Mãe Vera cria 78 criança que ficaram sem os pais

Por Yara Aquino, da Agência Brasil

Águas Lindas (GO) - Quem acha que é difícil a rotina de arrumar um ou dois filhos pela manhã, para ir a escola, dar banho e servir as refeições diárias, não conhece a rotina na casa de “Mãe Vera”, como é conhecida Raimunda Silvério, de 65 anos. Ela tem 78 filhos, adotados de coração.

mae_vera Mãe Vera (foto) cuida de crianças carentes há mais de 40 anos e, há 18, dirige a Casa de Moisés, em Águas Lindas (GO). Tudo começou com a insistência de uma assistente social para que ela cuidasse de uma criança que havia sido abandonada pela mãe. Mesmo contra a vontade do marido, ela aceitou e conta que, quando percebeu, já estava com a casa cheia de crianças. Algumas chegaram a ser deixadas na sua porta pelas mães.

A casa, então, ficou pequena, o casamento acabou e ela resolveu invadir uma área que desse para abrigar a todos. “Quando vi, minha casa estava cheia e formei um novo lar”, conta.

A construção começou com folhas de madeirite e, hoje, já são duas alas, além de uma pequena biblioteca e um laboratório de informática. Há também um consultório odontológico montado e mantido por um professor da Universidade de Brasília (UnB). E, agora, o terreno já pertence legalmente à instituição.
Para manter tantas crianças, só mesmo com a ajuda de voluntários. Cinco fazem os trabalhos de rotina da casa e diversos ajudam com doações de alimentos, roupas, materiais escolares e de limpeza. Tarefa que não é fácil para garantir os 15 quilos de arroz, seis de feijão e entre 7 a 10 quilos de carne consumidos a cada almoço.

A estimativa é de que a despesa mensal passe de R$ 10 mil. A grande preocupação são as contas de água e luz. A última chega a R$ 800 mensais. Além da ajuda dos doadores, a instituição promove bazares para arrecadar dinheiro e, há cerca de um ano, o fórum da cidade envia, mensalmente, oito cestas de alimentos.

O caçula da casa tem três meses de idade e os mais velhos, 18 anos. As crianças e adolescentes chegam até Mãe Vera trazidas pelo conselho tutelar, depois de ter vivenciado episódios de violência familiar, ou ainda entregues por famílias que não têm como sustentá-las. Algumas são reintegradas à família, outras passam a ter a Casa de Moisés como lar definitivo.

Vanessa de Souza, por exemplo, tem 15 anos e está na casa há dois. Depois que a mãe morreu, ela morou com parentes, mas conta que não deu certo e, então, foi acolhida por Mãe Vera. “Ela está sendo tudo para mim porque é a pessoa que está me ajudando nesse momento difícil da minha vida”, diz.

Mas, por que deixar uma vida relativamente tranquila e acolher tantas crianças e enfrentar tantas dificuldades para sustentá-las? A resposta de Mãe Vera é que foi um “chamado de Deus”. Ele se sente orgulhosa ao contar que já tem filhos formados e até netos. E diz também que já perdeu a conta de quantas crianças e adolescentes já a tiveram como mãe.

Para ela, tudo é compensado pela grande alegria de vê-los crescer saudáveis. “Mesmo com os que vão embora fica uma relação de família, eles vêm final da semana, no Natal, no meu aniversário”.


Braço direito de Mãe Vera, o voluntário Iraci Alves prepara documentos para tentar registrar a instituição como uma organização não-governamental. A expectativa é que seja possível conseguir financiamentos com a nova denominação. “Teríamos acesso a verbas para construir oficinas profissionalizantes, quadras de esporte”, explica.


A instituição está aberta para o trabalho de voluntários e para doações. O telefone é (61) 3618-5322.

> Agência Brasil.

> Como tem sido o triunfo do mal sobre as crianças.

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