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Mostrando postagens de Novembro 16, 2008

O dia-a-dia do pai e da madrasta de Isabella atrás das grades

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por Laura Diniz, de Veja Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá completam neste sábado, dia 22, 200 dias de prisão preventiva. No curso de quase sete meses, o casal acusado do assassinato da menina Isabella, filha de Nardoni e enteada de Anna Carolina, amargou uma sucessão de derrotas processuais (teve negados nove pedidos de soltura, dos quais o último na semana passada, pelo Supremo Tribunal Federal), viu os filhos no máximo três vezes e experimentou a sensação de ser hostilizado pelos piores entre os piores – já que a brutalidade do crime os coloca na mais infame das categorias da cadeia, aquela que é desprezada até mesmo pelos párias. Para saber como vivem hoje o pai e a madrasta de Isabella, VEJA ouviu ao longo de um mês 28 pessoas, entre pais, amigos e advogados dos acusados, além de parentes de detentos e funcionários das prisões onde eles se encontram.Nardoni e Anna Carolina estão em cadeias vizinhas, em Tremembé, no interior de São Paulo. Ele está mais gordo e bem mais à vo…

Hipertensão cresce 18% em uma década nos EUA

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Sedentarismo, histórico familiar e excesso de sal estão entre os desencadeantes
Mulheres com mais de 40 são as mais afetadas; não há estatística sobre o tema no Brasil, mas médicos notam aumento no mesmo grupo

por Fernanda Bassette e Rachel Botelho, da FolhaOs casos de hipertensão arterial nos Estados Unidos cresceram 18% em uma década, especialmente entre mulheres com mais de 40 anos, segundo levantamento realizado pelo Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos EUA. As principais hipóteses apresentadas para justificar o aumento dos casos são as taxas crescentes de obesidade, o sedentarismo e os maus hábitos alimentares da população."Entre os homens brancos, o aumento da obesidade responde por cerca de 80% do crescimento das taxas de hipertensão no período estudado", afirmou Paul Sorlie, um dos autores do estudo, em entrevista à Folha.Mas, entre as mulheres, esse fator parece ser menos preponderante. "Há evidências de que elas podem ser mais sensí…

Renda do negro é metade da do não-negro

DENYSE GODOY, DA REPORTAGEM LOCAL da FolhaO trabalhador negro (preto e pardo) ganha apenas cerca da metade do que o não-negro (branco e amarelo) recebe na Grande São Paulo. São R$ 4,36 por hora, em média, contra R$ 7,98, segundo pesquisa realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese.
Quanto maior o nível escolar, maiores as disparidades. O rendimento real do indivíduo negro que não concluiu o ensino fundamental é de R$ 3,44 por hora, e o do não-negro, R$ 4,10 -uma diferença de 19,2%.Já na comparação entre duas pessoas que terminaram a universidade o abismo atinge 40%: o negro recebe R$ 13,86 por hora e o não-negro, R$ 19,49. O levantamento foi realizado em 2007, mas os valores tiveram correção monetária até julho."Considerando a média de R$ 4,36 por hora e o fato de que o negro escravo do Brasil Imperial contava com a renda indireta da comida e da moradia, pode-se falar que nada mudou", argumenta o presidente da ONG Afrobras e reitor da Unipalmares (Universidade da Cidadania…

O suicídio como notícia

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por Marcelo Moutinho, escritor e jornalista, para o Portal Literal em 20/05/2007

No dia 5 de abril de 1994, recém-saído de uma clínica de desintoxicação, o líder do grupo Nirvana, Kurt Cobain, disparou um tiro contra a própria cabeça. Em 11 de setembro de 2001, pouco mais de uma dezena de jovens sacrificaram conscientemente as próprias vidas em nome do jihad, ao executar o atentado terrorista que atingiu símbolos do poder norte-americano. Quase 300 anos antes, a 18 de abril de 1732, um pacato casal de classe média – Richard e Bridget Smith – enforcava-se em Londres, sob a pressão de um manancial de dívidas.

Os casos relatados acima – cuja disparidade só encontra interseção no aspecto voluntário das mortes – ilustram os três modelos isolados por Émile Durkhein para categorizar o suicídio conforme a relação entre aquele que se mata e a sociedade.

No suicídio egoísta, os elementos motivadores seriam a falta de integração com seus pares e a inexistência aparente de razões para se tocar a v…

Aos cem anos, umbanda ainda sofre preconceito. 20% menos que em 1991

O problema já foi a perseguição da extinta Delegacia de Costumes, no século passado. Atualmente, aos cem anos de sua fundação, comemorada ontem, as acusações de charlatanismo e curandeirismo fazem parte do passado da umbanda. Uma história de obstáculos e desconfianças para se consolidar como a primeira religião criada no Brasil. Porém, se a polícia já não incomoda mais, a intolerância de outras crenças continua presente na vida de pais, mães e filhos-de-santo no Brasil.A reportagem é de Emilio Sant’Anna e Ricardo Muniz e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 16-11-2008.Nem mesmo a proteção das entidades e orixás parece ter sido capaz de conter os ataques a centros de umbanda e candomblé. Os casos se acumularam nos últimos anos na mesma velocidade com que a demonização das religiões de matrizes africanas avançou nos veículos de comunicação controlados por evangélicos radicais.Há quem acredite que a repetição dos casos de intolerância afasta os fiéis e impede a afirmação da crença…