Defesa de casal Nardoni vai à Corregedoria relatar irregularidades no inquérito (Folha Online)

por Carolina Farias

Os advogados de defesa do casal Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Jatobá, 24, pai e madrasta de Isabella, entrarão terça-feira (22) com uma representação na Corregedoria da Polícia Civil contra possíveis irregularidades na condução do inquérito que investiga a morte da menina, arremessada do sexto andar do apartamento do casal, na zona norte de São Paulo, no dia 29 de março. Para a defesa, a investigação é tendenciosa e parcial.

O casal afirma que Isabella foi jogada da janela por uma terceira pessoa --um assaltante ou desafeto--, que entrou no imóvel sem ser vista. A tese é a mesma defendida por seus advogados Marco Polo Levorin, Rogério Neres de Souza e Ricardo Martins.

Na sexta-feira (18), Nardoni e Anna Jatobá foram indiciados por homicídio doloso (com intenção) com três agravantes: motivo fútil, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Antes de ser jogada pela janela, Isabella foi asfixiada.

Para Martins, o inquérito --conduzido pelo 9º Distrito Policial (Carandiru)-- tem uma série de irregularidades. Entre elas, a defesa do casal aponta o fato de, durante os depoimentos ocorridos na sexta-feira (18), ter sido feita a menção do laudo sobre a morte da garota. No entanto, diz Martins, o documento, ainda não foi concluído e não integra o inquérito.

"Não poderia, de forma alguma, ser feita a menção de um laudo que a defesa sequer chegou a ter contato, muito menos a autoridade policial, porque não consta no inquérito. E, se não consta, é um laudo inexistente", diz o advogado.

Outro ponto apontado por Martins é o fato de haver duas testemunhas, que estão preservadas e protegidas, que afirmam ter visto Cristiane Nardoni, irmã de Alexandre, em um bar na noite em que ocorreu o crime. Mas, segundo o advogado, há uma terceira testemunha que teria dito que viu a tia de Isabella em outro bar.

"Existe um contrasenso. Outra testemunha afirma tê-la visto em um outro estabelecimento. Então a gente não sabe exatamente o que está acontecendo, qual a versão é realmente correta. Vamos levar isso à Corregedoria para pedir esclarecimento e para mostrar que há uma certa tendência e precipitações", afirmou Martins.

Vulnerabilidade

Para o advogado, a Corregedoria tem de investigar o fato de um pedreiro que trabalhava em uma obra aos fundos do edifício London relatar que o portão da casa em construção ter sido arrombado na noite do crime, conforme informou primeiramente a Folha.

O sobrado fica nos fundos do prédio, e do telhado da churrasqueira é possível acessar a obra, disse o pedreiro à reportagem na época.

"Ele [pedreiro] deu depoimento para um jornalista da Folha dizendo que o local havia sido arrombado, que apesar de não terem levado nada, alguém entrou lá. Foi feita inclusive uma foto da pegada do teto da churrasqueira. Mas quando ele vai à delegacia prestar seu depoimento, ele muda totalmente sua versão. Nada mais viu, nada mais sabe. Isso é no mínimo estranho", disse o advogado.

Martins também reclama que as investigações "não têm amplitude e seguem uma linha restrita", o que prejudica a defesa do casal. Ele diz que que a polícia "despreza" testemunhas que têm importância no inquérito.

Uma lista com 22 nomes foi entregue no 9º DP pela defesa do casal para que essas pessoas fossem convocadas pela polícia. Até esta segunda-feira, segundo Martins, somente duas foram ouvidas.

"São pessoas imprescindíveis. Uma das coisas que elas mencionam e que as torna imprescindíveis é o fato de comprovarem a perda das chaves [do apartamento], ingresso no apartamento de forma descontrolada e a existência de uma porta lateral que dá acesso à garagem. Tudo que mostra a vulnerabilidade do edifício. Eles estão tratando esse edifício como uma fortaleza", afirmou Martins.

De acordo com o advogado, a cerca elétrica do prédio não funciona e o circuito interno de câmeras não gravam as imagens.

Cena do crime

Quando Martins fala em "amplitude de investigação", ele fala não somente do rol de testemunhas mas também questiona a preservação do apartamento onde Isabella foi asfixiada e depois arremessada pela janela. Segundo o advogado, não houve preservação do local do crime.

"Todas as pessoas possíveis e inimagináveis adentraram naquele apartamento [na noite do crime]. O síndico, o zelador, subsíndico, mulher do subsíndico, pessoas ligadas ao prédio, moradores, policiais, peritos, todos. Não houve sequer a preservação do local. Como é possível a perícia identificar quais daquelas pegadas, ou mesmo impressões digitais, são daquelas que cometeram o delito e daquelas que não cometeram?", diz o advogado.

No sábado (19), informações extra-oficiais apontaram que a uma marca de pegada, encontrada no lençol da cama que ficava próxima à janela, seria de Nardoni.

Exames feitos pela Polícia Técnico-Científica apontam que o crime pode ter sido cometido por Nardoni e pela madrasta da menina.

> Caso Isabella.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Artigos de Luiz Felipe Pondé

Europa tem 75 mil prostitutas do Brasil

O que muda na língua portuguesa com a reforma ortográfica