Marido divulga cenas de sexo com a mulher na internet (O Globo)



por André Mello e Letícia Lins - O Globo

RECIFE - Insatisfeito com o iminente fim de seu casamento, o programador Márcio André Avelino do Vale resolveu se vingar: pôs na internet cenas de sexo com a própria mulher, que também trabalha na área de informática. As imagens foram parar em sites de relacionamentos, DVDs vendidos na feira e até telefones celulares. O caso acabou na polícia, onde o webdesigner está para ser enquadrado na Lei Maria da Penha. É a primeira vez no estado que a legislação para crimes domésticos se aplica àqueles cometidos pela rede. O assunto virou tema de conversa na feira, nos bares e nas ruas de Caruaru, a 130 quilômetros de Recife.

- Foi um choque muito grande, pensei que não ia agüentar. Porque você chega em uma repartição, vai tirar um documento e as pessoas lhe apontam dizendo "essa é a mulher do vídeo". Quando ando no ônibus ou de mototáxi, os comentários são sempre os mesmos. É horrível - desabafou ela a emissoras de rádio e televisão, embora sem mostrar o rosto para não se expor mais ainda. A mulher confirmou que as gravações tiveram sua permissão.

- Pensei que fosse coisa de homem. Ele disse que ia gravar as cenas, para assistir quando desse vontade. Depois, recebi dele um e-mail, dizendo: "Não deu para resistir, botei tudo na internet" - contou a mulher, que nesta terça-feira voltou à delegacia para ser ouvida, porque testemunhas disseram que o acusado tem antecedentes violentos, seria um hacker e havia violado a conta bancária dela via computador. O acusado tem 28 anos e a mulher, 21.

Márcio foi ouvido nesta terça, negou responsabilidade na divulgação do vídeo e disse que já tinha apagado as imagens. Mas, durante o momento da gravação, só ele e a mulher estavam no quarto.

A titular da delegacia da Mulher em Caruaru, delegada Rita de Cássia Valença, informou ontem que esse é o quinto crime contra mulheres na internet naquele município, só este ano:

- Os crimes são basicamente os mesmos previstos no Código Penal Brasileiro. A Lei Maria da Penha apenas cria o procedimento. Como o crime ocorreu no ambiente doméstico, ela poderá ser aplicada sim e provavelmente esse crime não ficará impune.
A delegada instaurou o inquérito no dia 15 de abril e, embora as imagens da vítima tenham corrido mundo, via web, seu nome vem sendo mantido em sigilo. Para Rita de Cássia, o crime foi premeditado e confirmado nas conversas via internet, até em salas de bate-papo, nas quais ele afirmava que a mulher iria ver as conseqüências dos seus atos (o fim da relação).

Márcio foi ouvido e liberado em seguida, porque, segundo a polícia, não há provas de que ele é o autor da divulgação do vídeo, que tem oito minutos e no qual a mulher aparece sempre em primeiro plano. O casal vivia junto há um ano, mas nos últimos três meses vinha se desentendendo.

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