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Mostrando postagens de Abril 12, 2009

‘Esse idiota tem a audácia de fingir que ama mais a meus filhos do que eu’

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Campanha contra a internação de doentes mentais é uma forma de demagogiapor Ferreira Gullar, para a Folha de S.PauloA campanha contra a internação de doentes mentais foi inspirada por um médico italiano de Bolonha. Lá resultou num desastre e, mesmo assim, insistiu-se em repeti-la aqui e o resultado foi exatamente o mesmo.Isso começou por causa do uso intensivo de drogas a partir dos anos 70. Veio no bojo de uma rebelião contra a ordem social, que era definida como sinônimo de cerceamento da liberdade individual, repressão "burguesa" para defender os valores do capitalismo.A classe média, em geral, sempre aberta a ideias "avançadas" ou "libertárias", quase nunca se detém para examinar as questões, pesar os argumentos, confrontá-los com a realidade. Não, adere sem refletir.Havia, naquela época, um deputado petista que aderiu à proposta, passou a defendê-la e apresentou um projeto de lei no Congresso. Certa vez, declarou a um jornal que "as famílias dos…

Geleira na Antártida abriga ecossistema ‘alienígena’

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Micróbios que "respiram" ferro vivem sem luz e em água supersalgada sob 400 m de gelo. Descoberta, feita em uma das regiões mais áridas do mundo, pode ajudar a entender a vida em outros planetas e na Terra antigaDa FolhaCientistas dos Estados Unidos e do Reino Unido descobriram na Antártida um ecossistema isolado num lugar onde até então achava-se que nada pudesse viver: um lago de água supersalgada encerrado sob 400 metros de gelo num dos piores desertos do mundo.Ali, debaixo da geleira Taylor, uma estranha comunidade de bactérias evolui em total isolamento e sem nenhum oxigênio há pelo menos 1,5 milhão de anos. A dieta desses microrganismos consiste unicamente de compostos de ferro e enxofre.Saber como eles têm prosperado num ambiente tão extremo pode ajudar a entender a vida em outros planetas e no passado da própria Terra, quando - acredita-se- um manto de gelo cobria boa parte do globo.O grupo de pesquisadores liderado por Jill Mikucki, da Universidade Harvard (hoje no …

’Para que eu quis ser Papa?’

por Juan Arias, para o El PaísConheci, há cinquenta anos, em Roma, Joseph Ratzinger, na época um simples teólogo progressista, quando era assessor do também progressista episcopado alemão. Já era como hoje: magro, de olhar esquivo e misterioso, o oposto do outro teólogo também assessor dos bispos progressistas, o suíço Hans Küng, todo ele alegria e vitalidade. Eram os tempos do Concílio Vaticano II. João XXIII, que falava por telefone com Kruschev em russo para tentar evitar a guerra dos mísseis em Cuba, lançou o desafio ao mundo descrente e pediu que voltasse à Igreja. Abriu as portas aos episcopados mais avançados, gritou contra os “profetas de desventuras”, ganhou a inteligência da Igreja de então. Vislumbrou-se a esperança.Durou pouco tempo. Um cardeal espanhol que, como tal, fazia parte de um dos episcopados mais obscuros do mundo, disse ao clero, ao retornar à sua diocese: “Agora é hora de esperar que as águas voltem ao seu leito”. Voltaram em parte, por obra, sobretudo, de Rat…

'Só beijaria Jesus se o padre usasse crucifixos descartáveis’

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por João Pereira Coutinho, para a Folha de S.Paulo Escrevo no domingo de Páscoa, minutos depois de perder o compasso. Adormeci. Quando acordei, o compasso já tinha passado.Não sei se os brasileiros conhecem o termo. "Compasso". A simples palavra evoca uma infância inteira sob educação católica no Portugal do pós-25 de Abril. O compasso era o momento em que um padre e quatro ou cinco ajudantes entravam nas casas da cidade, anunciando que Jesus ressuscitara.Lembro-me: acordava cedo, vestia-me, esperava. E quando se ouvia um sino nas proximidades, a casa vestia-se com flores à porta. O compasso chegava. A família, então alargada a primos, avós e tios, recebia o grupo e beijava o corpo de Cristo na cruz. Eu, hipocondríaco desde tenra idade, sempre alimentei reservas sanitárias sobre o ato. E se aquilo transmitisse doenças? E quantas bocas já tinham beijado Jesus? E se a nossa vizinha, uma repugnante dona Mafalda (com bigode), beijara o crucifixo antes de mim?Cheguei a partilhar …

‘Pobre Nietzsche! É considerado o culpado de tudo’

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O filósofo italiano Franco Volpi, em artigo para o jornal La Repubblica, 10-04-2009, comenta as recentes declarações de Bento XVI sobre Nietzsche. "Um dos problemas da Igreja atual é que a produção da felicidade escapou-lhe das mãos. Mas não é culpa de Nietzsche se a força dos Evangelhos se esvaece e a condição do homem ocidental é sempre mais paganizada", afirma. A tradução é de MoisésSbardelotto.Segue o artigo.Pobre Nietzsche! Foi o único filósofo ao qual coube o singular privilégio de ser considerado o responsável nada menos do que de uma guerra mundial. Durante o conflito de 1914-1918, em uma livraria de Piccadilly, estavam expostos na vitrine os 18 volumes das suas obras completas em inglês, com uma inscrição em letras enormes: "The Euro-Nietzschean-War: leiam o diabo para poder combatê-lo melhor!".Depois, veio o nacional-socialismo, e algumas de suas doutrinas – o super-homem no sentido da seleção biológica, a vontade de poder, a antropologia do animal predad…

Uso frequente de exaguante bucal favorece o surgimento de câncer, diz estudo

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por Julliane Silveira, da FolhaO uso de enxaguatórios bucais no Brasil cresceu 2.277% de 1992 a 2007, mostra um levantamento realizado pelo cirurgião-dentista Marco Antônio Manfredini, pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), baseado em informações da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos. De 2002 a 2007, o aumento foi de 190%. Para Manfredini, o incentivo ao consumo indiscriminado de enxaguatórios deve ser criticado. "Observamos um grande investimento na indução ao uso do produto. E é importante dizer que, ao contrário da pasta, da escova e do fio dental, o colutório não tem indicação universal. É preciso concentrar a utilização para casos específicos." Além de não ser essencial à saúde oral, o uso frequente de enxaguatórios bucais com álcool aumenta os riscos de câncer de boca e da faringe. Uma revisão científica publicada no fim de 2008 na revista da Academia Dental Australiana compilou estudos…

‘O feminismo às vezes é o pior inimigo das mulheres’

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Do IHU OnlineCarrie Lukas (foto) não é uma feminista típica. Por uma razão: ela acredita que os objetivos originais do feminismo – igualdade de direitos e de salários – já foram realizados. E agora, como evidenciado em seu mais recente livro, "The Politically Incorrect Guide to Women, Sex, and Feminism"[O guia politicamente incorreto sobre mulheres, sexo e feminismo], Lukas vai muito além da ortodoxia feminista, defendendo que o próprio feminismo é, muitas vezes, o pior inimigo das mulheres no que se refere à conquista de autonomia. Bernard Chapin, da revista norte-americana Salvoconversou com a autora e vice-presidente de política e economia do Independent Women's Forumsobre o que o verdadeiro empoderamento feminino acarreta. A tradução é de Moisés Sbardelotto.A entrevista:Seu livro é um volume da coleção "Politically Incorrect Guide" da editora Regnery. Primeiro, o que você diria àqueles que disputam se a retidão política ainda existe?Eu lhes diria que ele…