Caçada ao “culpado” pelo dossiê (Correio Braziliense)

Para evitar o agravamento da crise, Palácio do Planalto investiga servidores da Presidência suspeitos


por Ana Maria Campos, Daniel Pereira, Denise Rothenburg e Leandro Colon:

Enquanto responde à oposição em público, o governo age nos bastidores para revelar o nome do funcionário que teria vazado informações sigilosas sobre gastos realizados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e dona Ruth. Quer anunciar, o mais rapidamente possível, o autor do suposto dossiê que seria usado para chantagear o PSDB na CPI dos Cartões, a fim de tirar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, do centro de uma crise política que se anuncia.

A caça ao culpado dividiu os servidores da Presidência da República em dois grupos. De um lado, estão os servidores de terceiro escalão, que temem ser sacrificados em nome da preservação do prestígio de Dilma e de suas auxiliares mais próximas. Do outro, figuram as duas principais assessoras da ministra, que estão no olho do furacão. Braço direito de Dilma, a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, é acusada de dar a ordem para a montagem do dossiê para constranger os tucanos.

Sua chefe de gabinete, Maria de La Soledad Castrillo, conhecida como Marisol, é apontada como a coordenadora de um grupo formado por servidores da Presidência da República para elaborar um minucioso levantamento sobre os gastos com as contas de tipo b, usadas antes da existência dos cartões corporativos, para suprimento de fundos. Por conta disso, a Casa Civil terá de apresentar esclarecimentos.

Em nota, a Casa Civil negou que tenha havido reuniões coordenadas por Erenice Guerra para levantar informações relevantes relacionadas à administração de FHC. Por conta da confusão, funcionários da Casa Civil começaram nesta semana a buscar um culpado, uma espécie de bode expiatório que tire o foco da ministra Dilma. Um dos alvos seria a Secretaria de Controle Interno da Presidência da República. A Casa Civil abriu uma sindicância para apurar as responsabilidades pelo vazamento de informações sigilosas do governo anterior, entre as quais a de despesas da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.

Desde 2000, por força de um decreto assinado pelo então presidente Fernando Henrique, por orientação do então ministro da Fazenda, Pedro Malan, os gastos com suprimentos de fundos estão sob o controle da Secretaria de Administração da Presidência da República. Técnicos do Palácio do Planalto contaram ao Correio que as informações levantadas para o “banco de dados” eram concentradas nos computadores da chefia de Gabinete da Casa Civil, comandada por Marissol.

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