Bento 16 já está com 82 anos. Quem é o próximo da fila?

por John L. Allen Jr., do site National Catholic Reporter

Tendo recém celebrado o seu 82º aniversário, o Papa Bento XVI parece ser a prova viva de que as máquinas alemãs são, de fato, construídas para durar. O pontífice mostra poucos sinais de perda de vitalidade, e, como resultado, há poucos rumores sobre possíveis sucessores.

As poucas listas de papáveis, possíveis futuros papas, que estão circulando parecem recicladas do final do reinado de João Paulo II. O site de apostas irlandês Paddy Power, por exemplo, inclui o cardeal Angelo Scola, de Veneza, na Itália, como o favorito, com 6-1 [uma de cada seis apostas]; Oscar Rodríguez Maradiaga, deHonduras, com 7-1; Christoph Schönborn, da Áustria, com 8-1; e Jorge Mario Bergoglio, da Argentina, com 9-1. O cardeal nigeriano Francis Arinze está empatado com os italianos Dionigi Tettamanzi, de Milão, e Tarcisio Bertone, o secretário de Estado do Vaticano, com 10-1. Todos foram considerados finalistas da última vez, mas só Bergoglio teve força suficiente.

Um antigo ditado romano pode ser adotado: "O próximo papa ainda não é cardeal".

A essa luz, pode ser útil examinar essas figuras familiares como "cardinaláveis", ou seja, prelados na fila de se tornarem cardeais, que podem chegar a ser eventuais aspirantes ao papado. Os três que seguem são exemplos intrigantes – e se algum deles se mostrar muito promissor, lembre-se que você viu primeiro aqui.

Arcebispo Gianfranco Ravasi, 66 anos

Gianfranco Ravasi Gianfranco Ravasi (foto) surge como um cruzamento entre o famoso cardeal italiano Carlo Maria Martini e o Papa Bento XVI. Ele mistura as porções intelectuais de cada um, junto com a ortodoxia de Bento e a capacidade de Martini de conquistar uma simpática audiência na modernidade secular.

Renomado biblista, Ravasi escreveu uma série de comentários de grande sucesso de vendas que receberam o crédito de terem estimulado um "despertar" bíblico na Itália. Ele também publicou artigos de primeira página nos jornais italianos, levando temas bíblicos ao público comum.

Como prefeito do Pontifício Conselho da Cultura desde 2007, Ravasi projetou sua inteligência, moderação e conhecimento midiático. Por exemplo, ele declarou recentemente a compatibilidade da teoria da evolução com a teologia católica (ao longo do caminho, Ravasi conseguiu citar Claude Lévi-Strauss, Oscar Wilde, Friedrich Schelling, Max Blanc, Isaac Newton e Alexander Pope, tudo sem esforço algum).

Se os cardeais sentem que a comunicação deve ser uma prioridade para o próximo papa, Ravasi poderia ser uma possibilidade convincente. Embora alguns possam questionar a ideia de retornar a um italiano ou a um papa da Cúria romana, Ravasi poderia se beneficiar do mesmo raciocínio que levou à eleição de Bento: no fim das contas, ele pode ser simplesmente a carta mais importante do baralho.

Arcebispo Laurent Monsengwo Pasinya, 69 anos

Laurent Monsegwo Pasinya Em 2007, Laurent Monsengwo (foto) foi nomeado arcebispo de Kinshasa, na República Democrática do Congo, abrindo-lhe a possibilidade de se tornar o primeiro papa africano desde São Gelásio, no século V.

Monsengwo vem de uma família real da triboBasakata, do Congo (Monsengwo significa "neto do chefe tradicional"). Ele foi o primeiro africano a receber o título de doutor em escritura do prestigiosoPontifício Instituto Bíblico, em Roma. Depois de ser indicado bispo em 1988, Monsengwo atuou como presidente dos bispos congoleses e do Simpósio das Conferências Episcopais da África e de Madagascar.

A influência de Monsengwo, porém, se estende para além da Igreja. Quando o ditador Mobutu Sese Seko estava perdendo o controle do poder na metade dos anos 90, o país (então chamado Zaire) precisou de alguém de integridade impecável para orquestrar a transição. Monsengwo interveio como presidente da Conferência Nacional Soberana, presidente do Alto Conselho da República em 1992, e orador doParlamento de Transição em 1994. Esses esforços não foram suficientes para evitar uma guerra civil, mas ninguém acusa Monsengwo, reconhecido como um defensor da paz, do diálogo e dos direitos humanos.

Monsengwo também conhece o mundo católico. Durante uma conferência em 2003 em Roma, pediram-lhe que comparasse a teologia da libertação da África e da América Latina. Espontaneamente, ele respondeu: "Na América Latina, havia grandes famílias ricas que eram donas de toda a terra. Essa nunca foi a situação na África... Sempre houve terra, e cada família podia cultivá-la. Hoje, vemos essa tradição de pertencer a uma família e a um clã como a nossa base para a inculturação, e não a libertação, no sentido social".

Dois terços dos 1,1 bilhão de católicos no mundo vivem hoje no hemisfério Sul, e o catolicismo não é tão vigoroso em nenhum lugar quanto na África. Assumindo que a sua saúde irá aguentar, Monsengwo poderia se tornar a face de uma Igreja em mudança.

Arcebispo Angelo Amato, 70 anos

Angelo Amato Ambas as hipóteses anteriores presumiam que os cardeais estariam em um clima para mudanças quando fossem eleitos como próximos papas. Porém, se preferirem continuidade, Angelo Amato (foto) poderia saltar à vista como uma escolha óbvia. Atualmente, ele é prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, do Vaticano, depois de ter atuado sob as ordens do então cardeal Joseph Ratzinger, agora Bento XVI, na Congregação para a Doutrina da Fé.

Nascido no Sul da Itália, Amato pertence à ordem salesiana. Quando era um jovem estudante, era membro de um renomado instituto ortodoxo de estudos patrísticos na Grécia. Em 1988, passou um ano sabático na Universidade Católica da América, em Washington, centrando-se na teologia das religiões e, finalmente, liderou a faculdade de teologia na Pontifícia Universidade Salesiana, em Roma.

Durante os anos 90, Amato se tornou um influente consultor do escritório doutrinal do Vaticano, especialmente em questões sobre o pluralismo religioso. Ele trabalhou no documento de setembro do ano 2000, "Dominus Iesus", que afirmou que os seguidores de outras religiões estão em uma "situação gravemente deficitária". Ele também foi uma força de direção por trás da investigação do padre jesuíta belga Jacques Dupuis, cujo livro de 1997, "Para uma teologia cristã do pluralismo religioso", gerou inquietações com relação ao relativismo religioso.

Desempenhar um papel disciplinar nem sempre gera popularidade. Quando foi nomeado secretário da Congregação para a Doutrina da Fé em 2002, circulou uma piada que dizia que "Angelo Amato" (que significa "anjo amado", em italiano) não é nem um, nem outro. Entretanto, as pessoas que trabalham com Amato descrevem-no como acessível e sociável.

Se o sentimento é de que o próximo papa precisa dar continuidade ao legado intelectual de Bento XVI, Amato parece ser feito sob medida para a função.

> ‘A História julgará o papa Bento 16 como responsável pela propagação da Aids na África’. (março de 2009)

Comentários

  1. Creio que próximo Papa ser´s do Brasil. Dom Dimas Lara Barbosa

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