sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Número de bebês prematuros cresce 27% em dez anos

por Fernanda Bassette, da Folha de S.Paulo

O número de nascimentos de bebês prematuros no Brasil cresceu 27% em dez anos (entre 1997 e 2006), aponta levantamento do Ministério da Saúde. O número saltou de 153.333 (5,3% do total de nascimentos) para 194.783 (6,7% do total).

Bebe Apesar de manter um aumento anual discreto, o crescimento dos casos é contínuo e pode ser observado em todo o mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa de prematuridade era de 8,4% em 1981 e chegou a 12,7% em 2007. "O mundo está passando por uma fase de transição epidemiológica perinatal, mas ainda não há estudos que expliquem as razões", afirma o pediatra e epidemiologista Marco Antônio Barbieri, professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.

Segundo Barbieri, estudioso da prematuridade há mais de 30 anos, os dados do Brasil ainda são subnotificados. Ele diz que, em Ribeirão Preto, os prematuros representavam 6,8% dos nascimentos em 1978, saltaram para 13,5% em 1994 e eram cerca de 15% em 2008.

É por isso que ele vai iniciar o que deve ser o maior estudo sobre prematuridade no país. Serão avaliadas cerca de 14 mil crianças (em Ribeirão Preto e em São Luiz, no Maranhão) para descobrir se fatores como poluição, estresse, violência social e doméstica e infecções podem causar prematuridade. Também serão acompanhadas as consequências disso para as crianças. "O objetivo é entender essa mudança no perfil epidemiológico", diz Barbieri.

A pediatra Elsa Giuliani, coordenadora da área técnica da Saúde da Criança do Ministério da Saúde, reconhece que há subnotificação, especialmente no Norte e no Nordeste, onde mais crianças nascem em casa. Mas, segundo ela, a proporção não deve subir muito.

Ainda não se sabe o motivo exato do aumento de bebês prematuros -pelo menos 70% dos casos hoje não estão relacionados a problemas identificáveis na mãe ou no bebê. A principal hipótese é o maior número de cesáreas. Por um lado, elas salvam a vida de bebês que estão em sofrimento no útero e dificilmente chegariam ao fim da gestação; mas, por outro, as que são programadas nem sempre respeitam o tempo mínimo de gravidez.

"Existe erro de avaliação da idade gestacional. Nem sempre é possível dizer com exatidão a idade do bebê. Além disso, muitas mães se programam para fazer os partos em datas comemorativas", diz Giuliani. A quarta gestação da dona de casa Neuza Souza Brasil, 39, não chegou a termo por razões médicas. Na 26ª semana, Gustavo e Gabriel nasceram com 785 gramas e 675 gramas, respectivamente.

Eles tiveram problemas em seus primeiros anos de vida, e Gabriel, que tem má-formação na traqueia e nasceu com os pulmões pouco desenvolvidos, dependeu de oxigênio até os dois anos.

Ainda hoje, aos cinco anos, os gêmeos são acompanhados por uma equipe multidisciplinar, mas têm desenvolvimento de crianças de sua idade.

> Médico italiano diz ter clonado três bebês há nove anos. (março de 2009)

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