Ministro culpa vítimas por não terem se vacinado contra doença (Estadão)

Temporão eximiu o governo de responsabilidade pelo aumento de casos e mortes neste ano

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, admitiu ontem que mais mortes por febre amarela poderão ocorrer, mas eximiu totalmente o governo de culpa em relação ao aumento de casos da doença neste ano. “Todos as mortes foram de pessoas que não se vacinaram e foram para áreas de risco e não se protegeram”, disse Temporão, para quem há informação suficiente sobre os riscos nas áreas endêmicas - onde há risco permanente de se contrair a doença.

“Todas as pessoas que viajam para essas áreas sabem que têm de se vacinar. Pessoas que não tomaram foram por sua própria conta e risco, pois a vacina é disponível. Quando fui visitar Pirenópolis (GO) há dois anos, sabia que tinha de ser vacinado. Levei a minha família e todos foram vacinados”, afirmou, descartando a necessidade de uma campanha permanente, como a da dengue.

O ministro reforçou que o procedimento adotado por sua pasta está “adequado com os padrões internacionais”. O conselho de Temporão, de que deveriam procurar colocar a carteira de febre amarela em dia pessoas que fossem para matas, causou surpresa. A população de áreas de risco, que vive nas cidades e não faz passeios na mata, ficaria dispensada da imunização. Uma recomendação que contraria as próprias normas do ministério. Segundo o ministro, no entanto, a situação neste ano é melhor que em 2000 e 2003, quando houve mais casos e mais mortes.

Temporão explicou que o ciclo da febre amarela está associado ao fim do período em que macacos contaminados ainda estão sob a proteção dos anticorpos transmitidos pela mãe, prazo que dura cerca de seis anos. Por isso, outro ciclo de aparecimento da forma silvestre da doença pode ocorrer em alguns anos.

MORTES DE MACACOS

O número de localidades com registro de mortes de macacos, primeiro alerta sobre risco de febre amarela entre humanos, explodiu neste mês, quando comparado aos dados de dezembro de 2007. No fim do ano passado, 33 localidades no Brasil apontavam a morte dos animais, ante 112 só neste mês, um aumento de 239%. Segundo o diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage, trata-se do maior número de mortes dos animais já registrado desde 2003, quando o País teve surtos de febre amarela - não foi informado o total de mortes de animais daquela ocasião.

Desde 2003, o Ministério da Saúde monitora as mortes de macacos para conter o risco de propagação da febre amarela em humanos. Mosquitos silvestres que picam os macacos infectados podem transmitir a doença a pessoas não vacinadas. Por isso a morte dos animais serve de alerta para os gestores de saúde reforçarem a vacinação. Segundo Hage, a alta circulação do vírus atual obriga a manutenção da vigilância sobre a vacinação para pessoas que nunca foram imunizadas. Pelo histórico de anos anteriores e pelo ciclo natural de infecção dos macacos, ele prevê que a circulação do vírus deverá diminuir a partir do próximo mês, com redução de casos entre pessoas.

Apesar de o ministério não ter ainda a confirmação de os macacos morreram por febre amarela (as análises exigem testes sofisticados), a inferência de que são eles a origem dos vírus circulantes vem do fato de a vigilância ter encontrado mosquitos silvestres infectados em matas por onde passaram pessoas contaminadas.

Neste ano, já são dez os casos confirmados de febre amarela silvestre entre humanos, com sete mortos, maior número desde 2003. Ontem não foi confirmado nenhum caso novo. Anteontem, foi confirmado o segundo caso de febre amarela em São Paulo. Uma moradora de São Caetano do Sul, no ABC, teve o diagnóstico da doença feito pelo Centro de Vigilância Epidemiológica. Ela esteve em Bonito (MS).

Cairo de Freitas, secretário de Saúde de Goiás, Estado com o maior número de casos, disse que “tudo está sob controle” - ele estava em férias e reassumiu ontem.
FABIO GRANER, ADRIANA FERNANDES, FABIANE LEITE E RUBENS SANTOS

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