Aluno de curso superior custa 6,7 vezes mais que o do básico

O gasto público com universitários no Brasil é 6,7 vezes maior do que com alunos do ensino básico, mostra estudo divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC). A pesquisa usa dados de 2006 e considera as despesas dos três níveis de governo: União, estados e municípios. O ministro Fernando Haddad admitiu que a diferença é exagerada.

A reportagem é de Demétrio Weber e publicada pelo jornal O Globo, 30-10-2008.

Para ele, o investimento por universitário deveria ser no máximo três a quatro vezes maior do que na rede básica.

Mas ele comemorou o resultado, enfatizando que a distância caiu nos últimos anos. Em 2000, primeiro ano em que foi feito cálculo, um universitário custava 11,1 vezes mais do que um aluno do ensino básico.

Haddad destacou que, em 2002, último ano do governo Fernando Henrique, a diferença era de 10,1 vezes:

— Era um dos indicadores mais preocupantes. Em 2006, caiu para 6,7 vezes. Este número deve mudar, nos próximos anos, para melhor.

O cálculo foi feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do MEC. Em 2006, em valores da época, um universitário custava R$ 11.820 por ano, ante R$ 1.825 para alunos da 1aà 4asérie do ensino fundamental e R$ 2.004, no caso da 5aà 8asérie.

O ensino médio tinha o valor mais baixo: R$ 1.417 por aluno ao ano. Haddad lembrou que a situação era pior.

Em 2003, primeiro ano do governo Lula, o investimento por aluno nessa faixa atingiu o nível mais baixo: R$ 863. Em 2004, subiu para R$ 1.024.

— Imagina atender a um aluno com mil reais por ano. É o que uma escola particular cobra por mês. O maior incremento (de recursos) se deu no ensino médio, que era o patinho feio — disse o ministro.

Segundo ele, a situação melhorou no ano passado, com o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que ficou fora do estudo. No ano que vem, a União repassará R$ 5 bilhões aos estados e municípios mais pobres. Em 2006, o país destinou 4,4% do PIB ao ensino público, maior patamar do período.

Em 2005, o investimento havia ficado em 3,9%, como em 2000. Para Haddad, o Brasil precisa aplicar 6% do PIB.

MEC propõe ensino obrigatório dos 4 aos 17 O MEC enviou anteontem ao presidente Lula proposta para tornar obrigatório o ensino dos 4 aos 17 anos. Hoje, a obrigatoriedade vai dos 6 aos 14 anos, embora estados e municípios tenham até 2010 para matricular todas as crianças de 6 anos. A proposta do MEC acrescenta a pré-escola, para crianças de 4 e 5 anos, e o ensino médio, para jovens de 15 a 17 anos. Haddaddisse que vai discutir com governos estaduais e prefeituras um prazo de transição. Para ele, cinco ou seis anos seriam suficientes:

— Não adianta mudar por lei se estados e municípios não têm condições de atender às crianças.

A presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Justina Iva, é favorável à ampliação, mas diz que as prefeituras não têm recursos para ampliar a cobertura da pré-escola dos atuais 70% para 95% ou 100% das crianças de 4 a 5 anos:

— Somente será possível com apoio muito forte e aporte financeiro da União.

> Só 5% dos estudantes de medicina desejam trabalhar em pequenas cidades. (junho de 2008)

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