Caso Isabella: ciúmes é um dos focos da investigação (Estadão)

Segundo depoimentos, relação de Alexandre com mãe de Isabella incomodava a madrasta; casal tinha idas e vindas

por Laura Diniz

A palavra ciúme foi citada várias vezes no inquérito, disse ontem o promotor Francisco Cembranelli. Ele não esclareceu, no entanto, em quais circunstâncias isso ocorreu. Testemunhas disseram à polícia que o casal Alexandre Nardoni, de 29 anos, e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, de 24, discutia constantemente. O Estado apurou que o fato de Alexandre ter de falar com a bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira, de 25 anos, mãe de Isabella, incomodava a atual mulher dele.

Não consta do inquérito, no entanto, nenhum episódio de sábado que pudesse ter causado a suposta discussão entre o casal, ouvida por vizinhos minutos antes da tragédia. O que se tenta apurar agora é se o ciúme da madrasta tem algo a ver com o caso e em que medida.

Uma colega do casal na faculdade de Direito, que preferiu não se identificar, disse ao Estado que eles tiveram muitas idas e vindas. “Nunca presenciei nenhuma briga, mas soube que eles terminaram e voltaram diversas vezes”, contou. Segundo ela, a madrasta tinha ciúme de Alexandre e já ameaçou dar um “barraco” em um churrasco da turma se ele não fosse embora. O Estado apurou que a polícia também ouviu muito a palavra “barraqueira” em referência à madrasta.

Por outro lado, o advogado Rafael Cícero Cyrillo dos Santos, que estudou por mais de dois anos com Anna Carolina na faculdade, disse que nunca ouviu falar de brigas entre o casal. “Ela sentava ao meu lado e não lembro de ter ouvido reclamações sobre o Alexandre. Ela é muito tranqüila, meiga, delicada e brincalhona”, disse. O colega afirmou que confia na inocência da madrasta de Isabella e que “colocaria a mão no fogo por ela”.

Cembranelli confirmou que há, no inquérito, menção a um pedido de aumento da pensão que Alexandre dava a Isabella, mas disse que não há desdobramentos desse fato na investigação. Revelou também que há “alguns” boletins de ocorrência relacionados ao casal que constam da investigação, além daqueles que já haviam sido divulgados: um da mãe de Isabella contra Alexandre, por ameaça, e um da madrasta contra o pai dela, Alexandre Jatobá. Há também relatos de agressividade referentes a Alexandre.

O depoimento da mãe, disse o promotor, trouxe aspectos reveladores à apuração porque ajudou a construir o perfil do casal, mas não foi imprescindível para o pedido de prisão. “Basicamente, ela relatou como conheceu Alexandre, como foi a relação amorosa, o fim e a convivência necessária para a criação de Isabella.” Cembranelli visitou ontem o apartamento 62 do Edifício London,para ter uma imagem mais concreta da cena do crime.

As cartas divulgadas anteontem pelo pai e pela madrasta da criança, em que se dizem inocentes, não foram acrescentadas ao inquérito ainda.

O promotor não teve, então, conhecimento formal do teor das cartas, mas disse que são “um elemento bastante precário de prova”.

“Todos estão me julgando sem ao menos me conhecer, não faria isso com ninguém, muito menos com minha filha”, declarou o pai.

> Dossie do caso Isabella.

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