de Paget, etc.

O que se sente?


O paciente geralmente detecta a placa peniana, a qual pode estar acompanhada de dor ou curvatura peniana, que prejudica seu desempenho sexual. Muitas vezes essa é a razão da consulta. Início abrupto dos sintomas ocorre em menos de 20% dos casos. A doença é progressiva, regredindo espontaneamente em menos de 10% dos pacientes. A placa pode estar localizada em um pequeno segmento do corpo cavernoso como, também, comprometer várias partes ou todo o corpo cavernoso. A dor que acompanha a Doença de Peyronie ocorre geralmente durante a ereção prejudicando o ato sexual. Em casos mais avançados, a placa pode originar curvatura peniana impedindo a penetração vaginal. Quando o comprometimento dos corpos cavernosos é extenso, a ereção fica impossível.

Como o médico faz o diagnóstico?


Geralmente o diagnóstico é simples, feito através das queixas do paciente e da palpação da placa. Poucas doenças podem ocasionar achados semelhantes aos da Doença de Peyronie. Por exemplo: estenose de uretra, trombose de corpos cavernosos, tumores penianos e fibrose pós-traumática.

Como se trata?


Como é uma doença de etiologia desconhecida, o tratamento eficaz também é ignorado. Naqueles casos assintomáticos e sem curvatura peniana, o tratamento conservador (somente observar o paciente) está indicado.

Quando existem sinais de progressão da placa, dor ou curvatura mínima pode-se optar por drogas administradas via oral (vitamina E, potaba, colchicina) ou injetáveis na placa (esteróides, verapamil, colagenases).

Se houver curvatura peniana significativa com impossibilidade de penetração vaginal, o tratamento é cirúrgico . A cirurgia realizada é a de Nesbit e consiste na plicatura do corpo cavernoso oposto à placa, retificando o pênis. Algumas técnicas fazem a retirada da placa fibrótica e sua substituição por outro tecido normal. Nos casos de curvatura severa ou ausência de ereção, a única solução é a utilização de próteses penianas.

Como se previne?


Não há prevenção conhecida.

Perguntas que você pode fazer ao seu médico


O que causa a doença de Peyronie?
Como eu "peguei" isso?
Esta é uma doença maligna?
Tem cura?
É transmissível?

> Médicos espanhóis fazem reconstrução completa de pênis. (junho de 2008)

Mil pênis com câncer são amputados por ano no Brasil. (julho de 2009)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Grupo acha o mais antigo esqueleto de ancestral humano

por Reinaldo José Lopes, da Folha

Com 4,4 milhões de anos, apenas 1,2 metro e 50 kg, Ardi [na reprodução ao lado] não é exatamente uma beldade, mas antropólogos do mundo todo já caíram de amores por ela. O fóssil etíope, que acaba de ser apresentado à comunidade científica, é o retrato mais antigo e mais completo dos ancestrais da humanidade.

Ardi destrona outra fêmea famosa, Lucy, uma Australopithecus afarensis cerca de 1 milhão de anos mais jovem. Até agora, Lucy era o mais completo exemplar de ancestral primitivo do homem a ser achado.

A nova "moça" sugere um quadro inesperado sobre as origens humanas. Não se deixe iludir pelas semelhanças superficiais: os primeiros hominídeos, como são chamados esses predecessores do homem, não eram meros chimpanzés, mas criaturas com anatomia e hábitos bem distintos dos que se vê entre os grandes macacos africanos de hoje.

Os detalhes do corpo de Ardi e de seus parentes, membros da espécie Ardipithecus ramidus, mostram que tanto os chimpanzés quanto a linhagem humana passaram por grandes transformações desde que se separaram. "É exatamente o que Darwin previu sobre essas duas linhagens", declarou Tim White, da Universidade da Califórnia em Berkeley, que coordenou os estudos sobre Ardi.

White e companhia publicam suas conclusões sobre o fóssil e o ambiente onde vivia numa coleção de 11 artigos na revista especializada americana "Science". "É uma realização extraordinária, porque os fósseis foram achados originalmente em pedacinhos, que tiveram de ser reconstruídos com a ajuda da última palavra em computação gráfica", avalia John Fleagle, paleoantropólogo da Universidade de Stony Brook (EUA), que comentou a pesquisa a pedido da Folha.

Esse esforço todo começou em meados dos anos 1990 e só terminou agora. Hoje, a equipe de pesquisa pode afirmar com confiança que Ardi era uma primata que, no chão, andava com duas pernas, mas também era capaz de escalar árvores e andar por elas como quadrúpede, apoiando-se nas palmas de suas mãos e pés. Para conseguir isso, os dedões do pé eram capazes de agarrar objetos, como os polegares humanos, e as mãos podiam se voltar bastante para trás, com as palmas para cima, facilitando a tarefa de se prender aos galhos.

Ao mesmo tempo, porém, a fêmea e seus parentes não estavam adaptados a ficar se balançando de galho em galho nem caminhavam apoiados sobre os nós dos dedos, duas características que definem os chimpanzés. "É uma mudança enorme diante das visões atuais", diz Fleagle. "Todo mundo achava que, quanto mais antigos os fósseis, mais os hominídeos seriam parecidos com os chimpanzés de hoje", diz ele.

Completando o pacote de traços inesperados, os dentes caninos dos machos de A. ramidus são modestos, e o tamanho deles e das fêmeas é igual, o que indica uma espécie relativamente pacífica, diferente dos agressivos chimpanzés.

Hominídeo macho de há 2 milhões de anos era 'caseiro', diz estudo.
junho de 2011>pre>