Senador tucano admite que recebeu dossiê anti-FHC (Folha Online)

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse nesta quarta-feira que recebeu o suposto dossiê elaborado por funcionários da Casa Civil com informações sobre gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PDSB) com cartões corporativos. Dias, entretanto, não admitiu ser o responsável pelo vazamento do dossiê para a imprensa.

Em seguida, argumentou que a Constituição Federal permite que os parlamentares usem dados que chegam às suas mãos como acharem mais conveniente, inclusive para repassá-los para a imprensa. "Os senadores não são obrigados a prestar informações sobre o que recebem. Se um parlamentar vazou informações para a imprensa, o fez dentro das suas atribuições parlamentares", afirmou.

Em nenhum momento do discurso no plenário do Senado, Dias admitiu o vazamento. Mas deixou claro, após ser questionado pelo senador Tião Viana (PT-AC), que a Constituição concede liberdade para que os parlamentares usem ou divulguem as informações que recebem.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que o responsável pelo vazamento deveria dizer logo quem foi o autor do suposto dossiê. "Não quero acusar ninguém, porque é muito ruim você acusar sem saber. Hoje tem jornais que já dizem que teve senadores que participaram disso. Eu ainda não li a matéria, mas acho lamentável", disse Lula se referindo à reportagem publicada hoje pelo jornal "O Globo", que informa que o dossiê chegou ao Congresso antes da instalação da CPI dos Cartões.

"Nós estamos tranqüilos, obviamente que tristes, porque quem recebeu [o suposto dossiê] na imprensa sabe quem foi. Nós vamos ter que fazer uma investigação e, possivelmente, nunca saberemos quem foi que pegou documento de um banco de dados e vendeu como se fosse dossiê. Isso é lamentável para o país", afirmou Lula. "Só tem algumas pessoas que sabem: os jornalistas que receberam o tal do documento, que era do banco de dados e foi transformado em dossiê, e o cidadão, a cidadã, sei lá quem, que pegou esse documento."

Dias cobrou explicações do Palácio do Planalto sobre o vazamento dos dados que deram origem ao dossiê. "Eu tenho certeza absoluta que o senador [Tião Viana] não me imagina travestido de James Bond, forjando senhas e bisbilhotando computadores do governo. Essas virtudes hollywoodianas eu não tenho. Eu afirmei que tinha visto o dossiê. Mas por ordem da ministra Dilma Rousseff [Casa Civil] se elaborava um relatório de gastos do governo Fernando Henrique", afirmou.

Revanche

Líderes governistas no Senado afirmaram que as palavras de Dias mostram que o governo não é o "algoz" no episódio do dossiê, mas vítima da oposição que usou informações do banco de dados da Casa Civil montado para detalhar gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB) com cartões corporativos.

Os governistas desafiaram o tucano a revelar o nome da pessoa que lhe encaminhou o dossiê --que supostamente seria um funcionário da Casa Civil. "Não adianta o PSDB apresentar requerimento para acompanhar a comissão de sindicância do Palácio do Planalto [que investiga o vazamento de informações]. Está nas mãos do senador Álvaro Dias dizer quem lhe mostrou o documento, quem lhe deu o documento", disse a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC).

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que o banco de dados do governo sobre cartões corporativos foi "espionado". "Temos aqui um caso de espionagem. Se o senador Álvaro Dias não quer que se punam inocentes, acho que deveria declinar o nome da pessoa que vazou o material. Alguém do governo ou do Palácio do Planalto pegou os dados e repassou ao senador Álvaro Dias."

O tucano, por sua vez, negou ter conhecimento do funcionário que vazou as informações. "Se eu soubesse quem vazou, eu diria. Não sei quem vazou as informações. Mas eu sei quem é responsável maior, isso eu sei, por aqueles incluídos entre os suspeitos de vazar as informações. Eu não disse que foi a ministra Dilma responsável pelo vazamento, mas por administrar o setor", afirmou.

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