Advogado diz que vai se empenhar para mostrar Josef Fritzl 'como um ser humano' (Der Spiegel)


De Julia Jüttner, em Viena, Áustria

Seu cliente é o detento mais famoso do mundo: Josef Fritzl, que é acusado de ter mantido sua filha presa em um porão por 24 anos. Mas o advogado de defesa de Fritzl, Rudolf Mayer, um dos mais conhecidos na Áustria, vê o bem em seu cliente e deseja entendê-lo.

Seu escritório sofisticado fica em um dos bairros mais ricos de Viena, no distrito 9, perto da mais antiga universidade no mundo de língua germânica.

Sigmund Freud já morou e trabalhou virando a esquina -uma espécie de coincidência, considerando que Rudolf Mayer se considera tanto "terapeuta e advogado". Mayer, que tem doutorado em Direito, disse à "Spiegel Online" que se sente atraído precisamente a casos com "fundo psicológico-psiquiátrico".

"Josef Fritzl está sendo retratado como um monstro horrível e um tirano sexual", disse Mayer. "Meu trabalho é mostrá-lo como um ser humano." Mayer disse que fez uso de seu primeiro encontro de 10 minutos com seu cliente de 73 anos para "sentir esta pessoa".

"Eu desliguei meu cérebro racional, liguei meu instinto e me concentrei nos olhos da pessoa", disse o advogado. É uma tática testada e comprovada, ele disse, explicando que ele acredita que os olhos revelam 90% da psique de uma pessoa.

Nas fotos que circularam de Josef Fritzl, seus olhos pálidos parecem diabólicos para qualquer um que já tenha uma opinião formada sobre ele.

Mayer diz que apesar desta "aparência de Jack Nicholson", ele acreditou no seu instinto. "Os primeiros 30 segundos de uma reunião são cruciais para o estabelecimento do contato psicológico. Eu acredito que desta vez tive sucesso em estabelecer um elo com o sr. Fritzl."

Mayer diz sobre seu cliente: "Eu tive a impressão de que se tratava de um paterfamilias, um patriarca, com lados bons mas também ruins". Fritzl está, segundo seu advogado, "seriamente afetado e emocionalmente abalado". Esta avaliação não faz desaparecer o fato de que nos interrogatórios que ocorreram até o momento, Fritzl passou a imagem de "indiferente".

No segundo encontro deles, Fritzl passou duas horas falando sobre sua vida e dando "sua versão das coisas". "Eu apenas o deixei falar e o escutei", disse Mayer, mas se recusando a revelar quaisquer detalhes sobre a conversa. Ele também pediu a seu cliente para ser mais reticente. "Ele já falou demais."

Pouco se sabe sobre a vida de Fritzl antes de se casar com sua esposa, Rosemarie, em 1957 -de onde veio, seus pais e sua infância. Por que ele destruiu a vida de sua filha de forma tão pérfida? "Aí é exatamente onde começa minha tarefa", disse seu advogado. "Quem é Josef Fritzl? Por que ele é da forma que é?" Nas conversas que transcorrerão nas próximas semanas, Mayer quer chegar o mais próximo que puder de responder estas perguntas.

EFE

"Josef Fritzl está sendo retratado como um monstro horrível e um tirano sexual... Meu trabalho é mostrá-lo como um ser humano", diz o advogado austríaco Rudolf Mayer.

Apesar de ainda não ter qualquer idéia do motivo para Fritzl ter decidido prender sua própria filha, Mayer está convencido, "após três décadas de experiência profissional como advogado de defesa", de uma coisa: "Há uma explicação para cada ação, para cada ato criminoso".

É uma declaração que certamente provocará críticas do público e Mayer sabe disso. As primeiras cartas e e-mails ameaçadores do público já começaram a chegar. "Advogados que se recusam a defender certos atos contradizem minha visão da ética profissional", ele disse. O advogado de 60 anos vê as correspondências de ódio como um risco ocupacional.

Mayer não está chocado com a gravidade do crime que Fritzl cometeu -por reconhecimento próprio- ou pelas circunstâncias da ofensa. "Eu não fiquei chocado", ele disse, balançando para frente e para trás em sua cadeira. "Foi perguntado ao sr. Fritzl se ele me queria como seu advogado de defesa e ele disse: 'Sim, eu o conheço da TV!'" Mayer explicou, parecendo não insatisfeito.

Fritzl agora divide uma cela na prisão de Saint-Pölten com um preso que é acusado de ter atirado em alguém, informou Mayer. Os guardas da prisão estão "atentamente de olho nele". Ele está sendo protegido de forma especial por dois motivos: primeiro, para que "não julgue a si mesmo" e tente cometer suicídio, e segundo porque "ele não desfruta de uma posição particularmente boa na hierarquia dos presos".

"Ele parece um pouco com medo", disse Günther Mörwald, o diretor da prisão de Saint-Pölten. O preso de Amstetten não fala muito, mas, segundo Mörwald, ele está lentamente entendendo "o que fez à sua família". O diretor diz estar vendo os "primeiros sinais de arrependimento" em Fritzl.

Seu advogado está convencido de que não há cúmplices neste caso. Mayer diz que não sabe se Fritzl esteve envolvido em outros crimes -como estupros. "Eu estou esperando as próximas conversas com meu cliente para ver se ele menciona algo."

Este não é o primeiro caso em que o advogado famoso chega às manchetes. Em 1996, ele defendeu dois supostos neo-nazistas no chamado "julgamento da carta-bomba", durante o qual ele revelou o verdadeiro perpetrador e teve sucesso em conseguir a absolvição de seus dois clientes.

Mayer deve estar ciente de que as chances de conseguir qualquer tipo de sentença leve para Josef Fritzl parece mínima, mas isto não parece detê-lo.

O futuro julgamento já parece que causará grande sensação e será assistido por todo o mundo. Mayer não parece se importar com toda a atenção. Pelo contrário.

"Até mesmo uma emissora de rádio colombiana me perguntou se estava preparado para dar uma entrevista ao vivo", ele disse.


> Advogado diz não está chocado com o monstro incestuoso.

> Como pôde a mulher do monstro incestuoso nada saber?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Artigos de Luiz Felipe Pondé

O que muda na língua portuguesa com a reforma ortográfica

Europa tem 75 mil prostitutas do Brasil