Desigualdade entre ricos e pobres aumentou

A desigualdade entre ricos e pobres nos países mais ricos do mundo aumentou, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Dados disponíveis dos 30 países da organização indicaram que a desigualdade aumentou em 7% no período que vai de 1985 a 2005.

O documento diz que os salários das 10% de pessoas mais ricas do bloco eram, em média, nove vezes maiores que os rendimentos das 10% pessoas mais pobres.

Essa diferença é bem maior em países como México, Turquia e Estados Unidos, e menor em países nórdicos como Dinamarca, Suécia e Finlândia.

As informações sobre distribuição de renda cobrem pela primeira vez todos os países da OCDE até a metade da primeira década do século 21.

No lançamento do relatório nesta terça-feira em Paris, o secretário-geral da organização, Angel Gurría, alertou para os perigos que a desigualdade entre ricos e pobres pode representar.

"A crescente desigualdade traz discórdia. Polariza sociedade, divide regiões dentro de países e modela o mundo entre ricos e pobres", afirmou. "A maior desigualdade de renda reprime a mobilidade para cima (na sociedade) entre as gerações, tornando mais difícil para pessoas talentosas e trabalhadoras conseguirem as recompensas que merecem."

"Ignorar a crescente desigualdade não é uma opção", acrescentou Gurría.

O relatório Growing Unequal? ("Crescendo en Desigualdade?", em tradução livre) afirma que o crescimento econômico das últimas décadas beneficiou mais os ricos do que os pobres.

Um dos fatores que alimentou a desigualdade de renda foi o número de pessoas menos qualificadas e com nível educacional mais baixo que não estão empregadas. Mais pessoas vivendo sozinhas ou casas lideradas por pais ou mães solteiras também contribuíram para o aumento.

Em países desenvolvidos, os governos vinham adotando uma política de cobrar mais impostos dos mais ricos e gastar mais com benefícios sociais, como uma forma de fomentar uma sociedade mais igualitária.

Mas a eficácia dessa política decaiu, diz a OCDE. Países da organização, por exemplo, gastam três vezes mais em benefícios do que gastavam há 20 anos, mas, mesmo assim, famílias de pais solteiros têm chances três vezes maiores de serem pobres.

De acordo com o secretário-geral Angel Gurría é preciso encontrar novas formas de enfrentar a desigualdade.

"Apesar do papel dos impostos e dos sistemas de benefício na redistribuição de renda e na diminuição da pobreza ainda ser importante em muitos países membros da OCDE, nossos dados confirmam que sua efetividade diminuiu nos últimos dez anos", afirmou.

"Tentar cobrir as desigualdades na distribuição de renda apenas aumentando os gastos sociais é como tratar apenas os sintomas ao invés da doença."

"A maior parte do aumento na desigualdade vem de mudanças nos mercados de trabalho. Aí os governos precisam agir. Trabalhadores com pouca qualificação estão enfrentando muitos problemas para encontrarem trabalho. Aumentar o emprego é a melhor forma de diminuir a pobreza", afirmou.

Nos 20 anos computados pela pesquisa, alguns grupos foram mais bem sucedidos do que outros. As pessoas em idade de aposentadoria foram as que tiveram os maiores aumentos de renda - e o grau de pobreza entre aposentados caiu na maioria dos países pesquisados.

Por outro lado a pobreza entre crianças aumentou. A OCDE define como pobre uma pessoa que vive em uma residência com menos da metade da renda média, ajustada de acordo com o tamanho da família.

Crianças e jovens adultos atualmente têm uma chance 25% maior de serem pobres do que a população como um todo. Residências lideradas por pais solteiros têm três vezes mais chances de serem pobres do que a média da população.  (BBC Brasil)

> Ricos brasileiros nunca ganharam tanto dinheiro como agora, diz jurista. (julho de 2007)

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