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Hoje, o chefe deve ser mais humano, afirma filósofo

O escritório não é mais o mesmo. Alain de Botton, filósofo inglês especializado em coletar tiques e tendências da sociedade contemporânea é quem radiografa como nos comportamos no lugar em que transcorremos a maior parte do nosso tempo. "Lavorare piace" [Trabalhar é bom, em tradução livre], o seu último livro, foi publicado nesta semana na Grã-Bretanha.

A entrevista é de Enrico Franceschini, publicada no jornal La Repubblica, 27-03-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

O seu livro fala dos "prazeres" do trabalho, mas há também dores?

Evidentemente que sim, e a maior delas é perder o trabalho. Assim como o prazer primário, especialmente em tempos de recessão, é saber que não o perdemos. Mas, há também os prazeres secundários: o trabalho nos dá uma razão para nos levantar da cama, para uma vida social, para o camaradismo com os colegas, às vezes nos dá até o amor. Basta pensar em quantos começam uma relação no escritório.

Como o modo de se entender o trabalho mudou?

Da mesma forma como mudou o casamento. Uma vez, casava-se por razões pragmáticas: fazer filhos, criar uma família. Agora, esperamos muito mais dele, o amor deve durar para sempre. O mesmo acontece com o trabalho. Uma vez, servia só para nos manter. Agora, o trabalho deve divertir, gratificar, satisfazer.

É uma ilusão ou uma realidade?

Para uma minoria de sorte, é a realidade. Mas aqueles para os quais ainda é uma ilusão também desejam isso. Por isso, sempre menos pessoas aceitam atividades socialmente desqualificantes, porque, nesses casos, é difícil afirmar "eu gosto do meu trabalho".

E o que muda no chefe, no responsável, no administrador?

O chefe se humanizou. As regras sociais mudaram, por isso ele não pode mais ser autoritário. Deve se tornar amigável, agradar os dependentes. Naturalmente, isso é mais difícil quando ele tem que demitir. Mas não se pode imputar a ele toda a culpa da crise. A culpa é de quem lhe deu muito poder.

> Japoneses começam a exigir direitos trabalhistas. (junho de 2008)

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