Frank Moretti: os estudantes devem ter blog

Frank Moretti promove uma apropriação e reformulação do uso das novas tecnologias multimídia para melhorar a qualidade do ensino na Universidade. Segue a entrevista que Frank Moretti, especialista em tecnologia digital educativa, concedeu a Julián Bruschtein e que está publicada no jornal argentino Página/12, 29-07-2008. A tradução é do Cepat.

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Os blogs, suportes de multimídia, páginas na Internet, formatos similares à Wikipedia podem ser de utilidade no mundo acadêmico: “O desafio é explorar os modos de uso para reformulá-los e utilizá-los em contextos pedagógicos”, explica Frank Moretti, especialista norte-americano no desenvolvimento de tecnologia digital com fins educativos. Moretti é fundador e diretor do Columbia Center for New Media Teaching and Learning, da Universidade de Columbia (Estados Unidos), onde trabalha com os professores na elaboração de programas interativos de conteúdo pedagógico, isto é, na utilização de novas tecnologias informáticas e de comunicação para melhorar o ensino e permitir que os estudantes se formem fora do marco das aulas tradicionais.

Como é a relação entre alunos e professores com as tecnologias de suporte digital, tendo em conta que os jovens têm mais familiaridade?

Primeiro, teria que haver uma distinção entre as tecnologias que têm a ver com o popular e o entretenimento, como MySpace ou YouTube, apenas para indicar algumas. A aplicação que nós desenvolvemos tem a ver com uma disposição mais concentrada, um trabalho mais analítico, uma tecnologia que permite trabalhar e estudar de outra forma e que é pensada com outro propósito, que não é o entretenimento. Por isso, é bom saber que as tecnologias podem ser as mesmas em termos objetivos, mas a forma de uso e a contextualização que adquirem são muito diferentes. Por exemplo, eu dou aulas de História da Comunicação e tenho uma página parecida com a Wikipedia onde encarrego os meus alunos de prepararem um relatório. Antes da aula, eles têm a possibilidade de ler e conhecer o que será tratado em sala de aula, mas também podem discutir a informação ali postada. Contribuem para o desenvolvimento dos conteúdos da página, como acontece com a Wiki de verdade, mas o desafio é explorar estes modos de uso para reformulá-los e utilizá-los em contextos pedagógicos.

Trata-se de re-significar os usos atuais das novas tecnologias...

Todos podem ter um blog, é uma prática muito difundida. Os alunos que participam das minhas aulas, além da prática na Wiki, devem ter um blog pessoal durante todo o semestre. Funciona como um diário, que eu chamaria de “diário da atividade significativa” do que resulta interessante e significativo das aulas para os alunos, mas é acessível a todo o mundo. Qualquer um pode fazer blogs, mas não ocorreu a ninguém utilizá-los para finalidades pedagógicas, isto é, que se re-signifiquem e adquiram um peso diferente. Na Wiki ou no blog os alunos me mandam recomendações. Os blogs que os estudantes fazem são algo que eu mesmo não conseguiria fazer porque os estudantes têm mais facilidade, por isso os utilizo para reformular seu uso.

E quanto aos professores...

Com os professores, se vê que alguns têm maior familiaridade com as tecnologias que outros, por isso é nossa responsabilidade ajudá-los. Eu mesmo sou “velho”, comparado com eles, e meu grupo de trabalho me ajuda a me familiarizar com a tecnologia.

Que possibilidades de acesso e desenvolvimento destas tecnologias têm as universidades do Terceiro Mundo?

O que se deve compreender é que as universidades são instituições com profundas raízes históricas e culturais. A mudança e a transformação que determinados processos envolvem leva muito tempo e é um processo muito complexo, que em muitos casos pode não terminar bem. Mas, além desta complexidade, das burocracias e dos processos internos característicos das universidades, o que também implica hoje a revolução digital é um enorme valor agregado, a necessidade de agregar conhecimento para poder estar permanentemente em sintonia com o avanço tecnológico. Por isso, começam a se desenvolver novas formas de planificação, sobretudo em universidades do Terceiro Mundo. Por exemplo, atualmente, em algumas universidades africanas se fala em “saltar etapas”, ou “saltar passos” no processo de evolução e desenvolvimento: em vez de construir grandes edifícios ou “templos do saber”, com imensos campus, destinam parte de seus recursos e projetos para novas tecnologias para que estejam ao alcance de um número maior de alunos e professores.

E o software livre, como incide neste cenário?

A sinergia que o movimento do código aberto produz e promove no que tange o software é altamente positiva. Somado à capacidade da tecnologia digital de compartilhar recursos, materiais e projetos entre as diferentes instituições acadêmicas, se transformam em oportunidades que se abrem para o Terceiro Mundo e permitem que seu acesso seja mais viável. O caso do projeto Global Classroom é claro neste aspecto: 12 universidades compõem o projeto por enquanto, e a metade pode ser que tenha o equipamento e os recursos necessários e a outra metade seguramente não os têm. Contudo, todos acessam os mesmos materiais e todos têm as mesmas oportunidades de trabalho e as mesmas ferramentas à sua disposição.

> Fonte: IHU Online.

> Blogosfera policial cresce e obtém repercussão. (julho de 2008)

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