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Uma trégua na matança

Alertados por documentário sobre a crueldade da caça aos golfinhos, japoneses libertam setenta animais capturados. Outros 20 000 serão mortos neste ano

matanca-golfinho

por Paula Neiva, da Veja

Todos os anos, em setembro, abre-se a temporada de caça ao golfinho no Japão. Durante seis meses, 20 000 são mortos de maneira rudimentar e dolorosa na costa do país. Os caçadores os encurralam com redes ou os atacam com arpões, formando uma imensa mancha vermelha no oceano. Os animais retirados da água ainda com vida recebem golpes fatais com facões e machados. A caça ao golfinho é um costume no Japão há quatro séculos, mas neste ano vem enfrentando inédita oposição. O motivo é o documentário americano The Cove (A Enseada, em português), lançado no fim de julho nos Estados Unidos. O filme, que denuncia a matança dos golfinhos no Japão, ganhou mais de uma dúzia de prêmios em festivais de cinema como o Sundance Film Festival. Mesmo sem ter exibição prevista nas salas de cinema japonesas, The Cove levantou um debate acerca do tema no Japão, onde, dizem os documentaristas, a maioria da população é alheia à forma como esses animais são mortos. Muitos japoneses assistiram a cenas do documentário na internet e ficaram horrorizados com o que viram. Na semana passada, anunciou-se que, num gesto inédito, setenta golfinhos foram libertados por seus captores.

Aqueles que defendem a caça de golfinhos dizem que a atividade representa o sustento de diversas comunidades de pescadores. Organizações de defesa dos direitos dos animais rebatem. Seu argumento é que o massacre se destina a diminuir a população de golfinhos e, dessa forma, aumentar a dos peixes que lhes servem de alimento – mais rentáveis para os pescadores. A carne de golfinho é relativamente barata e não é considerada uma iguaria como a de baleia. Os médicos advertem que ela também representa um perigo à saúde, pelo alto teor de mercúrio. "A maioria das pessoas nem sequer faz ideia de como é arriscado consumi-la", diz Ric O’Barry, um dos autores do documentário. O’Barry capturou e treinou os cinco golfinhos-nariz-de-garrafa que atuaram em Flipper, série de televisão da década de 60.

As 67 espécies de golfinho que existem nos oceanos se reproduzem muito lentamente. A gestação demora, em média, um ano. O filhote precisa de atenção integral da mãe até cerca de 1 ano e meio de idade. À questão ambiental, somem-se razões de ordem emocional para a repulsa à matança dos golfinhos. "Além de mamíferos, como os homens, eles são extremamente dóceis e sociáveis", diz a bióloga paranaense Gislaine Filla, especialista no estudo desses animais. The Cove será exibido no Festival Internacional de Cinema de Tóquio, no mês que vem. Talvez o documentário possa, pelo menos, colaborar para que os métodos de eliminação dos golfinhos se tornem menos cruéis.

> Demanda asiática acelera sumiço de tubarões no país. (junho de 2008)

Comentários

  1. esses bando de filhos de raparigas tem é que morrer , ai ai se fosse eles so para ve eles sofrendo sentindo dor igual os golfinhos ou baleias eles sao uns disgraçados , manés , mongols bjs mas sabe como é que é

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  2. ola, vocês não tem respeito pelos animais coitado, queria ver se era vocês a estar no lugar deles, queria ver, vocês não tem coração!!!! odeia-vos!

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