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Mostrando postagens de Junho 21, 2009

Negros fumantes têm cinco vezes mais risco de câncer

por Fernanda Bassette, da Folha
A população negra brasileira que fuma tem até 5,21 vezes mais riscos de desenvolver câncer de pulmão do que os brancos fumantes. A constatação é de uma pesquisa realizada pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que foi apresentada no Congresso Europeu de Pneumologia.

O câncer de pulmão é considerado o de maior mortalidade no mundo. Cerca de 90% dos casos estão relacionados ao consumo excessivo ou à exposição passiva ao tabaco. Para realizar o estudo, os pesquisadores da Unicamp avaliaram 464 pessoas, sendo 200 portadoras de câncer de pulmão e 264 saudáveis e não fumantes.

Segundo o pneumologista Lair Zambon, autor do estudo, a maioria dos negros avaliados apresentou uma mutação no gene CYP1A1*2A que é capaz de potencializar a ação dos componentes carcinogênicos presentes no cigarro, especialmente o benzopireno -substância altamente cancerígena.

Cada cigarro possui mais de 4.000 substâncias e cerca de cem delas têm potencial para provocar cânce…

Documento indica sequestro de bebê por militares em 1972

Relatório confirma que guerrilheiro teve filho com moradora da região
por Leonencio Nossa, do Estado de S. Paulo

No começo de 1975, quando os militares deixaram o Araguaia, moradores de São Geraldo e Xambioá, cidades separadas pelo rio, começaram a contar que o guerrilheiro Osvaldo Orlando Costa, o Osvaldão, deixou um filho no Pará.

Nenhum militar, no entanto, confirmou que o nome mais famoso da luta armada na Amazônia tenha deixado um herdeiro. É um desses casos que sustentam as conversas de final da tarde, na beira do rio, por barqueiros e lavadoras de roupa.

No arquivo do agente da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, duas linhas de um manuscrito confirmam a existência do filho do Osvaldão e dão início à história do garoto sequestrado durante os combates.

Na página seis de um relatório sobre o apoio de moradores de Xambioá à guerrilha está o nome de Maria Castanheira, a mãe do filho do guerrilheiro. "Moradora em Xambioá. Foi mulher de Osvaldão, de quem tem um filho"…

Exército tinha campos de execução de guerrilheiros, afirma Curió

por Leonencio Nossa, do Estado de S.Paulo

O regime militar repetiu, ao longo de 1974, nas matas do Araguaia, o método usado décadas antes pelos franquistas na Galícia para eliminar guerrilheiros republicanos presos. Após a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), os vencedores utilizaram o verbo "passear" ao se referirem à "libertação" de presos e à transferência deles das celas para campos afastados das cidades, onde eram fuzilados e deixados em valetas às margens de rios e estradas. No Sul do Pará, os militares brasileiros optaram por dar ao verbo "fugir" um novo significado - execução sumária.

Um dos locais de "fuga" de guerrilheiros presos fica no município de Brejo Grande do Araguaia, no Sul do Pará. Pelo menos oito foram mortos numa área conhecida por Clareira do Cabo Rosa. É o que revela o manuscrito Relatório de Prisioneiros, cedido ao Estado pelo agente da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura. O documento, posterior à guerrilha, indica…

O informante Simonal

por Mário Magalhães, da Folha

Wilson Simonal de Castro, um dos mais talentosos cantores do Brasil em todos os tempos, declarou formalmente em 1971 que era informante do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), a polícia política do antigo Estado da Guanabara.
Seu depoimento na polícia foi avalizado reiteradamente em processo judicial por seu advogado Antonio Evaristo de Moraes Filho.
A declaração de Simonal e a confirmação de Evaristo nunca foram divulgadas -conhecem-se apenas as manifestações de proximidade do artista com o Dops, mas em público ele negava ter sido informante.
A Folha teve acesso ao processo 3.540/72, do qual consta o depoimento em que Simonal reconhece seus serviços.
Ele foi processado sob acusação de ser o mentor de uma sessão de tortura -em dependências do Dops- para obter confissão de desfalque de Raphael Viviani, ex-funcionário de sua firma.
Relatório confidencial do Dops, anexado aos autos e ainda hoje inédito, explicitou a ligação -reafirmada por um agen…

Curió abre arquivo e revela que Exército executou 41 no Araguaia

por Leonencio Nossa, d’O Estado de S.Paulo
Sebastião Curió Rodrigues de Moura (foto), o major Curió, o oficial vivo mais conhecido do regime militar (1964-1985), abriu ao Estado o seu lendário arquivo sobre a Guerrilha do Araguaia (1972-1975). Os documentos, guardados numa mala de couro vermelho há 34 anos, detalham e confirmam a execução de adversários da ditadura nas bases das Forças Armadas na Amazônia. Dos 67 integrantes do movimento de resistência mortos durante o conflito com militares, 41 foram presos, amarrados e executados, quando não ofereciam risco às tropas.
A reportagem é de Leonencio Nossa e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo,21-06-2009.
Até a abertura do arquivo de Curió, eram conhecidos 25 casos de execução. Agora há 16 novos casos, reunidos a partir do confronto do arquivo do major com os livros e reportagens publicados. A morte de prisioneiros representou 61% do total de baixas na coluna guerrilheira.
Uma série de documentos, muitos manuscritos do próprio pun…